O fiasco dos programas governamentais democratas

A política americana caminha calcada em um bipartidarismo histórico, onde diferenças significativas sempre marcaram os dois grandes partidos. Enquanto o Partido Republicano defende valores conservadores, a moral cristã – majoritariamente de vertente protestante – e a crença no excepcionalismo americano, o Partido Democrata é progressista, defensor do multiculturalismo e antiamericano.  

E na economia? No passado, ambos os partidos eram majoritariamente defensores do livre-comércio, com a diferença residindo no seguinte fato: os Republicanos defendiam um protecionismo moderado e taxas de importação para produtos estrangeiros, ao passo que os Democratas queriam a eliminação de tais taxas. Ainda assim, a economia como campo a ser guiado pelos indivíduos e empresas permanecia. No entanto, as coisas mudaram. 

A crise de 1929 colocou na mente de muitos a crença absolutamente estúpida de que ela foi provocada pela superprodução e livre mercado desenfreado – quando foi justamente o contrário: a culpa foi do governo e de sua intervenção econômica. Murray Rothbard em seu brilhante livro A grande depressão americana desmente esse mito tão difundido. A grande depressão foi grande justamente pelas políticas intervencionistas adotadas pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt e foi a partir daí que os Democratas passaram a colocar no Estado um papel de regulador e interventor supremo na economia, com consequências desastrosas. 

O New Deal foi um conjunto de políticas intervencionistas adotadas pelo governo americano para fazer o país sair da Grande Depressão de 1929. O Estado assumiu um papel tão grande no setor econômico que, ao invés das ações estatais estancarem a sangria, tiveram justamente o efeito contrário. O desemprego no país continuou alto durante a década de 1930.  

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É certo que a Grande Depressão teve uma generosa contribuição do Republicano Herbert Hoover, mas ele defendia políticas muito caras aos Democratas: intervencionismo e protecionismo desmedidos. O New Deal de FDR soou muito mais como continuação do que uma ruptura com o que já vinha sido praticado. Nos três primeiros anos da presidência de FDR, o PIB caiu 5,1%. Tudo isso com o mesmo intervencionismo estatal. 

Depois de relativo liberalismo econômico com Truman, Eisenhower e Kennedy, os EUA voltaram a flertar com o keynesianismo. Dessa vez a iniciativa governamental foi a Great Society, um conjunto de políticas sociais empreendidas pelo Estado com o objetivo de eliminar a pobreza nos EUA. O projeto foi desenvolvido na presidência de Lyndon Johnson, um Democrata muito alinhado aos keynesianos de viés social democrata dominantes do partido. 

As consequências foram desastrosas. O governo continuou a crescer como na época do New Deal e promoveu uma política de déficit orçamentário que colocou os EUA na complicada situação fiscal de hoje. Além disso, incutiu na mente dos pobres a falsa ideia do governo como promotor da justiça social e do progresso. LBJ foi sem dúvidas uma peça chave para ajudar a colocar o país no buraco dos anos 70. 

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Como diz o Instituto Mises: ‘’O mito mais cruel promovido pelos liberais (termo para “esquerdistas”, nos Estados Unidos) é que a Grande Sociedade funciona como um grande benefício e benefício para os pobres; na realidade, quando cortamos as aparências espumosas para a fria realidade por baixo, os pobres são as principais vítimas do estado de bem-estar social. Os pobres são os que devem ser recrutados para lutar e morrer com salários literalmente escravos nas guerras imperiais da Grande Sociedade. Os pobres perdem suas casas no trator de renovação urbana, esse trator que opera em benefício dos interesses imobiliários e de construção para pulverizar moradias disponíveis de baixo custo’’. 

Depois do liberalismo econômico de Reagan e Bill Clinton e da prosperidade dos anos 80 e 90, o mito do governo grátis voltou com o keynesianismo da era Bush. Resultado mais explícito não poderia ser a crise de 2008 e a corrosão dos salários e do poder de compra dos americanos. Mas a eleição de Barack Obama fez os EUA caminharem vários passos em direção ao precipício.  

Surgiu então o Obamacare, uma lei federal de 2010 que obrigava todos os americanos a ter um seguro de saúde, além de impor uma série de limites e regras ao setor privado do ramo. Com isso, os custos aumentaram, pois muitas seguradoras abandonaram o mercado frente às pesadas regulações estatais, diminuindo o número de opções ao consumidor. Em certos casos, os empregadores foram obrigados a pagar pelo plano de saúde, resultando em um aumento dos custos dos seus empregados. Com isso, novamente os salários voltaram a cair e até mesmo muitos trabalhadores perderam seus empregos. 

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Se no campo moral a guinada à esquerda do Partido Democrata só trouxe desgraça para a sociedade americana, não foi diferente no aspecto econômico. Colocar no Estado um poder regulatório da livre troca de bens, mercadorias e serviços traz desemprego, miséria e sofrimento. O fiasco é mais evidente do que nunca, mesmo com as sempre alegadas boas intenções – aquelas das quais o inferno está cheio. 

Referências: 

1.https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2594 

2.https://www.youtube.com/watch?v=EClpFLDrK0g 

3.https://mises.org/library/great-society-libertarian-critique 

4.https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1744&ac=113211

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Carlos Junior

Carlos Junior

É jornalista. Colunista dos portais "Renova Mídia" e a "A Tocha". Estudioso profundo da história, da política e da formação nacional do Brasil, também escreve sobre política americana.