Por que o PSDB é melhor do que o PT

tucano

A entrevista concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no último programa Roda Vida, da TV Cultura, expôs a distância intelectual entre ele e seus dois sucessores, mas também nos lembrou das diferenças entre os partidos que representam.

Mesmo que alguém consiga afirmar com exatidão qual o partido mais corrupto, isso não significa que o menos corrupto seja honesto. Sendo assim, no doloroso exercício de apoiar um parlamentar, um governante ou um partido, precisamos nos rebaixar intelectual e moralmente e adotar como critério de seleção as referências teóricas e práticas de cada um deles para projetarmos quem seria uma ameaça menor à nossa liberdade.

Com o mesmo machado que a esquerda divide a sociedade em duas partes, vamos dividir a política brasileira entre PSDB e PT, cada um com seus respectivos partidos aliados.

O Partido da Social Democracia Brasileira ocupou a presidência dessa cambaleante república por oito anos, durante os quais não tentou aprovar nenhuma lei de restrição da liberdade de imprensa. Não utilizou dinheiro público para financiar ditaduras noutros países. Não promoveu eventos cuja decoração ostentava a imagem de ditadores. Não declarou apoio nem ajudou financeiramente grupos terroristas internacionais. Não deu asilo político nem empregou terroristas. Não fez da educação pública uma ferramenta de doutrinação em massa. Não utilizou como referência teórica o pensamento de líderes comunistas responsáveis pelo assassinato de literalmente milhões de inocentes. Não financiou a criação e a manutenção de um movimento que luta pela hegemonia ideológica na América Latina.

Para um melhor entendimento da razão desse exercício, devemos ignorar por um instante o último parágrafo e imaginar a reação da sociedade se fosse descoberto que o PSDB doou dinheiro a um grupo neonazista e que os principais líderes do partido fazem constantes e positivas citações à Hitler. Compreensivelmente, toda a sociedade veria o PSDB como um partido nazista com intenções nazistas.

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Posto isso, vejamos o posicionamento e o comportamento do PT.

O Partido dos Trabalhadores ocupou a presidência dessa cambaleante república por doze anos, durante os quais tentou aprovar o projeto de lei 3985/2004, aprovou o Marco Regulatório da Mídia e manifestou outras tantas intenções de controlar a imprensa. Financiou e até doou dinheiro público para as ditaduras de Cuba, da Venezuela, do Sudão, da Guiné Equatorial, do Gabão e do Congo. Participou de eventos cuja decoração ostentava imagens de Lenin, de Che Guevara e de Fidel Castro. Declarou apoio e financiou o grupo terrorista Hamas e há quem afirme que financiou as FARC. Deu asilo político ao terrorista italiano Cezzare Battisti. Nomeou como ministro José Dirceu, que estudou espionagem e sabotagem na URSS e em Cuba. Elegeu presidente da república Dilma Rousseff, que integrou um grupo terrorista que promoveu assaltos, sequestros e assassinatos. Compactuou com a escravização do povo cubano ao implementar aqui o programa Mais Médicos. Fez do ensino público uma verdadeira ferramenta de doutrinação em massa utilizando o método Paulo Freire nas escolas de ensino fundamental e médio; impôs o viés marxista no ensino universitário na área de humanas. Em discursos, atas, artigos, pronunciamentos e entrevistas, os líderes do PT e de seus partidos aliados invocam orgulhosamente os ideais de Lenin, de Stalin e de Fidel Castro como referência de tomada e de manutenção de poder. Patrocinou o Foro de São Paulo, a versão latino-americana de Internacional Comunista. Grande parte de seus militantes são caricaturas de Che Guevara e faz empolgadas reverências à ditadura cubana e à revolução bolivariana.

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Sendo assim, por que não deveríamos pensar que o PT e seus aliados têm as mesmas intenções dos ditadores que apoiam? Por que deveríamos acreditar que o PT, que o PSOL, que o PSTU, que o PCO, que o PCdoB e o que PCB não perseguiriam seus críticos e opositores como fazem todas as ditaduras que eles próprios defendem? Por que não deveríamos ver o PT como um partido comunista?

