Karl Popper

Autores Liberais – Sir Karl Popper: 1902-1994 Sir Karl Popper foi o grande filósofo liberal do século XX e, a exemplo de seus outros dois conterrâneos Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, foi obrigado a deixar a sua Viena natal devido aos horrores do nazismo. Popper, no início de sua carreira acadêmica, dedicou-se à filosofia […]

Autores Liberais – Sir Karl Popper: 1902-1994

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Sir Karl Popper foi o grande filósofo liberal do século XX e, a exemplo de seus outros dois conterrâneos Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, foi obrigado a deixar a sua Viena natal devido aos horrores do nazismo.

Popper, no início de sua carreira acadêmica, dedicou-se à filosofia da ciência, ao projetar-se com o livro A lógica da descoberta científica (1934). O cerne da idéia popperiana, no que diz respeito ao conhecimento, está na concepção de que viver é um processo de solução de problemas (até mesmo para uma ameba). Nesse processo, o homem formula hipóteses que ele jamais poderá saber se são verdadeiras ou não. Ele é capaz de testar (tentar falsear) uma teoria, e confirmá-la reiteradas vezes. Isso não quer dizer, no entanto, que ela seja verdadeira. É possível que, a qualquer momento, alguém formule a respeito do problema uma nova hipótese melhor, ou uma maneira nova de testar a teoria e demonstrar que ela é falsa. Assim aconteceu com a teoria newtoniana que, ao longo de séculos, foi repetidas vezes corroborada, até que surgiu Einstein que formulou uma nova hipótese, derrubando as concepções de Newton. Em outras palavras, a ciência vive de Conjecturas e refutações, título de seu livro publicado em 1963 a respeito do crescimento do pensamento científico.

No início dos anos 70, Popper publicou outra importante obra sobre o conhecimento científico sob o título Conhecimento objetivo onde ele textualmente declara que ‘o fenômeno do conhecimento humano é, sem dúvida, o maior milagre do universo. Ele constitui um problema que não será solucionado brevemente’. Popper propõe uma teoria objetiva do conhecimento e formula a idéia dos três mundos: “mundo 1” (dos objetos físicos), “mundo 2” (dos estados de consciência ou mentais ou de “disposições comportamentais para agir”) e “mundo 3” (das idéias). Assim, um livro pertence a dois “mundos”. Ao “mundo 1”, na condição de objeto, e aos “mundo 3”, por seu conteúdo que é o universo das idéias.

As contribuições de Popper não se resumiram, no entanto, à filosofia da ciência. No final dos anos 30, Popper se viu na contingência de deixar a Europa, indo com a esposa para a Nova Zelândia, onde reiniciou sua vida acadêmica. Nesse período, marcado pela II Guerra Mundial, Popper publicou duas obras fundamentais, demonstrando enorme familiariedade com as ciências humanas: A miséria do historicismo e o monumental A sociedade aberta e seus inimigos (1945). Elas representam o que Popper denominou de sua ‘contribuição para o esforço de guerra’. O primeiro livro refuta, especialmente, a concepção marxista de previsibilidade da história e da exeqüibilidade da “engenharia social”. Já o segundo é uma análise sobre todos os pensadores que, desde Platão, defenderam idéias contrárias à sociedade aberta (aquela que tolera o poder crítico das pessoas).

Com o final da II Guerra na Europa, Karl Popper obteve uma cátedra – com a ajuda de seu amigo Hayek – na renomada London School of Economics, tornando-se responsável pelo Departamento de Filosofia, Lógica e Método Científico. Ele nunca mais deixará a Grã Bretanha, tornar-se-ia cidadão britânico e feito “Sir” pela Rainha (1965). Em 1974 publicou sua autobiografia (Unended Quest) e em 1977 publicou, juntamente com John Eccles (Prêmio Nobel de Medicina e amigo desde os tempos em que passou na Nova Zelândia), uma obra fundamental para a ciência da cognição intitulada O eu e seu cérebro. Mesmo após aposentar-se, até 1994, quando morreu a 17 de setembro, Popper publicou várias outras obras e participou de inúmeros seminários e colóquios.

PRINCIPAIS OBRAS DE KARL POPPER PUBLICADAS EM PORTUGUÊS

  • A sociedade aberta e seus inimigos (2 volumes). São Paulo, EDUSP, 1974.
  • A lógica da pesquisa científica. São Paulo, Cultrix, 1993.
  • O realismo e o objectivo da Ciência (1o volume do pós-escrito à Lógica da descoberta científica). Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987.
  • O universo aberto – argumentos a favor do indeterminismo (2o volume à Lógica da descoberta científica). Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1988.
  • A Teoria dos Quanta e o cisma na física (3o volume do pós-escrito à Lógica da descoberta científica). Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1989.
  • Conjecturas e refutações (O progresso do conhecimento científico). Brasília, Editora da UNB, 1994.
  • Em busca de um mundo melhor. Lisboa, Fragmentos, 1989.
  • Um mundo de propensões. Lisboa, Fragmentos, 1991.
  • O racionalismo crítico na política. Brasília, Editora UNB, 1994.
  • Televisão: um perigo para a democracia. Lisboa, Gradiva, 1995.
  • Autobiografia intelectual. Brasília: UnB, 1977. 263p. (B)
  • La miséria del historicismo. Madrid: Taurus Ediciones; Alianza Editorial, c1984. 181p. (B)
  • O eu e seu cérebro. Campinas: Papirus; Brasília: UnB, 1991. 513p. (B)
  • Sociedade aberta, universo aberto. Lisboa: Dom Quixote, 1987. 112p. (B)

OUTRAS OBRAS DE KARL POPPER

  • All life is problem solving. Londres, Routledge, 1999.
  • Unended quest – na intellectual autobiography. Londres, Routledge, 1974.
  • In search of a better world – Lectures and essays from thirty years. Londres, Routledge, 1992.
  • The lesson of this century – with two talks on freedom and the democratic state. Londres, Routledge, 1997.
  • The myth of the framework – in defense of science and rationality. Londres, Routledge, 1994.
  • Objective knowledge. Oxford, Oxford University Press, 1989.

(B) Biblioteca do IL, acervo

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