O Fórum da Liberdade em Copenhague

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De 1380, quando a coroa norueguesa passou para o rei dinamarquês, até 1918, quando a Islândia se tornou um Estado soberano, a Islândia foi governada a partir da capital da Dinamarca, Copenhague. Por isso, Copenhague ocupa um lugar especial na história islandesa.

No século XIX, os estudantes islandeses desfrutavam de privilégios na Universidade de Copenhague (como compensação pela expropriação de terras pelo rei durante a Reforma), e a luta pela independência começou ali, dentro da pequena colônia islandesa. Nada fortaleceu mais a consciência nacional do que viver longe da pátria. De fato, um historiador islandês certa vez exclamou que em nenhum outro lugar a Islândia foi mais apaixonadamente amada do que em Copenhague. Participei do Fórum da Liberdade nesta bela e acolhedora cidade em 19 de setembro de 2026, organizado pelo movimento juvenil da Aliança Liberal e pelo Students for Liberty Denmark, onde apresentei um livro que editei, Conservative-Liberal Thought in the Nordic Countries 946–1945: An Anthology (em português, O Pensamento Conservador-Liberal nos Países Nórdicos, 946-1945: Uma Antologia).

Tornando a liberdade acessível

O programa não teve nenhum momento monótono. O primeiro palestrante, Dr. Eamonn Butler, fundador do Adam Smith Institute, de Londres, descreveu, de maneira divertida e detalhada, seu projeto de tornar Adam Smith acessível aos jovens por meio de um livro curto com histórias em quadrinhos cuidadosamente elaboradas. Ele disse que seu próximo projeto seria sobre Friedrich von Hayek. Em um painel realizado em seguida, Robert Tyler, do think tank de Bruxelas New Direction, e Otto Brøns Petersen, do think tank de Copenhague CEPOS (Centro de Estudos Políticos), discutiram o futuro da União Europeia. Eles concordaram que a falta de crescimento econômico da UE, em comparação com a China e os Estados Unidos, decorria em grande parte do excesso de regulamentação. Os reguladores podem ter boas intenções, mas suas regulamentações aparentemente razoáveis frequentemente produzem consequências não intencionais. Angel Werth do Objective Standard Institute, apresentou uma interpretação fascinante de três distopias modernas escritas por mulheres: O Conto da Aia, de Margaret Atwood, Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, e Hino, de Ayn Rand. Werth afirmou que todas retratam tentativas daqueles que estão no poder de eliminar a autoestima individual, às quais as protagonistas resistem. O último palestrante, James Tooley, ex-vice-reitor da Universidade de Buckingham, apresentou um relato envolvente e, por vezes, comovente sobre a educação privada de baixo custo em países pobres como a Índia e a Nigéria, onde o Estado oferece uma educação pouco confiável e inadequada.

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Da conquista militar ao desenvolvimento econômico

Em um painel dedicado ao meu livro, destaquei a forte tradição dinamarquesa do Estado de Direito, mesmo sob o absolutismo. Também observei que os dois principais países nórdicos, Suécia e Dinamarca, tinham elementos tanto autoritários quanto libertários em suas culturas, mas que os elementos autoritários foram fortemente enfraquecidos por derrotas: no caso da Suécia, pela perda de suas possessões no Báltico em 1721 e da Finlândia em 1809; no caso da Dinamarca, pela perda da Noruega em 1814 e de Schleswig em 1864. Ambos os países substituíram os sonhos de conquista militar por uma ênfase no desenvolvimento econômico. Os outros dois participantes do painel, Robert Tyler, da New Direction, e Andreas Paulsen, do CEPOS, fizeram várias observações interessantes sobre a tradição política nórdica. Tyler comparou-a às tradições britânica e americana, enquanto Paulsen discutiu o espírito cívico dinamarquês articulado por N. F. S. Grundtvig.

A política dinamarquesa

Durante os intervalos para o café, nós conversamos sobre a política dinamarquesa. Na Dinamarca, assim como em outros lugares, existe uma estranha aliança entre a extrema esquerda e os islamistas, com a extrema esquerda ignorando a opressão das mulheres e a perseguição aos homossexuais, às quais os islamistas dão apoio. À esquerda do centro estão os social-democratas, sob a liderança firme de Mette Frederiksen, que continua sendo primeira-ministra apesar das grandes perdas nas últimas eleições parlamentares. Os social-democratas responderam à ameaça do Partido Popular, contrário à imigração, simplesmente adotando suas políticas anti-imigração. Embora a Dinamarca tenha a nona economia mais livre do mundo, os impostos continuam altos.

Quando o Venstre, o tradicional partido liberal, passou a ser considerado pouco empenhado nessa questão, foi fundado o Liberal Alliance, hoje sob a liderança carismática de Alex Vanopslaugh. Outro líder carismático é Morten Messerschmidt, do Partido Popular, um crítico contundente do que ele considera ser a islamização da Europa.

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Hannes Gissurarson

Hannes Gissurarson

É professor emérito de ciência política na Universidade da Islândia e comentarista frequente sobre assuntos atuais na mídia islandesa, além de membro da Sociedade Mont Pêlerin. Ele é mais conhecido como um ferrenho porta-voz das políticas de livre mercado ou liberalismo clássico. É bacharel em Filosofia e História e mestre em História pela Universidade da Islândia, além de PHD em Política na Universidade de Oxford.

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