A verdade: O PT só não instaurou uma ditadura aqui porque não conseguiu.

No campo econômico, devemos considerar também que PT e o PSDB são partidos intervencionistas, o que não significa que o fato do primeiro ser mais intervencionista faz do segundo um partido liberal. No entanto, observa-se diferenças em conceito e em escala. O intervencionismo petista com toda certeza provocou males muito mais profundos e prejudiciais ao Brasil do que o intervencionismo tucano. Se formos comparar os dois partidos sob a ótica fiscal e monetária, o PSDB também se apresenta com um histórico menos absurdo do que o do PT.

Por fim, resgato o que já escrevi noutras oportunidades: O PSDB não tem militância ideológica. Não conta e nunca contará com o apoio massivo de estudantes, de sindicalistas, de artistas e de intelectuais como ocorre com o PT; e foi esse apoio que sustentou todos os absurdos que Lula e Dilma impuseram ao Brasil. Sem um exército de militantes defendendo-o incondicionalmente, o PSDB é um partido muito mais fácil de ser questionado, pressionado e punido.

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O PSDB é uma ameaça menor que o PT, assim como o PT é uma ameaça menor que o PSOL, assim como o PSOL é uma ameaça menor que o PSTU. Eis a tragédia da política brasileira.

O PMDB é uma terceira “coisa”. Certamente, o mais brasileiro dos partidos se considerarmos seu oportunismo, sua falta de pudor em se bandear para o lado que lhe oferece mais comodidades. Ao contrário do PT e do PSDB, o PMDB não tem comprometimento ideológico, o que, dependendo da situação, pode ser bom ou ruim.

A Rede vem para acolher os petistas que não fugirem para o PSOL.

O Novo é novo demais para que nele seja depositado algo além de esperança.

Como libertário, enxergo o estado como um mal em si mesmo, porém, ofereço as reflexões acima como contribuição ao sacrifício que a maioria das pessoas faz na escolha de qual partido deve defender − o demônio ou satanás.

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João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É arquiteto e artista plástico.

10 comentários em “Por que o PSDB é melhor do que o PT

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    09/11/2015 em 2:09 am
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    Eu me abstenho da política brasileira porque sou de direita e no Brasil não há partidos de direita. O meu ideal político é republicano focado no estado mínimo, no desenvolvimento, na liberdade, no empoderamento do individuo e na geração de riquezas. Tais conceitos são alienígenas no Brasil, porém muito populares no EUA. Não é coincidência que em apenas 240 anos os EUA se tornaram a nação mais rica e poderosa da face da terra orientados por esses conceitos, algo que nem países milenares conseguiram fazer. O brasileiro gosta de um estado assistencialista, provedor de favores, de apadrinhamentos e coleguismos. Os conceitos de liberdade e desenvolvimento são pouco conhecidos pelos brasileiros. Aqui é comum associar liberdade a libertinagem. Acredita-se que o controle é melhor do que a liberdade.

    Aquele sistema de distribuição de títulos de nobreza praticado pela corrupta coroa portuguesa ainda se faz sentir até os dias de hoje e é apreciado por muitos. A meritocracia e sucesso individual não são muito apreciados pelos brasileiros. Mas o coitadismo e a vitimização são pregados diariamente pela mídia. No Brasil ser pobre é um mérito. A pobreza é apreciada como algo filosoficamente bonito. Produzir riqueza em contrapartida é feio, é sinônimo de ganância e avareza. No Brasil é muito mais bonito ajudar os necessitados do que gerar riqueza e desenvolvimento. O resultado de toda essa ideologia esquerdista se vê nos pífios resultados econômicos que um país rico e gigante como o Brasil tem no cenário internacional. Países com territórios minúsculos comparados ao nosso e com populações muito menores produzem muito mais riqueza e desenvolvimento que o Brasil.

    O Brasil nunca será um país de primeiro mundo pois sua base filosófica, política, econômica e ideológica não coaduna com conceitos necessários para a geração de riqueza e desenvolvimento que há nos países ditos de primeiro mundo.

