O liberalismo sempre combateu tanto o comunismo como o nazismo

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O debate sobre se o nazismo é de direita ou de esquerda reacendeu nas redes sociais, como resposta ao atentado de um grupo neonazista em Charlottesville. Já escrevi alguns textos sobre o assunto, com a conclusão de que, para mim, o nacional-socialismo pode ser melhor encaixado como uma ideologia de extrema-esquerda.

São várias evidências disso, como o fato de Hitler mesmo ter se dito alguém que iria superar o marxismo, fonte da qual bebeu intensamente, ou de ter pregado a socialização do homem, o que tornaria supérfluo socializar os meios de produção. Aliás, o direito de propriedade continuava apenas de jure na Alemanha nazista, tendo sido eliminado de facto, já que era o estado que controlava tudo.

Mas entendo que alguns podem querer enxergar o nazismo como uma reação da classe média ao comunismo, no afã de resgatar valores perdidos e, principalmente, a ordem e o orgulho nacional, o que poderia colocá-lo mais à direita. O problema, claro, é que o stalinismo também foi nacionalista.

E eis o maior perigo que vejo nesse debate: deixarem de lado as enormes semelhanças entre os experimentos comunista e nazista, como se fossem realmente antagônicos, ou pior, como se o nazismo e o fascismo estivessem mais próximos da direita liberal, de Thatcher e Reagan, do que de Fidel Castro, Mao ou Pol-Pot, que eram de extrema-esquerda.

Ou seja, se o sujeito pensa apenas com base nos conceitos de esquerda e direita e conclui que a “extrema-direita” está mais perto da direita liberal-conservadora do que da esquerda ou da extrema-esquerda, então o conceito está atrapalhando sua análise, gerando desinformação. Hitler e Mussolini possuem muito mais em comum com os ditadores socialistas do que com os líderes conservadores citados, sem falar dos pensadores liberais.

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Mises, por exemplo, um ícone do liberalismo, repudiou tanto o socialismo quanto o nazismo. Ambos são ideologias totalitárias, antiliberais e antidemocráticas, que odeiam o livre mercado, o lucro, a propriedade privada, a globalização, o método científico, a descentralização de poder, enfim, todos os grandes princípios mais básicos do liberalismo, mesmo aquele mais conservador.

Logo, como sabemos que a verdadeira intenção de todos aqueles que tentam jogar o nacional-socialismo para a extrema-direita é forçar uma associação descabida entre nazismo e liberalismo-conservador, uma doutrina de direita, temos o dever de reagir, mostrando que, na prática, o nazismo e o fascismo são mesmo primos de sangue do comunismo e do socialismo. Eles disputam o mesmo tipo de alma totalitária e autoritária, antiliberal em essência.

A Polônia, que sofreu na pele o terror de ambas as ideologias coletivistas, passou a condenar tanto o comunismo como o nazismo. A foice e o martelo deveriam produzir o mesmo tipo de ojeriza que a suástica produz. São símbolos de ideologias nefastas, podres, assassinas, totalitárias.

Socialistas e fascistas deveriam se digladiar bem longe do restante da sociedade, deixando-nos em paz para a construção de uma civilização decente, com graus razoáveis de divergências dentro de limites aceitáveis, com a social-democracia no extremo à esquerda, o conservadorismo no extremo à direita e o liberalismo como o centro mais moderado.

Num país em que a extrema-esquerda socialista é considerada “moderada”, a social-democracia tucana é tida como “direita”, e qualquer liberalismo ou conservadorismo são tachados de “extrema-direita”, como sinônimo de nazismo e fascismo, podemos perceber o quão distantes estamos desse ideal. A luta será muito árdua pela frente, pois foram décadas de enganação ideológica com a hegemonia da esquerda na cultura e no poder.

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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Presidente do Conselho do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium (IMIL). Rodrigo Constantino atua no setor financeiro desde 1997. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com MBA de Finanças pelo IBMEC. Constantino foi colunista da Veja e é colunista de importantes meios de comunicação brasileiros como os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Conquistou o Prêmio Libertas no XXII Fórum da Liberdade, realizado em 2009. Tem vários livros publicados, entre eles: "Privatize Já!" e "Esquerda Caviar".

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