Homenagem ao centenário de Murray Rothbard (1926-1995)
Hoje é o centenário de Murray Rothbard (1926-1995), economista fundador do anarcocapitalismo, fruto de um diálogo entre o ramo misesiano da Escola Austríaca e a tradição “anarcoindividualista” do século XIX.
Não subscrevo sua proposta, mas ela é um intrépido desafio intelectual.
“Nascido em Nova Iorque, Rothbard era um intelectual bastante didático e de espírito ativista. Seu pensamento básico consiste em uma síntese dos fundamentos da Escola Austríaca, levados a aplicações extremistas, com ideias provenientes de pensadores como Lysander Spooner e Benjamin Tucker, do século XIX, que já tentavam associar seus instintos anarquistas com uma feição mais individualista. Portanto, se Hayek, como vimos, complementa seus pilares austríacos com aspectos do pensamento conservador britânico, Rothbard faz um trabalho que leva esses mesmos pilares a uma direção muito diversa.
(…) Não há qualquer caráter ofensivo em taxar a doutrina libertária rothbardiana de “extremista”. O próprio a apresentava assim; para ele, não havia qualquer problema em ser intransigente em relação aos princípios que defendia, porque eles ecoavam a razão e a lei natural, sendo os únicos a representarem a verdadeira moral. (…)
Assim, ele resume o credo libertário como:
1) o direito absoluto de todos os homens à propriedade de seu próprio corpo;
2) o direito igualmente absoluto de ter posse e, portanto, controlar os recursos materiais que ele encontrou e transformou; e
3) o direito absoluto de trocar ou dar a propriedade destes títulos a quem quer que esteja disposto a trocá-los ou recebê-los.
O mercado inteiramente livre, sem qualquer controle de câmbio e deslocamento de recursos, representa o mundo ideal de Rothbard, mas dizer isso seria redundante, porque, sem concessão possível, seu mundo ideal importa em que o Estado deixe de existir e, em consequência lógica, se retiraria de todo e qualquer setor concebível. Com base nesses princípios fundamentais, ele se põe a detalhar suas bandeiras pontuais, que fariam estarrecer muita gente – por isso não se pode, mesmo discordando de suas ideias, desconhecer a sua intrepidez.” (Trechos das páginas 321-330 do meu livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita: 50 livros para compreender o fenômeno”, constantes do ensaio acerca da obra “Por uma nova liberdade: o manifesto libertário”)



