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Vacinação contra o COVID-19: o desafio logístico da década

Um desafio de desenvolvimento científico cuja resolução é esperada nestes últimos meses é a vacina para o vírus SARS-CoV-2 (COVID 19). Há diversas pesquisas em estágio avançado em laboratórios internacionais e algumas delas apresentam índices de eficácia em níveis acima de 90%. Porém, há um desafio que está além do desenvolvimento da vacina: o desafio logístico de distribuição dessas vacinas.

Atualmente somos 7,8 bilhões de pessoas no mundo e a missão de imunizar 60% da população geraria uma demanda de cerca de 10 bilhões de doses (a maior parte das vacinas requer 2 doses) que precisam chegar a mais de cerca 2,5 milhões de cidades espalhadas nos cinco continentes, com diferentes capacidades de infraestrutura e acessos. O desafio de atender a essa distribuição tem sido definido como a grande tarefa logística da década.

Além da complexidade que envolve a distribuição logística pela quantidade de vacinas e pela infraestrutura e acessos, a maior parte das vacinas demanda condições específicas de refrigeração a temperaturas extremamente baixas, que devem ser mantidas desde o ponto de geração da vacina até o ponto de consumo, adicionando essa especificidade nas estruturas de transporte e armazenamento (seja nos estoque das pontas, seja nos estoques intermediários da cadeia de suprimentos).

Outro ponto que deve estar gerando complexidade logística são as demandas de fornecimento dos insumos e manutenção do nível de serviços das cadeias de supply chain. Há demanda concentrada de seringas, caixas para armazenagem, paletes, profissionais de saúde para realizar a vacinação, fornecimento de gelo seco, veículos e câmaras refrigeradas, entre outros itens que deverão estar na quantidade certa, na qualidade certa e no local certo.

Essa demanda concentrada e complexa, não somente pela quantidade de vacinas, mas pelas especificidades de transporte e armazenagem, combinadas às demandas da cadeia integrada de suprimentos, certamente trará discussões sobre regulação de preços, políticas de privilégios, bem como  intervenção e regulação pelo Estado.

Passamos por situação recente no fornecimento e venda de álcool em gel, em que a melhor solução foi a própria regulação de oferta e demanda do mercado pelo sistema de incentivos, trazendo rápida correção de preços à percepção dos consumidores. Caso houvesse a regulação de preços e intervenção estatal, o cenário que veríamos seria de escassez e falta de incentivo às cadeias produtivas, aumentando ainda mais a lacuna entre oferta e demanda e, por consequência, gerando preços ainda maiores. Devemos entender que é papel do livre mercado autorregular oferta e demanda, inovar por meio dos incentivos (uso de tecnologias na distribuição, por exemplo) e capturar oportunidades por essa demanda complexa e significativa.

Nessa perspectiva, provavelmente os países mais prósperos terão maiores avanços em imunização. Isso não ocorrerá meramente por motivos financeiros, mas porque, quanto mais livre é um país, mais a economia de mercado atua, mais progresso e mais desenvolvimento há, melhores condições de infraestrutura logística e maior o acesso à saúde e recursos. Por aqui, em terras latinas, ainda sofremos com anos de atraso causado por intervencionismo e excesso do Estado. Esperamos que esse grande desafio logístico seja uma boa oportunidade de impulsionar o livre mercado para que ele mostre o potencial de trazer desenvolvimento humano com soluções inovadoras e regulação de demanda e oferta.

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Alberto Souza Vieira.

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