Soleimani era terrorista e merecia morrer, ponto. Próximo assunto

Donald Trump matou Qasem Soleimani, comandante das Forças Quds ― unidade de inteligência da Guarda Revolucionária iraniana ― e, talvez, o general terrorista mais temido do mundo até anteontem (03/01) por sua inteligência e alta influência no mundo terrorista árabe. Muitos daqueles que comentam a ação do presidente americano, no entanto, parecem ignorar ― apesar de fazer uma menção rápida ― o fato de que Soleimani era um dos homens mais perigosos do mundo, seja pelo respeito e lealdade que grande parte dos terroristas tinha por ele, seja por sua inteligência de combate e total capacidade de ser asqueroso e imoral no enfrentamento militar. Ele não era líder de nenhuma milícia, organização ou califado terrorista, mas era respeitado por quase todos eles, e essa sua transição entre os grupos ― em especial os xiitas ― o tornava um dos homens mais influentes desse meio. Alguns o consideravam o homem mais importante do Irã.

Nas palavras de Filipe Figueiredo, Soleimani foi quem “articulou a operação russa na Síria, para manter Assad no poder, forneceu equipamentos e treinamento aos houthis do Iêmen, arregimentou os diversos grupos iraquianos em uma frente coesa e transformou as relações entre Irã e o Hezbollah em uma parceria que transbordou as fronteiras do Líbano, presentes hoje na Síria e no Iraque”. Além disso, também foi ele quem articulou e pensou o atentado no centro judaico em Buenos Aires, em 1994, que deixou 300 feridos e 85 mortos. Sua fama se deu a partir da revolução de 1979, revolução que aplicou o golpe político no Irã e assumiu o poder estatal. Ao se juntar à Guarda Revolucionária, o terrorista despontou como um herói daquele exército fiel aos revolucionários extremistas e, desde então, assumiu a faceta de um homem quase mítico naquele país.

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Em suma, estamos falando de um terrorista gabaritado, que tinha intenções claras de promover a instabilidade no Oriente Médio e, ao que tudo indica, matar cidadãos americanos a fim de retaliar e criar instabilidades globais. Àqueles que não acompanharam a escalada de violência na região nos últimos meses, basta saber que o Irã busca quase que desesperadamente aumentar sua influência no Iraque e em toda aquela região geográfica e para isso o Estado iraniano treina e municia grupos extremistas como o Hezbollah, entre outros grupos xiitas.

Ainda sobre o ataque certeiro comandado pelos EUA, cabe salientar que a comitiva de Soleimani estava em Bagdá (Iraque) quando foi alvejada. Certamente se tratava de uma missão extraoficial, mas com a óbvia supervisão do Estado iraniano. O simples fato de o maior general iraniano estar em uma missão fora do Irã ― mas sob sua tutela e endosso ― mostra o quão hedionda e cancerígena podia ser sua atuação na região e como o Iraque é visto como meretriz do país islâmico. 

Pela escalada de retaliações e violências iranianas contra alvos americanos e pela pronta resposta do presidente Trump, muito provavelmente Soleimani estava em Bagdá para a organização de mais um atentado contra alvos dos Estados Unidos. O Pentágono endossa totalmente a decisão de Trump, o que também aponta fortemente para essa análise.

Seria muita tolice nossa, no entanto, desconsiderar as questões geopolíticas que abarcam o ataque dos EUA ao general de alto escalão do Irã, assim como ignorar que, no dia 31/12, a embaixada americana no Iraque foi invadida por forças terroristas pró-Irã; mas, para além dos pormenores políticos, de maneira crua e suscinta, temos um fato gritante diante de nossos olhos: Soleimani morreu, um dos terroristas mais inteligentes e capazes que o mundo perigosamente ostentava. E, se bem me lembro, terrorismo ainda é algo ruim por essas “bandas”.

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No papel de parede que antepõe todas essas análises da Globonews e da CNN, está a velha e sempiterna luta do bem contra o mal; e as posições no tabuleiro são óbvias: matar terroristas é um dever moral de países mais ou menos justos e sensatos. Não serei o tolinho de achar que os EUA não têm interesses comerciais e políticos, que Trump foi movido tão somente pelos mais belos e lustrosos sentimentos éticos valorosos; todavia, também não sendo cego para a legitimidade do ato do ataque, o presidente americano matou um homem que matava e articulava atentados contra outros homens simplesmente por não crerem religiosa e politicamente como ele, e sob esse aspecto, sou #TeamTrump.

As sombras de guerra, nesse momento, não passam de especulações; os dados ainda estão guardados e as apostas não passam de apostas. A retaliação do Irã é quase certa, é verdade, mas que isso descambe em uma Terceira Guerra Mundial, no momento, é tão somente meme de Facebook. Dizeres como “o ataque de Trump tem viés eleitoral” são argumentos bobos, dado que ele já ostenta ótimos números e apoio em todo o país para uma possível reeleição; da mesma forma, dizer que “o ataque ao Soleimani foi para desviar o foco do impeachment” é um argumento mais bobo ainda, dado que o processo, até agora, mais beneficiou do que maculou a imagem do presidente laranja. O que temos de fato até o momento é o general do terrorismo xiita morto – e isso é ótimo para o mundo civilizado.

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Embasbacados que somos com as tolas ideias de que devemos dialogar com o demônio na esperança de convertê-lo de alguma maneira, ainda não nos demos conta de que existem sim indivíduos que diuturnamente sonham em explodir outras pessoas por causa de suas crenças religiosas, pelo seu lado no mapa múndi ou por não simpatizar com a sua ideologia. Não sei por aí, mas por aqui, no mundo real, dialogar com terroristas nunca funcionou, e Trump, apesar de suas escorregadas nacionalistas de cada dia, dessa vez acertou, tanto Soleimani, quanto na decisão de tomar a dianteira na batalha contra aqueles que matam inocentes em nome de profetas.

Não há diálogo quando um dos lados está sempre pronto para explodir pessoas; Trump já entendeu isso, e para evoluirmos politicamente deveríamos entender também.

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Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor-chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.