As trapalhadas econômicas do PT e o aval de economistas desenvolvimentistas

É sabido que a esquerda adota, em todos os seus discursos falaciosos, um tom de altruísmo capaz de fazer qualquer desavisado acreditar que não há, neste mundo, pessoas tão dedicadas a causas tão nobres como os defensores de ideias estatizantes. Todos os panegíricos que destinam ao intervencionismo – o único instituto, dizem eles, capaz de aliviar o sofrimento que acomete os mais pobres – encontram apoio em suas crenças num estado obeso.

Como crianças mimadas que não recebem correção ao seu tempo, reivindicam a si um número cada vez maior de direitos. Esquecem-se, porém, de que os direitos são partes integrantes de uma equação que exige, necessariamente, a presença de deveres. Conforme nos lembra Frédéric Bastiat, “O estado é a grande entidade fictícia por meio da qual todos tentam viver às custas de todos os demais”. Tudo isso me veio à mente enquanto, hoje pela manhã, lia a distinta obra de Henry Hazlitt, “Economia numa única lição”.

Cada exercício de imaginação proposto pelo autor e cada cenário de ingerência estatal descrito com precisão levaram-me, especificamente, aos anos em que fomos governados pela trupe petista. Incrível como economistas tão brilhantes, que fornecem análises profundas e detalhadas a respeito das consequências calamitosas das intervenções estatais são ignorados pelas nossas universidades (a Unicamp está aí para provar que não minto). Baseando-se no princípio de que praticamente todas as políticas macroeconômicas propaladas pelos nossos políticos, sob aplausos acalorados de uma massa ignara, visam favorecer determinado grupo de interesse em detrimento de outros grupos e explorando as consequências secundárias dessas políticas (tal como fizera Bastiat) Hazlitt elenca em seu livro diversas falácias que são fervorosamente defendidas por homens a quem as pessoas atribuem uma respeitabilidade que encontra respaldo em títulos e prêmios academicistas.

O capítulo 5 do livro, especificamente, fez-me rememorar o uso partidário-ideológico e completamente privado de qualquer interesse nacional que o PT fez do BNDES. Ao discutir como o crédito estatal prejudica a produção e geração de riqueza, o economista destaca que empréstimos bancários realizados por bancos públicos, sob o argumento de oportunizar fontes de renda a famílias pobres que não possuem qualquer meio de subsistência, são sempre ineficientes, já que baseados em abstrações sobre coletividade e justiça social. Há, segundo o autor, uma “decisiva diferença entre os empréstimos fornecidos por particulares e os fornecidos por um órgão governamental. Todo emprestador particular arrisca seus próprios fundos”. Hazlitt afirma: “Quando alguém põe em risco seus próprios recursos, comumente é cuidadoso em suas investigações, para determinar a adequação do ativo empenhado, a perspicácia comercial e honestidade do tomador do empréstimo”.

Ao longo de sua discussão, o autor expõe as consequências de uma política de estímulo governamental via crédito estatal: 1) como a escassez é a lei fundamental da economia, ao colocar nas mãos de seus apaniguados os ativos resultantes destes créditos, o governo está, na prática, impedindo que empreendedores mais eficientes possam acessar estes mesmos ativos via crédito privado, o qual, ressalte-se, é concedido através de detalhada análise de sua eficiência empreendedorial e de sua idoneidade; 2) o arranjo de crédito estatal acarreta o favoritismo (impossível não nos lembrarmos de Eike e Joesley Batista) e um esquema de subornos e propinas realizado entre grupos de interesse com boas conexões políticas; 3) tudo isso teria como consequência um incentivo adicional a um planejamento centralizado já que, partindo do pressuposto de que o governo está assumindo os riscos dos “investimentos” realizados via dinheiro estatal, nada mais “justo” que assuma também os possíveis lucros auferidos pelas empresas que são beneficiadas com esse dinheiro. Ora, ao colocar dinheiro público (que de público, na prática, não tem nada já que se trata de dinheiro espoliado da iniciativa privada) em projetos duvidosos o governo está, na verdade, subtraindo riqueza da população. Impossível não pensar em Lula, Dilma e todos os apadrinhados políticos que participaram do butim perpetrado contra as nossas estatais.

Ironicamente, ou não, enquanto estava absorto em todo esse modus operandi característico de estados pantagruélicos, recebi, numa mensagem de Whatsapp, uma provocação sutil de um colega, que jura que não é petista, em que declara que TODOS, todos os partidos são iguais e que o PT não deve ser o único a sofrer retaliações por parte dos que exigem a purificação da política. Ora bolas, que não é o único digno de condenação, sabem todos os brasileiros que, cônscios de que trabalham 5 meses ao ano apenas para sustentar a vida nababesca de nossos nobres parlamentares, vêem no Estado, em suas mais diversas esferas, o entrave e o impeditivo de qualquer desenvolvimento que seria comum num sistema de livre mercado.

É verdade. O PT não inventou a corrupção. Concordo. Mas não sem assinalar que, embora não a tenha criado o partido a potencializou e a elevou a um nível jamais visto na história deste país (parafraseando o já condenado Lula). Além disso, foram o PT e seus partidos aliados que destruíram qualquer senso de moralidade que ainda restava ao país. Quem coloca o joio e o trigo no mesmo saco podre está, na prática, defendendo o joio. Comparar a política macroeconômica de Lula-Dilma com a do PSDB (também corrupto, óbvio), por exemplo, é pura desonestidade intelectual. Foi o PT que assaltou a maior empresa deste país, foi o PT que canalizou rios de recursos da Petrobras para a sustentação de seu projeto podre de poder. Foi o PT que relativizou a importância de uma economia ortodoxa e jogou, como consequência, milhões de pessoas na vala do desemprego apenas para privilegiar seus amigos socialistas (Maduro, o ditador venezuelano e amigo pessoal de Lula, já decretou um calote de um empréstimo feito via BNDES nos tempos em que o propinoduto de Lula funcionava a todo vapor. Empréstimo que os brasileiros da iniciativa privada, ressalte-se, terão que pagar).

Comparar partidos socialistas como o PT àqueles que ao menos tiveram a decência de fazer o que é minimamente correto em termos econômicos e dizer que são todos iguais é não só injusto, mas desonesto. Tivéssemos economistas como Hazlitt em nossas universidades, hoje cheias de progressistas-desenvolvimentistas, talvez o óbvio ululante fosse percebido pelos isentões.

Juliano Oliveira

Juliano Oliveira

É administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.