Recuperação Lenta e Gradual da Economia: PIB Cresceu 1,1% em 2018

Em 2018, o PIB do Brasil cresceu, em termos reais, 1,1%, mesmo número de 2017, conforme antecipou o Monitor do PIB da FGV. Após dois anos de crescimento negativo (2015 e 2016, com taxas de -3,5% e -3,3%, respectivamente), durante a pior recessão da história, a recuperação tem sido lenta e gradual.

No relatório do Monitor do PIB da FGV, há um gráfico bastante interessante, que mostra como em 2017 a atividade econômica foi parando de piorar (o que não significa, necessariamente, melhorar), até atingir em outubro a primeira taxa positiva (no acumulado em 12 meses). No dado oficial do IBGE, foi no quarto trimestre de 2017 que também houve a primeira taxa positiva. E, ano passado, a economia ficou praticamente estável nesse patamar próximo de 1%, conforme os Gráficos 1 e 2.

Ano passado, pelo lado da oferta, a agricultura ficou praticamente estagnada (0,1% de crescimento), depois do desempenho excepcional em 2017, com crescimento de 12,5%. Após quatro anos (2014-17) de crescimento negativo, a indústria voltou a apresentar um dado positivo (0,6%), enquanto os serviços (que correspondem a mais de 70% do PIB) apresentaram um crescimento mais robusto ano passado do que em 2017 (1,3% e 0,5%, respectivamente).

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Já pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,9%, pouco mais do que o número de 2017 (1,4%). O consumo do governo ficou estagnado (0,0%) e as exportações e importações cresceram (4,1% e 8,5%, respectivamente). Já os investimentos, após quatro anos consecutivos de queda, voltaram a crescer em 2018 (4,1%). Lembrando que este número dos investimentos foi maior por causa das plataformas de petróleo. Caso isso não ocorresse, o número seria menor. A taxa de investimento, que já foi de mais de 21,0% do PIB em anos passados (e, mesmo assim, baixa em relação a outros países latino-americanos, como Chile, Peru e Colômbia, por exemplo), passou de 15,0% em 2017 para 15,8% do PIB em 2018.

O crescimento do PIB ano passado poderia ser melhor, inclusive era o que projetavam os analistas no começo do ano. No primeiro trimestre de 2018, as projeções (mediana das expectativas de mercado, segundo o boletim Focus) chegaram a ser quase o triplo do dado efetivo divulgado pelo IBGE. Porém, conforme os dados foram saindo, foi sendo percebido que a recuperação da economia seria mais lenta e gradual do que se esperava antes. Além disso, a greve dos caminhoneiros em maio, prejudicou bastante a atividade econômica. Apesar de ter sido uma questão pontual, depois revertida (recuperação em V), os efeitos negativos para a economia no ano foram intensos. As incertezas eleitorais de 2018, com impactos no câmbio (chegou próximo dos R$ 4,20 / US$ em setembro), o risco-país (CDS de 5 anos, que passou dos 300 pontos também em setembro) e o aumento dos juros futuros também contribuíram para essa lenta e gradual recuperação da economia.

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Com a divulgação do dado de 2018, fechando o último quadriênio presidencial (com dois Presidentes, Dilma e Temer), observa-se que nesses últimos quatro anos houve uma queda média de 1,2%, ao ano, em função dos dois anos de crescimento negativo (2015-16) e do crescimento baixo nos dois anos posteriores (2017-18).

Para 2019, as expectativas de mercado, de acordo com o boletim Focus, indicam um crescimento de 2,5%. Para isso acontecer e conseguirmos crescer de forma mais sustentável no futuro, gerando mais empregos, mantendo a inflação baixa e diminuindo os juros, algumas reformas são necessárias, como a melhoria do ambiente de negócios, tributária, a trabalhista (que já ocorreu no Governo Temer e foi nessa direção), além da mais urgente no curto prazo, a previdenciária, condição essencial para o reequilíbrio das contas públicas.

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