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Brasileiros, compatriotas, irmãos em causa: precisamos salvar a Lava Jato!

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lçuta brasilEscrevo sob profundo golpe desanimador. Já dizia ontem, horas antes da votação no STF acerca da Operação Lava Jato, que não devíamos desanimar. Já dizia ontem que a Lava Jato, a operação que, tendo à frente a figura implacável do juiz Sergio Moro, atordoava políticos e empresários e revolvia a estrutura criminosa de poder consolidada no país, era o acontecimento mais importante de nossa história recente. Que venha, sim, o impeachment de Dilma Rousseff, dizia eu, mas que a Operação Lava Jato vá em frente. Ela não é um mal, ela é uma purgação imperiosa para que possamos dar um passo adiante. Só vociferam contra ela os diretamente interessados em obstaculizá-la. Infelizmente, foi a esses últimos que o Supremo Tribunal Federal deu ouvidos, ignorando os reclames do tempo histórico e virando as costas aos brasileiros de bem nesta quarta-feira (23/09).

E que triste quarta-feira! O STF desmembrou o inquérito da operação Pixuleco II, que investiga a petista Gleisi Hoffman, retirando-o de Moro e Teori Zavascki, e acabou por redistribuir os casos dos investigados sem foro privilegiado para a Justiça Federal de São Paulo. Entenderam, como dizia o jornalista de O Globo, Noblat, “que só cabe a Moro investigar o roubo da Petrobras. Mesmo que os ladrões da Petrobras tenham roubado outras empresas”. Sequestraram as prerrogativas da equipe que desmontava, de forma centralizada e organizada, um esquema criminoso de profundas e múltiplas ramificações e que atentava contra a normalidade democrática em benefício de um projeto de poder. Entregaram a Dias Toffoli, ex-advogado do PT, o poder sobre o caso de Gleisi.

Gilmar Mendes, mais uma vez, como diante do outro duro golpe que o STF consentiu em aplicar sobre a democracia – o fim do financiamento empresarial de campanhas -, reagiu e denunciou que a medida desconstrói, ou ao menos enfraquece, a narrativa correta que as investigações construíam: a de que tudo era parte de um grande e mesmo projeto, de que tudo estava interligado. Enfraquece-se a perspectiva e, assim, celebram os culpados, vendo aumentarem suas chances de escapar da justiça. Enfraquece-se o ataque, necessário e imperioso, ao projeto lulopetista em curso. Enfraquece-se, mais ainda, o já combalido Brasil. Cumpre-se a profecia de Joaquim Barbosa, que receava o domínio da “maioria de circunstância com todo o tempo a seu favor”, na esfera máxima do Judiciário nacional.

Não posso conter minha revolta. Simplesmente não consigo. Por razões alheias à minha deliberação, talvez por tolice passional, talvez por infantilidade, mas eu ainda amo este país. Acredito estar condenado a esse amor. Minha terra, meu chão, meu povo; é, portanto, na pele que sentimos, que sofremos, quando esses vermes nos corroem o futuro; quando esses canalhas, infames e sem honra, com suas poses pedantes e falsamente sacrossantas, do alto de suas intoleráveis tergiversações para escandalizar com sua mediocridade os poderes da República e bater martelos sobre os rumos da nação – tratando-a como sua posse e seu feudo -, destroem nossas esperanças, devastam nossos sonhos, fazem troça da justiça e se apressam por matar – e enterrar – o Brasil. Responsáveis somos todos, porém, quando, inertes, nos acumpliciamos dessa vergonha. Responsáveis somos todos quando, calados, aceitamos que nos submetam a essa avacalhação. Quando nos dobramos, quando nos curvamos. Quando fazemos número entre os que nada fizeram.

Meus compatriotas, amantes da liberdade que o Ocidente forjou e que, em nossa terra, ainda que pairando como retórica sobre a realidade, fez parte das bases de sua formação desde os idos de Bonifácio e Nabuco, e hoje inspira, em ideal, aqueles de nós que se debatem contra a tirania cleptocrática da propina e do banditismo: algo precisa ser feito. Eu não sei exatamente o quê; espero ansiosamente que me digam. Que me perdoem se estiver sendo melodramático, realmente me perdoem, mas nossa atmosfera é sufocante, e quem se importa, meus amigos, não consegue ficar indiferente. Talvez reaja em exagero; mas não creio. No momento, não creio. Não enxergo assim. Enxergo um país que tem, no despertar de uma consciência alternativa, uma porta de esperança; mas que, ao mesmo tempo, vê os ratos que o enclausuraram em suas tocas fazendo o mais intenso e clandestino esforço para tapar cada fresta por onde essa pequena luz possa penetrar.

É preciso salvar a Lava Jato! Não sei, confesso, o que têm em mente, hoje, os movimentos populares que convocaram as manifestações. Não sei se existe algum tipo de pressão a respeito disso nos seus planos. Não sei se há o que fazer. Mas se houver, contem comigo. Se formos às ruas, estarei lá. Chamemos, conclamemos todas as vozes organizadas, pressionemos! A impunidade esmagará o Brasil; é a justiça prevalecendo, em todos os níveis, que pode resgatá-lo das sombras. Não quero descrer. Não quero desistir. Você quer? Você já conseguiu? Talvez eu devesse invejá-lo. Talvez recuar e mergulhar em desesperança completa seja mais cômodo. Entretanto, definitivamente não sou capaz.

Repetimos: a Lava Jato é ainda mais importante que o impeachment. Os dois, consumados, serão o triunfo da justiça. Abortados, abrirão as portas para a perdição.

 

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Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, membro refundador da Sociedade Tocqueville, sócio honorário do Instituto Libercracia, fundador e ex-editor do site Boletim da Liberdade e autor, co-autor e/ou organizador de 10 livros.

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