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Todas as sociedades abertas devem seguir o exemplo dos franceses na defesa da liberdade de expressão

Do site O Antagonista: “Emmanuel Macron vem sendo atacado nos países muçulmanos por ter defendido com vigor a liberdade de expressão no discurso em homenagem ao professor Samuel Paty, decapitado por um terrorista.

Desde então o presidente francês vem afirmando reiteradamente que o país não vai recuar na defesa da liberdade de publicar caricaturas de quem quer que seja. Paty foi morto covardemente por um jovem de origem tchetchena nascido em Moscou, acolhido como refugiado na França, depois de mostrar a seus alunos caricaturas de Maomé publicadas no jornal Charlie Hebdo, em aula sobre a liberdade de expressão.”

Tenho várias discordâncias com Emmanuel Macron, mas, neste caso, está correto o presidente francês. Não é com pusilanimidade que derrotaremos o terrorismo ou defenderemos a liberdade de expressão. Não se iludam: submissão é exatamente o que os terroristas pretendem com ações criminosas.

Como escrevi por ocasião do atentado contra o Jornal Charlie Hebdo, em 2015, quem quer que conheça um pouco sobre a natureza humana sabe que um comportamento recompensado tende a repetir-se. Se os assassinatos levarem as pessoas tolerantes a evitar a exposição de expressões artísticas ou culturais que os muçulmanos consideram ofensivas, o que os extremistas iriam pensar? Será que se dariam por satisfeitos ou tentariam obter “trocas” ainda mais vantajosas?

É patético acreditar que ceder à chantagem de um bando de fanáticos saciaria a sua sede de terror. Será que, cedendo aos caprichos dos fanáticos, o Ocidente estaria livre da matança de inocentes? Será que os não fanáticos sentir-se-ão fortalecidos para almejar vitórias ainda mais retumbantes no futuro? Quanto mais o Ocidente se mostrar disposto a ceder agora, mais responsável se tornará, aos olhos dos fanáticos, por outras “blasfêmias” no futuro.

Por tudo isso, o mais seguro é que todas as sociedades abertas sigam o exemplo dos franceses que, imediatamente, saíram às ruas para deixar bem claro que a liberdade de expressão é inegociável, ainda que os fanáticos optem por responder com mais assassinatos. Outros governos comprometidos com a liberdade também deveriam mandar mensagens inequívocas, dizendo aos terroristas que eles não vão conseguir o que desejam matando inocentes. Não é uma mensagem totalmente sem riscos, mas é sem dúvida muito melhor do que a submissão.

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.