Segue a festa, às custas do contribuinte

Este artigo foi originalmente publicado pelo Instituto Fernando de La Mora, do Paraguai, parceiro do Instituto Liberal, em 3 de março de 2019. O artigo original pode ser lido aqui

Passado pouco mais de um mês da posse do novo governo de Mario Abdo Benítez no Paraguai, em agosto do ano passado, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações proporcionou uma das notícias que mais geraram impacto nas redes sociais.

Tratou-se da contratação de Nieve Soledad Melgarejo, por parte do dito ministério, radiologista de profissão, para o assessoramento de obras a ser levadas a cabo ou não pelo atual governo. Dessa maneira. Melgarejo deixou de realizar raios X no hospital de Caazapá para assessorar o ministro Arnoldo Wiens.

Embora isso tenha ocorrido em novembro, Melgarejo é novamente notícia, devido a sua recente nomeação, através do Decreto Presidencial Número 995, como Diretora de Gestão Intergovernamental da referida entidade governamental.

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Ou seja, na ausência de preparo para o cargo, a radiologista não chegou ao seu posto por sua capacidade e sim por meio de cota política. Segundo o jornal La Nación, a remuneração total de Melgarejo corresponderia a um total de 20 milhões de guaranis, ou seja, aproximadamente 3.327 dólares por mês.

No entanto, não é o único caso em que uma pessoa sem conhecimento da área em que irá desenvolver trabalhos para esse novo governo é nomeada. A esse respeito, Hector Figueiredo, chefe da seccional do Partido Colorado de Carapeguá, foi nomeado Cônsul Geral de Buenos Aires por Abdo Benítez, violando assim o artigo 42 da Lei 1335/99 que afirma claramente que “a função consular é reservada para funcionários do serviço diplomático e consular”.

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Entretanto, a coisa inverossímil dessa situação é que Figueiredo reconheceu que não tem noção alguma das funções que deve exercer como Cônsul Geral do Paraguai em Buenos Aires, embora prometesse que representaria o país com “honestidade e patriotismo”.

Esses são somente dois casos de muitos que seguramente haverá na administração pública. O problema é que os favores políticos não podem nem devem ser devolvidos com cargos públicos que pesarão significativamente sobre os contribuintes.

Dessa forma, demonstra-se que o Estado continua a gastar o dinheiro dos contribuintes de maneira errada e, ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda, Benigno López (irmão do presidente), aparece constantemente na mídia mencionando que o Estado precisa arrecadar mais. Claramente, o Estado não precisa arrecadar mais, mas o que precisa fazer, e com grande urgência, é um saneamento em termos do uso de fundos públicos para alcançar maior eficiência e efetividade deles.

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Esse é o governo “do povo”, mas do povo que é amigo daqueles que detêm o poder, por isso é necessário acabar com o desperdício de dinheiro dos contribuintes em cargos, contratações e outras despesas do Estado que são desnecessárias.

*Sobre o autor: Federico Rabino é diretor executivo do Instituto Fernando de la Mora. 

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