O silêncio da ONU, da UE e da turma do “salve a Amazônia”

No último mês, o Brasil foi alvo das atenções das duas maiores organizações internacionais e de governos europeus. Estavam preocupados com a destruição da Amazônia. Alimentados pela rede de desinformação petista, promoveram todo tipo de acinte ao nosso país, chegando ao ponto de cogitar sanções econômicas e até “internacionalizar” mais da metade do território brasileiro.

Nos últimos dias, a esquizofrenia ambiental ganhou um nome e um rosto: Greta Thumberg, uma sueca de 16 anos de idade que acusa os capitalistas de terem destruído os sonhos dela. Ela não frequenta mais a escola porque está preocupada demais com a natureza. Por mais ridícula que seja, ela foi elevada à condição de porta-voz do movimento ambientalista mundial – se bem que, de certa forma, ela o representa perfeitamente.

Organizações como a ONU e a União Europeia tentam demonstrar preocupação com o bem-estar das pessoas, principalmente das mais pobres. No Brasil, essas duas pautas se correlacionam, já que na região amazônica concentra-se grande parte da miséria do país. As duas organizações ainda se apresentam contra a corrupção. A ONU promoveu em 2003 uma convenção específica sobre isso, na qual foram lançados os compromissos que os países membros deveriam adotar para combater esse crime.  

No Brasil, as cifras da corrupção são multibilionárias. São milhares de escolas e hospitais, milhares de quilômetros de dutos de saneamento básico que deixam de ser construídos por causa dos desvios de políticos.

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Até cinco anos atrás, pouquíssima coisa era feita contra isso. Poucas pessoas acreditavam que o Brasil deixaria de ser o país da corrupção. Então, surgiu a Lava Jato. Esquemas gigantescos dentro do governo foram revelados. Centenas de pessoas foram investigadas. Mais de 140 foram condenadas. Políticos poderosos como Sérgio Cabral e Eduardo Cunha foram presos. Michel Temer foi preso um mês depois de deixar a presidência da República. Aécio Neves, quando ainda era um forte candidato a presidente, foi denunciado em vários processos e teve três pedidos de prisão feitos contra ele. Grandes empresários e altos funcionários públicos também foram alvo. Mais de R$ 10 bilhões foram devolvidos aos cofres públicos.

A Lava Jato levantou através de delações, confissões e documentos, que Lula e Dilma, no exercício de seus mandatos de presidentes da República, coordenaram pessoalmente esquemas de corrupção. Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda dos dois, declarou à Lava Jato que 90% das medidas provisórias foram assinadas em troca de propina! Desviaram dinheiro do Brasil até para ditaduras assassinas! 

Um absurdo difícil de ser medido, mas que estava, enfim, sendo enfrentado. Pela primeira vez na história, o Brasil passou a ser elogiado por países desenvolvidos pelo seu empenho no combate à corrupção. O então juiz federal Sérgio Moro virou referência mundial no combate a esse crime.

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A população brasileira fez sua parte. Desde 2015, foi às ruas dezenas de vezes para manifestar o apoio à Lava Jato. A despeito disso, o combate à corrupção veio sofrendo diversos ataques, com o mais letal prestes a ser desferido justamente pelo Supremo Tribunal Federal, num esforço obsceno para beneficiar políticos corruptos.

Amanhã, o STF poderá subverter a legislação para simplesmente anular todas as condenações já feitas pela Lava Jato. Centenas! Uma decisão que joga no lixo o trabalho de juízes e promotores que colocaram suas vidas em risco, que pisoteia a esperança de duzentos milhões de brasileiros por um país mais justo e consolida o Brasil como a República dos corruptos.

Diante disso, pergunto:

A ONU e a União Europeia não têm nada a dizer?

Não vão se unir contra a perpetuação de um sistema que mantém milhões de pessoas na miséria?

Personalidades europeias que não toleram a corrupção em seus países vão mesmo assistir quietos ao trinfo da corrupção no Brasil?

Onde está a preocupação com as crianças, com os pobres e com negros vítimas da corrupção?

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E a “classe artística” brasileira? Por onde anda a Fernanda Montenegro? E o Chico? E o Caetano? Onde está aquele monte de gente do “salve a Amazônia”? Não vão “empoderar” nenhuma garotinha brasileira dizendo que “o STF está roubando os nossos sonhos”?

É desolador sabermos que as maiores organizações internacionais e a tal “classe artística” não dão a mínima para isso. O que lhes importa é ter a esquerda no poder, mesmo que ela seja imensuravelmente corrupta. A gritaria contra as queimadas na Amazônia foi, na verdade, contra um presidente, apenas por ele ser de direita.

Enquanto os brasileiros pedem o fim da corrupção e da impunidade, a esquerda está obcecada pela libertação de Lula, ciente de que ele restaurará todos os esquemas interrompidos pela Lava Jato, porém, reabrindo os cofres públicos para sua rede de militantes e ditaduras de esquerda. Acontecendo isso, a democracia brasileira voltará a ser festejada na ONU e na União Europeia; e danem-se os efeitos da corrupção na vida das pessoas mais pobres.   

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João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É arquiteto e artista plástico.