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A culpa da oposição – e o quanto Lula e CPMF são “necessários” no país das “excepcionalidades”

analizando-o-bico-do-tucano-imNeste sábado (29/08), o senador do DEM goiano, Ronaldo Caiado, publicou artigo na Folha de São Paulo, intitulado Os riscos da continuidade, que expressa uma boa dose de consciência sobre o momento delicado que atravessamos. Caiado, que tem sido uma voz constante em defesa do fim, o mais depressa possível, do governo moribundo e cadavérico de Dilma Rousseff, e já em 1989, quando concorreu à presidência, havia previsto o desastre a que uma administração petista conduziria o país, foi novamente duro, não poupando um setor que é um dos principais culpados pelo sofrimento atual: o da própria oposição. Naturalmente, não pelas razões distorcidas que o governo aponta.

Segundo o senador, acompanhamos o suplício de um “governo acéfalo, em estado catatônico, capaz de anular qualquer um que se disponha a mudar os rumos da política” e, seguramente, “com Dilma, o único cenário possível é o desastre”. Ele se pergunta, já sabendo a resposta de antemão, se vale a pena, como alguns oposicionistas parecem crer, e outros tantos já até assim se manifestaram, “prolongar essa sangria por mais três anos” e “sustentar uma presidente sem legitimidade, completamente desconectada da população, sem a confiança do mercado” – acrescentamos: o nacional e o internacional – “e incapaz de propor mudanças que corrigiriam seus próprios erros”. Uma presidente cujo governo foi alvo de “três protestos nacionais em menos de seis meses”. Um governo que motiva a presença da palavra “recessão” em letras garrafais na capa de O Globo do mesmo dia, como síntese do que sinalizam os indicadores econômicos. Um governo com “recorde histórico dos índices de reprovação” e que convive com a revelação de um escândalo abrangente de corrupção via Lava Jato que, se contava com a participação de outros políticos e outros partidos, nitidamente resulta de um esquema de poder coordenado e orquestrado pela legenda que conduz os rumos presidenciais brasileiros há mais de uma década, atendendo diretamente à sua manutenção. Um governo contra o qual, para completar, há fundamentos materiais e jurídicos para comprovar o “uso de propinas do Petrolão na campanha eleitoral”, levando à cassação da presidente pelo TSE, e o “descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Diagnóstico que resuma melhor a situação da política federal hoje, eu não encontrei ainda. Está tudo aí, sem tirar nem pôr. Ao contrário de outras análises vagas, porém, Caiado teve o mérito de não parar por aí. Ele lembra que “a oposição não conseguiu encontrar um caminho único em resposta à população” e “a incongruência dos líderes que deveriam capitanear esse momento se revelou temerária”, tendo alguns, “momentaneamente”, retrocedido à “cautela” de “manter Dilma”. O clamor popular e a degradação da sanidade financeira mínima do país não foram suficientes para motivar os líderes oposicionistas – leiam-se, principalmente, os tucanos, membros do maior partido de oposição -, tal como parece ter intentado Fernando Henrique, a alinhar o discurso com estridência e entusiasmo em favor da única saída possível. A oposição segue tentando ser estritamente “técnica”, fria, não entra em sintonia com os anseios do povo. Permanece uma força mecânica, distante e tímida, que não consegue acompanhar o desejo dos eleitores que lhe dão cargos pela pura e simples carência de alternativas genuínas.  Os noticiários se empesteiam de referências aos interesses particulares dos caciques do PSDB, que seguiriam prejudicando um entendimento em favor do país.

Uma má notícia para esses senhores, que Caiado apenas introduz, com a sutileza que talvez lhe seja possível na posição em que se encontra: não se consegue um impeachment assim – e, se ele é a via que mais dependeria de uma atitude da oposição político-partidária, é em torno dele que nossos senadores e deputados antipetistas deveriam se unir. Deveriam, no mínimo, dissertar abertamente sobre o propósito, conclamar o povo. Mas não; engomadinhos e artificiais, têm profundo “medinho” de serem vistos como “irresponsáveis”, “foras-da-lei”, por explorarem os próprios argumentos e embasamentos de maneira mais pró-ativa e implacável. Serem vistos assim, diga-se de passagem, por quem, quando na oposição, não teve, nem de longe, o mesmo comedimento. Senhores, esse suposto “comedimento” é, agora, uma traição. Os tucanos acabarão cavando a própria cova política, enterrando o último til de paciência daqueles que se veem forçados a apostar em sua social democracia acovardada e frouxa para conter a tirania bolivariana e cleptocrática do lulopetismo. Infelizmente, se persistirem em optar por esse caminho, enterrarão também, por uns bons anos, as esperanças dos brasileiros por dias melhores.

O ex-presidente Lula, que, por suas atitudes, segue se autoproclamando monarca emérito do Brasil, também chamou novamente a atenção no fim de semana. Primeiro, pelo boneco do Lula inflado, o novo ídolo de uma nação, que foi furado por uma jovem petista ao ser exibido em São Paulo. Bobagem. O boneco é imortal. Ele haverá de, para usar expressões bíblicas, “ressuscitar no terceiro dia” e, ao fim das contas, ainda “crescer e multiplicar”, para horror dos marqueteiros petistas. Segundo, pela matéria da Revista Época, uma denúncia urgente que se baseia em documentos de inquéritos do Ministério Público sobre irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES para a construção do porto de Mariel, e a participação de Lula no processo, investigado por “tráfico de influência”. A revista mostra que certas flexibilizações questionáveis na concessão dos recursos foram chamadas de “excepcionalidades”. Parece que é nisso que vivemos: um país de “excepcionalidades”.

Também, ao ser citado pelo delator Alberto Youssef, Lula foi acusado de conhecer todo o esquema de corrupção, assim como Dilma. O que está faltando para que sejam atendidos os pedidos do deputado Onyx Lorenzoni – assim como Caiado, também do DEM, mas do Rio Grande do Sul – para que o “Brahma” seja convocado a depor na CPI? Em vez disso, por ora, o que temos é que Lula insiste em demonstrar uma prepotência bravateira e um vigor que a oposição, que teria todos os motivos, como vimos, para demonstrar força, não reproduz, em seu aspecto vantajoso. Disse, em entrevista à rádio Itatiaia, de Minas Gerais, que, “se for necessário”, concorrerá novamente à presidência em 2018.

Lula na presidência novamente é tão necessário quanto a volta da CPMF, que sua cria Dilma tentou emplacar sem sucesso. Quando o país derrete pelos excessos de um Estado inchado, o governo oferece como saída recriar um antigo imposto e aumentar ainda mais a força do Estado para cima dos bolsos da população. Inútil, tresloucado e destrutivo para o país. Tal como o projeto Lula 2018.

Lula, você não é necessário. Obrigado. Fique em casa. Ou se entendendo com a Justiça. Precisa-se desesperadamente de oposição. Não de você.

 

 

 

Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, sócio honorário do Instituto Libercracia, editor do site Boletim da Liberdade e autor dos livros "Lacerda: A Virtude da Polêmica", “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”, "Os Fundadores - O projeto dos responsáveis pelo nascimento do Brasil" e "Introdução ao Liberalismo" (co-autor e organizador).