Fernando Henrique Cardoso sob exame: fatos que o elogio ignora
Muita gente tecendo loas a Fernando Henrique Cardoso como se o ex-presidente tivesse sido um estadista à altura de Margaret Thatcher. Agora, que o homem está fragilizado, sem condições de gerir seu próprio patrimônio, lemos e ouvimos vários “analistas” dizendo quão importante foi FHC para a economia brasileira. Diante disso, perguntei-me: Será?
Alguns fatos sobre o ilustríssimo ex-presidente da República do Brasil:
Fato nº 1: Era 2021. O presidente? Jair Messias Bolsonaro. O presidente defendia uma redução unilateral de tarifas de importação praticadas pelo Mercosul, o bloco de países formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ou, se preferir o leitor, aquela “camisa de força bolivariana” a respeito da qual fala o economista Rodrigo Constantino.
Noutras palavras, poder-se-ia dizer que o que propunha Bolsonaro, à época, era que os brasileiros pagassem menos pelos produtos importados que desejassem. FHC, ao lado de Lula (as companhias dizem muito a respeito das escolhas de alguém), defendeu, porém, que os brasileiros não tivessem o direito de pagar menos pelos produtos que desejassem. E por que motivo? Para não prejudicar o grande empresariado que faz lobby em Brasília. Para proteger as indústrias de seu amigo comunista Alberto Fernández, da Argentina.
Fato nº 2: De acordo com este artigo do Instituto Mises Brasil, o “presidente-sociólogo aumentou impostos, gastos públicos, criou 10 agências reguladoras, privatizou 8 empresas em um processo que contou com a participação do estado (!) e de grupos com influência política (fundos de pensão), e no começo do governo, fixou o câmbio” – e, ainda segundo o Instituto, de acordo com “o índice de liberdade do Fraser Institute, as leis de propriedade privada pioraram no Brasil na época de FHC”.
Fato nº 3: Além das questões que se circunscrevem ao campo da economia, cabe ressaltar que FHC nunca escondeu sua predileção pelo modelo econômico de inclusão social perpetrado por países notoriamente miseráveis – dito de outro modo, sua paixão pelo modelo marxista de gestão pública sempre foi algo a ser destacado em suas romantizações acerca da desigualdade social. Neste artigo, publicado pelo jornal Gazeta do Povo em ocasião da morte de Fidel, por exemplo, há relatos dos amores de Cardoso pelo (e aqui empresto mais uma vez termos comumente empregados pelo economista Rodrigo Constantino) “tirano sanguinário” e “ditador” responsável por transformar Cuba num cenário de miséria, prostituição infantil e tráfico, enquanto ele próprio vivia no luxo. Segundo o texto: “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou adjetivos como ‘gentil’ e ‘curioso’ para descrever o ex-líder cubano Fidel Castro, morto na madrugada deste sábado, aos 90 anos. Em nota, o tucano ressaltou ‘a luta simbolizada por Fidel dos ‘pequenos’ contra os poderosos’ e lembrou ainda que o líder da revolução comunista não presenciará ‘as nuvens carregadas de Donald Trump’, presidente eleito dos Estados Unidos”.
Ao citar palavras do próprio sociólogo marxista, o texto continua: “A morte de Fidel faz recordar, especialmente à minha geração, o papel que ele e a revolução cubana tiveram na difusão do sentimento latino-americano e na importância para os países da região de se sentirem capazes de afirmar seus interesses. A luta simbolizada por Fidel dos ‘pequenos’ contra os poderosos teve uma função dinamizadora na vida política no continente”.
Fato nº 4: A cereja do bolo, talvez, esteja na declaração pública marxista mais recente de Fernando Henrique Cardoso. Em 2022, ignorando todo o estrago causado na economia brasileira pelos governos petistas, FHC declarou seu apoio à candidatura de ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente da República.
Importante ressaltar que o modelo lulopetista de gestão, por quem FHC morre de amores, criou uma prosperidade artificial baseada em gasto público e crédito fácil, que mais tarde cobrou seu preço. Essa política aprofundou distorções econômicas, corroeu a capacidade produtiva e acabou atingindo justamente os mais pobres com inflação, perda de renda e deterioração do emprego.
Qual o resultado? O agravamento da vulnerabilidade social, com aumento da miséria após o esgotamento desse modelo. Parece contraditório? Se sim, é porque o é, de fato. Em nome dos mais pobres, o ex-presidente apoiou as políticas sociais que geram mais miséria e pobreza, mas não perdeu a chance de posar de bom moço.
Relatados os fatos acima, não deixo de reconhecer a condição de fragilidade que hoje alcança Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de uma circunstância que, por sua natureza, impõe respeito e comedimento.
Isso, contudo, não autoriza a revisão acrítica de sua trajetória pública. É necessário distinguir entre a pessoa e suas escolhas políticas: àquela, é devida a consideração própria da condição humana; a estas, o juízo que os fatos impõem. A razão não deve ser sobreposta pela emoção, sobretudo quando se trata de figuras cuja atuação produziu efeitos duradouros sobre o país.



