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Resenha: Elon Musk

Sem conhecer a história de vida de Elon Musk, acreditava que ele era apenas mais um cara talentoso e disruptivo, que havia se esforçado muito, inovado e agora colhia os frutos de seu trabalho. Embora seu nome já estivesse nos holofotes norte-americanos desde 2000, quando o “PayPal se estabeleceu como marca e Musk era o seu maior acionista, no Brasil pouco se ouvia sobre ele.

O nome de Elon Musk começou a repercutir no Brasil quando a Tesla, sua empresa de carros elétricos, começou a cumprir suas promessas e apresentar veículos aos consumidores. A SpaceX, embora iniciada por Musk antes da Tesla, não é uma empresa que detém tanta atenção dos brasileiros que, diferente dos americanos, não se entusiasmam muito com a indústria espacial. Além das duas, Musk também criou a SolarCity, empresa de energia solar que representa um de seus slogans de combate ao aquecimento global.

Ashlee Vance, autor deste livro, descreve o caminho trilhado por Musk para criar e alavancar suas empresas, e explica como, por meio delas, ele está moldando nosso futuro. De 2015, ano de lançamento deste livro, até agora, já se passaram seis anos, e a história de Musk poderia ser diferente, mas, de forma não surpreendente, não só deu tudo certo, como Musk se tornou, em 2021, o homem mais rico do mundo através dessas empresas. Não é surpresa que Musk tenha chegado até onde chegou, principalmente quando se descobre quem realmente é o empresário.

Elon Reeve Musk nasceu em Pretória, África do Sul, em 1971, filho de pai engenheiro e mãe modelo e nutricionista. Tem uma irmã e um irmão, ambos mais novos que ele. Da família de sua mãe, certamente, Elon herdara a coragem de desbravar o desconhecido. Era uma família que viajava pela selva africana à bordo de pequenos aviões e automóveis, sempre em busca de aventuras. De seu pai, ele não guarda tão boas lembranças e evita contato, mas é provável que tenha vindo dele o interesse pela engenharia e o pensamento analítico, tal qual observado em Musk, quando, com seus 12 anos de idade, foi capaz de programar e criar um código de jogo, premiado por uma revista.

Durante a infância, Musk sofreu nas escolas em que estudou, era perseguido por outros alunos e, em uma das vezes, apanhou muito, tendo que ser levado ao hospital. Era uma criança reservada, que vivia com o olhar no “nada”, lia muitos livros e se destacava em matérias escolares, mas somente nas que gostava. No início de sua adolescência, seus pais se separaram e, por um período, ele e o irmão viveram com o pai. Aos 17 anos, Musk decidiu sair da África do Sul e se mudou para o Canadá, país de sua mãe, no qual ele possuía parentes.

Inicialmente os parentes não apareceram e Musk teve de buscar alternativas, conseguindo, por fim, conhecer um primo que lhe ajudou a encontrar alguns empregos.  Musk trabalhou em diversas atividades, até que decidiu entrar para uma universidade, estudando por dois anos administração em Ontário (Canadá), conseguindo posteriormente uma transferência para a Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos), onde se formou em Economia e Física. Durante a faculdade, estagiou em empresas no Vale do Silício e foi nesse momento que sua vontade de abrir empresas de tecnologia se consolidou.

Ainda que a ideia de ser empresário existisse na cabeça de Musk, ele iniciou um doutorado quando concluiu a faculdade; porém, com a vinda de seu irmão, Kimbal, para os Estados Unidos, desistiu da academia e abriu sua primeira empresa, a “Global Link Information Network”, mais tarde conhecida como “Zip2”. Ele e o irmão trabalhavam de forma incansável, ficando ele com a parte operacional e o irmão com as vendas. A empresa seria um classificado online onde, em um mapa virtual, as pessoas poderiam encontrar serviços. O trabalho era tão árduo que Musk chegou a morar no escritório por 3 meses. Com muita resiliência, os irmãos conseguiram investidores para alavancar o negócio e, em 1999, venderam a empresa por 307 milhões de dólares.

Resiliência é a palavra que define Musk. Durante toda a trajetória do empresário, não existiu momento algum em que ele deixasse de acreditar naquilo que sonhava e buscava. Sua fé, sem dúvida, era admirável. Com seus 22 milhões de dólares, da venda da Zip2, comprou o carro que sempre quis e imediatamente partiu para o próximo empreendimento. Ainda em 1999, Musk criou a “x.com”, um banco online que, com apenas 8 meses, conseguiu licença para operar e, com 2 meses de operação, já possuía 200 mil clientes.

