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Sweatshops: exploração da pobreza?

INDEPENDENT INSTITUTE*

Muitas horas de trabalho, baixos salários, condições precárias: isso é o que caracteriza os estabelecimentos chamados em inglês de sweatshops. [N.E.]

Bangladesh_Rana_Plaza_Dhaka_Savar_Building_CollapseO desabamento trágico do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, há um ano, que abrigava fábricas de roupas e onde morreram mais de 1.100 trabalhadores, reacendeu o clamor para que o governo torne mais rigorosa a legislação sobre as sweatshops no país.

[Vide reportagem, N.E.] Vítimas pedem justiça um ano após desabamento de fábrica em Bangladesh

Ninguém vai questionar as boas intenções dos ocidentais preocupados com a segurança do trabalhador no mundo em desenvolvimento. Infelizmente, as consequências da regulamentação do governo serão prejudiciais para os interesses econômicos de muitos dos quase 4 milhões de trabalhadores empregados em cerca de 4.500 fábricas de roupa de Bangladesh, segundo Benjamin Powell, membro do Independent Institute e autor de Out of Poverty: Sweatshops in the Global Economy.

“A aprovação de novas leis de segurança, ou a exigência do cumprimento mais rigoroso das leis existentes, colocará em risco os postos de trabalho que proporcionam oportunidades de se escapar da pobreza extrema”, escreve Powell no Huffington Post. “A mudança acaba jogando trabalhadores do vestuário de volta aos segmentos de menor remuneração da economia, já que desaparecem seus empregos nas fábricas.”

Em um país onde mais de três quartos da população vivem com US$ 2 por dia, os trabalhadores de fábrica de roupa de Bangladesh tendem a ganhar acima da renda média. Trabalhar em uma sweatshop pode significar a diferença entre ter uma vida modesta, com expectativas razoáveis de progresso econômico, e uma vida de extrema pobreza sem esperança. Normas de segurança impostas pelo governo poderão prejudicar os trabalhadores diretamente, reduzindo a demanda por seu trabalho, e também indiretamente, através da redução dos lucros que permitem a acumulação de capital e aumento da produtividade do trabalhador.

Onde os mercados operam relativamente livres da interferência do governo, o aumento da produtividade leva a uma remuneração maior do trabalhador, inclusive um local de trabalho mais seguro e outros benefícios que os trabalhadores almejam depois de terem atingido um certo nível de segurança econômica. “Esse processo ocorreu nos Estados Unidos e pode, por fim, acontecer em Bangladesh se uma regulamentação onerosa não bloquear o caminho”, escreve Powell.

Aliás, como o historiador econômico Price Fishback notou, a maioria dos regulamentos de segurança do trabalho dos países industrializados parecem ter codificado as normas para despedir empregados em uma determinada indústria. Muitas indústrias de Bangladesh ainda não podem bancar os padrões ocidentais de segurança.

* Think tank liberal com sede em Oakland, Califórnia, dedicado à análise de políticas públicas.

Saiba mais:

Bangladesh’s Factory Collapse: A One-Year Retrospective, by Benjamin Powell (The Huffington Post, 4/23/14)

Making Poor Nation’s Rich: Entrepreneurship and the Process of Economic Development, edited by Benjamin Powell

Out of Poverty: Sweatshops in the Global Economy, by Benjamin Powell

Ligia Filgueiras

Ligia Filgueiras

Jornalista, Bacharel em Publicidade e Propaganda (UFRJ). Colaboradora do IL desde 1991, atuando em fundraising, marketing, edição de newsletters, do primeiro site e primeiros blogs do IL. Tradutora do IL.