Resposta a um jovem iludido

JOSÉ PIO MARTINS*

Colaboração de Gerhard Erich Boehme

Qualquer pessoa tem direito às suas próprias opiniões, mas não aos seus próprios fatos.

Foi assim que comecei a resposta a um jovem que dissera estar eu enganado sobre Ernesto “Che” Guevara. A reação do indignado jovem veio a propósito de artigo que publiquei na Gazeta do Povo em 14/12/2006, sob o título “O Triste Fim dos Carniceiros”. O jovem se indignara porque, segundo ele sabia, “Che” não teria comandado execuções de opositores e, portanto, ele não poderia ser igualado a ditadores sanguinários.

Reafirmei que Guevara foi membro da alta direção do governo de Fidel, após a tomada do poder pela revolução cubana e a deposição de Fulgêncio Batista, e que, de temperamento agressivo e sem habilidade política, logo no início do governo ele comandou, pessoalmente, a execução de aliados do antigo governo. Guevara ocuparia, posteriormente, a presidência do Banco Nacional e o Ministério das Indústrias e, para tristeza do “menino”, asseverei que “Che” foi, sim, sócio do “paredón”, nome dado às filas de pessoas que eram fuziladas e caíam para trás nas valas abertas onde eram enterradas.

De qualquer forma, esse jovem está apenas imitando artistas e intelectuais brasileiros que, estranhamente, se diziam contra ditaduras e torturas, mas bajulavam e visitavam Fidel Castro regularmente. É como afirmei no meu artigo: essas pessoas não agem em função de um princípio, qual seja o de serem contra ditadores e seus extermínios; eles são contra ditadores de direita, enquanto amam ditadores de esquerda, não importa se estes torturam e matam. Aquele que é defensor da liberdade e dos direitos individuais, o verdadeiro liberal, deve ser contra qualquer ditadura e qualquer ditador. É uma questão de valores e de princípio; não há meio termo.

Nunca entendi por que um juiz espanhol resolveu processar apenas Pinochet, enquanto há enorme tolerância mundial com carniceiros de esquerda como o próprio Fidel Castro e Kim Jong II da Coréia do Norte, para ficar em apenas dois. Todos deveriam ser submetidos à mesma regra. O planeta vive dias dramáticos. A ONU acaba de divulgar um relatório mostrando que o aquecimento global é muito pior do que se pensava e que, a continuar nesse ritmo, a humanidade corre sério risco de praticamente desaparecer em um século. Em termos de história, um século é um instante; não é nada.

Ninguém mais tem o direito de isolar-se do mundo, ignorar os problemas ambientais ou exercer o direito de atentar contra a vida humana por questões políticas. Esses ditadores fecham seus regimes, sonegam informações, poluem a natureza, rejeitam a integração internacional, matam seus opositores e não dão a mínima importância para o fato de seu país ser um pedaço do planeta Terra, que está pedindo para ser salvo, para que a raça humana sobreviva. Os tiranetes de quinta categoria, sejam de direita ou de esquerda, precisam acabar mal, para desencorajar aventuras similares. Aqui na América do Sul estamos assistindo um retrocesso lamentável em três países: Venezuela, Bolívia e Equador. Embora ainda não tenham começado a exterminar seus opositores, certamente o farão caso continuem por muito tempo no poder com suas mentes insanas e suas agressões à liberdade.

Sugeri ao jovem desiludido e desapontado que estude e se informe, para não ir na “onda” nem tomar como verdadeiras versões que ele nem sabe como chegaram à sua mente. O jovem me disse que tinha Guevara como um herói romântico, sensível, amante da liberdade, respeitador dos direitos humanos e preocupado com os problemas sociais. Talvez ele apenas tenha sido iludido por uma propaganda subliminar, que trata certos ditadores tidos como de esquerda como sendo bons moços humanitários, apenas porque travestem seus extermínios como sendo necessários para implantar um regime preocupado em erradicar a miséria e a pobreza. Nada mais falso e tolo.

* Professor de economia, vice-reitor do Centro Universitário Positivo – UnicenP

pio@unicenp.edu.br

Tel.: (41) 3317-3010.

Fax: (41) 3317-3030

Nota da Editoria:

 

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O mito Che Guevara’, de Alvaro Vargas Llosa;

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Sobre Cuba:

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