Olhando os números, parece que foi fácil, porém as rotinas de trabalho de Musk e das equipes que ele contratava eram extremamente desgastantes. A x.com logo encontrou um competidor determinado pelo caminho, que mais tarde veio a se fundir com a empresa de Musk, dando origem à conhecida marca PayPal. A PayPal foi vendida para o eBay, em 2002, por 1.5 bilhões de dólares, ficando Musk com 1/6 desse valor.

Morando em Los Angeles, e totalmente admirado com a vida agitada do lugar, Musk começou a participar dos encontros sociais junto de sua esposa, Justine Wilson. Musk e Justine se conheceram em Ontário durante a faculdade, se casaram no ano 2000 e tiveram 6 filhos, todos homens, tendo um deles falecido por morte súbita, com apenas 10 meses de idade. Musk e Justine se separaram em 2008 e, a partir daí, o empresário já se casou mais duas vezes. A vida pessoal de Musk sempre foi alvo dos tabloides americanos, por ser deveras conturbada.

Estando Musk no centro das reuniões dos amantes da indústria espacial na Califórnia, um de seus sonhos de infância, de poder acessar outros planetas, foi retomado. Em 2002, Musk investiu U$100 milhões de seu próprio bolso para iniciar sua terceira empresa, a SpaceX. Ele reuniu engenheiros das melhores universidades, convidando-os a fazer parte, não de uma empresa qualquer, mas de uma contribuição grandiosa para a humanidade e sua evolução. A SpaceX tinha por objetivo lançar foguetes comerciais, que poderiam transportar satélites para empresas em um preço muito menor que qualquer outra instituição espacial, como a NASA e demais agências europeias e russas.

Em 2003, já atuando na construção de seus foguetes, Musk recebeu a visita de J.B. Straubel, que o instigou a iniciar investimentos em carros elétricos, utilizando baterias de lítio. Naquela mesma época, uma empresa chamada Tesla Motors, que já tentava construir um protótipo de carro elétrico, apresentou suas intenções a Musk, e ele se tornou o maior acionista da empresa. Toda a empresa era pesquisa, tudo era novo, e questões de segurança e design também precisavam estar nos orçamentos. Até os dias de hoje, muitos ainda questionam a Tesla, sua produção comedida ao ser comparada com outras grandes montadoras no mundo, e pelas vezes em que a empresa quase foi à falência, estipulando metas de entrega e resultados, os quais não conseguia cumprir.

A SpaceX não estava em uma situação muito diferente da Tesla. Em 2006, a empresa fez a primeira tentativa de lançar um foguete, chamado Falcon 1, que explodiu 20 segundos após a decolagem. Após inúmeras tentativas, e já estando extremamente exposto na mídia, Musk conseguiu colocar seu primeiro foguete em órbita em 2008. Desde então, Musk passou por inúmeras complicações com a Tesla e precisou injetar dinheiro da SpaceX, de pré-vendas que havia fechado com a NASA, na montadora.

As duas empresas seguiram crescendo; a SpaceX, por exemplo, diferente de outras empresas espaciais, fabrica tudo o que utiliza e, por isso, hoje é a que fornece lançamentos mais baratos, com segurança e numa frequência mensal. Atualmente, a Tesla tem seu capital aberto no mercado de ações e vende carros em todo o mundo, tendo recebido mais uma empresa de Musk como subsidiária, a SolarCity, que fornece energia solar, não só ao processo da montadora, mas, também, para outros mercados.

Vance detalha repetidas vezes as superações e desafios de Musk na jornada de seus negócios, e o que ele é capaz de fazer para realizar seus sonhos mais mirabolantes, como o de colonizar o planeta Marte. Ele não só investia todo o seu dinheiro nos negócios, chegando a ficar sem nada, como também trabalhava mais que qualquer outro funcionário para alavancar suas ideias. Por algumas vezes, perdeu o posto de CEO de suas empresas, quando grupos de investidores questionavam sua postura como líder, mas o que, de fato, se aprende com sua história, é que, para evoluir, é preciso seguir a linha clichê de tentar e, se fracassar, tentar novamente e não desistir nunca. A humanidade já reconhece a transformação que a vontade de um único homem foi capaz de fazer em apenas 30 anos de sua vida. Imagina o que ele não será capaz de fazer nos próximos 30.

*Jéssica Prata é Associada Trainee do Instituto Líderes do Amanhã. 

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