Sobre a surra que a esquerda deu em Bolsonaro

Bastaram poucos dias para a esquerda transformar um fato que há décadas faz parte do cotidiano brasileiro num crime contra a humanidade cometido pelo presidente da República, que está no cargo há menos de nove meses.

O presidente francês, que não conseguiu impedir que uma catedral no centro de Paris pegasse fogo, apresentou-se logo como o líder do movimento para salvar a Amazônia das queimadas. Outros países europeus, que destruíram suas florestas, propuseram sanções comerciais ao nosso país. Dezenas de milhões de pessoas comuns, em todos os cantos do mundo, passaram a visualizar a floresta amazônica completamente em chamas e a humanidade à beira de não ter mais oxigênio para respirar, graças ao ódio do presidente do Brasil pela natureza.

Não me lembro de uma campanha de difamação tão bem-sucedida em tão pouco tempo. Acredito que nem Israel já tenha passado por isso.

A pergunta é: como a esquerda conseguiu fazer isso? Não foi com fatos, porque os fatos mostram que não houve nada de extraordinário no contexto histórico daquela região. Principalmente se compararmos com o período dos governos petistas, quando se queimou e derrubou muito mais a floresta.

Insisto: como a esquerda conseguiu fazer com que o mundo inteiro, de repente, se comovesse e se revoltasse com uma situação que já era conhecida de todos, há muito tempo?

Antes dessa carnavalesca campanha para “salvar a Amazônia”, eu já estava preparando um texto com o seguinte título: o profissionalismo da esquerda contra o amadorismo da direita. Esse título resume bem o que acontece desde sempre.

A esquerda é um movimento composto por profissionais. Dezenas de milhares de pessoas que nunca fizeram outra coisa na vida se não militar pelo socialismo. Pessoas muito bem conectadas e alinhadas entre si, obedientes aos comandos centrais de cada região, que, por sua vez, estão subordinadas à União Europeia, a filha bastarda da URSS.
Do outro lado, o que temos? Temos pessoas comuns, que têm como prioridades o trabalho e a família.

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Sendo mais claro, à nossa esquerda temos professores de universidades estatais, funcionários públicos, sindicalistas e políticos. Todas essas pessoas têm suas vidas econômicas garantidas por leis. Não podem ser demitidas. Sejam quais forem suas ideias e militâncias, elas têm a certeza de que todo mês receberão um bom salário, sempre acima da média dos da iniciativa privada. Não há crise econômica para elas. Não há recessão. Não há o medo do desemprego.

Elas ainda contam com incontáveis movimentos e ONGs disso e daquilo, todas financiadas por governos ou por grandes empresas que deduzem tais gastos do imposto de renda. Movimentos e ONGs invariavelmente controlados por pessoas de esquerda, focados prioritariamente em manter o sistema que paga seus salários, que lhes garantem viagens e proteção. Não existe ativista desempregado. Nenhum líder estudantil sai da faculdade para o mercado. Todos são alocados em governos, sindicatos, movimentos e ONGs.

Contando com todo esse suporte financeiro, essas pessoas podem se dedicar plenamente à militância ideológica, à defesa de governos e da agenda da esquerda, o que acaba sendo uma necessidade pessoal de cada uma delas, já que é esse sistema que as alimenta. Por isso, todas elas defendem a concentração de dinheiro e de poder nos governos, mesmo que muitas não se enxerguem como socialistas.

Consideramos, ainda, que é das universidades que saem os jornalistas que majoritariamente são de esquerda, porque são formados por outros militantes de esquerda.

Ocupando as redações dos grandes veículos de imprensa, esses jornalistas/militantes têm o poder de editar a realidade. Podem escolher quais os assuntos a serem explorados, quais as fontes para as suas matérias, quais pessoas comuns e especialistas devem ser entrevistados. Podem manipular a informação de mil maneiras. Em vez de reportar que um cidadão reagiu a um assalto e matou o assaltante, podem dizer que um empresário assassinou um desempregado. Ao se verem obrigados a noticiar a corrupção de Lula, compensam dando voz e espaço para todas as narrativas conspiratórias dos defensores de Lula.

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Devemos nos lembrar ainda de que os grandes veículos de comunicação dependem financeiramente dos anúncios dos governos e de grandes empresas que, não por acaso, são as mesmas que sustentam as ONGs e movimentos disso e daquilo.

Resumo: a esquerda conta com uma gigantesca e muito bem coordenada rede de sabotagens, de propagação de suas narrativas, de engajamento em suas causas e de combate à oposição. Compreendendo isso, enxerga-se claramente que a notícia da “destruição da Amazônia promovida por Bolsonaro” foi simplesmente criada e colocada na mesa da imprensa. A ignorância das massas fez o resto.

Apenas hoje ficamos sabendo que uma onda de queimadas foi convocada e promovida por integrantes de uma conhecida ONG; mas o estrago já está feito.

Além de desgastar o governo e a imagem de Jair Bolsonaro dentro e fora do Brasil, o “drama da Amazônia” também serviu para abafar novas notícias sobre a roubalheira dos petistas.

Na semana passada, tivemos a condenação de Fernando Haddad por caixa-dois; mais uma operação da Lava Jato que levanta, entre outras coisas, a propina que Lula recebia do banqueiro André Esteves; e a reportagem da Veja que trouxe o conteúdo de um dos anexos da delação de Antonio Palocci, que incrimina Lula nos esquemas de corrupção no BNDES. Tivemos ainda o fantasma da lei do “abuso de autoridade” aprovada pelo Congresso na semana anterior, que, na prática, inviabiliza investigações contra pessoas poderosas.

Bolsonaro e sua equipe não conseguiram reagir aos golpes simplesmente porque não sabem como fazer. Eles não contam nem com uma base parlamentar coesa. A única coisa que Bolsonaro tem é o apoio de cidadãos comuns que, cada um a seu modo, reagem e tentam defender seu voto.

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Apesar de ter acumulado mandatos como deputado federal, Jair Bolsonaro não é político. Não fez amizades. Não participou dos esquemas. Os absurdos que ele diz nas redes sociais e até na imprensa mostram que ele nem aprendeu a falar como um político. Bolsonaro apenas estava lá; e foi eleito porque contra ele havia algo um milhão de vezes pior: o PT.

O resultado disso é que temos um governo de amadores. Bolsonaro não sabe o que dizer e o que fazer nas horas que mais precisa. Não tem um gabinete de emergência política para lhe dar suporte, lhe orientar.

Lula e Dilma contavam com dezenas de especialistas em guerra política. Pessoas com trinta, quarenta anos de militância dentro e fora do Congresso. Abaixo deles, tinham toda a rede composta por professores universitários, jornalistas, artistas, intelectuais, sindicatos e ONGs de prontidão para distribuir inquestionavelmente todas as narrativas de que a cúpula precisava.

O que Bolsonaro têm a seu lado? Ninguém! Nada!

Por isso, ele apanhou tanto semana passada. Por isso, vai apanhar muito mais. Mesmo que faça o melhor governo da história do Brasil, ele corre o risco de ser derrubado simplesmente porque não sabe reagir aos ataques.

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