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Um reino chamado Granja do Solar

Era uma vez um reino situado em um longínquo rincão, dividido por um rio que separava o norte do sul. Ele era conhecido como Granja do Solar.

Aquele reino era famoso por ser ambíguo e contraditório. Os indivíduos da parte norte tinham oportunidades, condições e direitos que contrastavam com os usufruídos pelos indivíduos que viviam no sul.

Quando uma mulher, ao norte, recebia a notícia de que carregava uma vida consigo, o momento era repleto de alegria, satisfação e comemoração. Afinal, todos na região sabiam que ela poderia realizar um bom pré-natal ao longo da gestação, garantindo saúde a ela e ao bebê.

Quando uma mulher, ao sul, recebia a notícia de que carregava uma vida consigo, o momento era repleto de tristeza, frustração e preocupação. Afinal, todos na região sabiam que seria uma gravidez com muitos riscos envolvidos.

Para uma criança ao norte, ir à escola significava aprender coisas novas, fazer amigos e pavimentar um caminho recheado de oportunidades para realizar seus sonhos mais ambiciosos.

Para uma criança ao sul, ir à escola significava ficar algumas horas por dia em uma sala, ser agredida por desconhecidos e não ter grandes perspectivas sobre o que seria de sua vida no futuro.

Uma criança ao sul sempre ficava doente. Sofria constantemente com disenterias, hepatite A e verminoses. Ela nunca soube o motivo.

A criança ao norte somente ficou sabendo da existência dessas doenças nas aulas de ciências da escola.

Um adolescente ao sul tinha medo de andar na rua perto de sua casa, pois o local era muito violento. Havia assaltos, episódios de vandalismo e coisas piores que é melhor nem contar.

Um adolescente ao norte andava onde queria sempre que quisesse. Ele tinha liberdade de ir e vir.

No sul, não era comum concluir os estudos. Muitos jovens recebiam o apelido de nem-nem, pois não estudavam e nem trabalhavam.

Ao norte, era fácil conseguir uma vaga na universidade.

Ao sul, era difícil conseguir um emprego.

Ao norte, choviam oportunidades.

Para empreender no sul, era preciso enfrentar um manicômio tributário, regulatório e burocrático.

Para empreender no norte não era fácil, mas era possível.

Um indivíduo ao norte poderia pensar, falar e expressar aquilo que quisesse.

Um indivíduo ao sul poderia ser multado, preso ou violentado a depender do que proferisse.

Criminosos ao norte eram investigados, julgados e cumpriam suas respectivas penas caso condenados pela justiça.

Criminosos ao sul apareciam em manchetes de jornais e, mesmo depois de muito tempo, parecia que nada nunca acontecia.

No norte, ninguém furava a fila. Todos os indivíduos eram tratados igualmente.

No sul, quem é amigo de quem organiza a fila pode passar na frente. Para tudo há um jeitinho.

Viver no norte era seguro, simples e livre.

Viver no sul era um pesadelo.

Infelizmente, o reino da Granja do Solar não é uma distopia. Ele é real, e é conhecido como Brasil.

Neste país, as oportunidades, condições e direitos dos indivíduos não são separados por um rio, mas pela classe social, sobrenome e cor de pele.

No Brasil, há um pedaço de papel que diz que “todos são iguais perante a lei”. Contudo, na prática “alguns são mais iguais do que os outros”.

Enquanto isso não mudar, não haverá liberdade para indivíduos caminharem em busca de sua própria felicidade.

Luan Sperandio Teixeira – Associado II do Instituto Líderes do Amanhã.

Luan Sperandio

Luan Sperandio

Editor-chefe da casa de investimentos Apex Partners, analista político e colunista da Folha Vitória. Integra diversas organizações ligadas ao desenvolvimento de instituições com melhor ambiente de negócios, como o Ideias Radicais, o Instituto Mercado Popular e o Instituto Liberal, onde escreve desde 2014. É associado do Instituto Líderes do Amanhã.