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    30/10/2015 em 11:29 am
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    Oi Biloxi Blues, na minha filosofia costumamos dizer: “O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros; porque a natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantêm separados.” O texto do Murad está dentro do que escrevi acima e reflete em parte sua indignação – mas pergunte sempre: O que ganharemos com isso em termos de evolução social e espiritual? Para que servem todas riquezas do mundo nas mãos de um punhado de sovinas egoístas que seguem a toque de caixa a filosofia de Maquiavel? Isto é, – o que os artigos, filosofias plagiadas no bom estilo Kantiano, J.J Rousseaux, discursos moralizadores do Padre Vieira, cujas palavras se perderam ao vento; que bem trouxeram para a vida em sociedade como ensina a Lei Maior, ou seja: “um por todos e todos por um”. Enfim como é o mundo que você vive hoje a despeito desses iluminados gurus, que como meu célebre amigo Sócrates teve que beber veneno para dar o maior exemplo de honestidade e anti corrupção do mundo, que resultou na felicidade dos seus detratores que o aplaudiram por isso, dizendo intimamente: “Ufa, um a menos para combater nossos ideais. Vencemos mais uma vez!”… Já pensou nisso?

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    30/10/2015 em 11:03 am
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    As
    palavras do ex presidente são com bolinhas girando e saltitando dentro do globo
    da loteria. Ou seja, pulam aqui, saltam ali, mas no final sai sempre a mesma
    bolinha, cuja única diferença é o numero estampado nela. Ou seja não existe
    partido melhor que outro, todos os seus
    integrantes são lendários salafrários,
    crápulas, desonestos, egoístas e mentirosos. Fernando Henrique não foge
    a regra. Imbecil e idiota são todos os que ainda lhes dão crédito. Como bem
    disso meus ancestrais: O Bom político já nasce morto… O que é preciso e se divulgar textos, e exemplos constantes da história do mundo, como povos com razoável grau de cultura exterminaram com esses ratos do congresso que proliferam pelos bastidores e galerias do governo, onde o povo não tem sequer uma bolinha para representá-los condignamente. Por exemplo, porque o articulista “não ensina” como Vlad o empalador acabou com os políticos de sua época na Romênia; como Fidel Castro eliminou a corrupção em Cuba, mandando para o paredão todos os partidos políticos; como o povo Frances se livrou do poder “divino” dos Reis, ministros, condes, apadrinhados e puxa sacos transformando a França num pais modelo; como o Imperador Wân na China extinguiu a corrupta dinastia Zháo do poder, eliminando até um herdeiro que se encontrava na barriga de sua combina, para que não nascesse e fizesse renascer o regime etc. etc. Esses países não acabaram com a corrupção no mundo, mas deram exemplo eficientes como fazer. Porque os articulistas não fazem o mesmo?

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    28/10/2015 em 9:12 pm
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    Acabo ficando meio atordoada, exaurida diante das inumeráveis afrontas ao estado de direito, à nossa constituição, à democracia, que nos são impingidas todo dia, toda hora. Por exemplo, hoje, guilherme boulos atiçando o mst contra o MBL, e a oposição inerte.
    Embora com desalento, quando vem o menu de candidatos, tenho por princípio sempre votar, senão no ideal, pelo menos no menos pior. Este artigo, porém, deu uma bela clareada nas minhas ideias. É um processo (dolorosamente demorado) este o de desmascarar e tirar do poder essa cambada que arruinou nosso país, e temos de entender bem o jogo, em toda sua complexidade e sutilezas, para não desanimar.

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    28/10/2015 em 4:59 pm
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    Bom texto.
    Embora os tucanos não façam militância explicita, foi fhc que, de mãos dadas com lula, entregou o poder ao pt, após ser leniente com o mensalão. A polaridade entre pt e psdb, não deixou outra alternativa para as eleições, e mesmo com um quadro mais preparado, foram cúmplices de tudo que está aí.
    * Os nomes citados, estão em minúsculas mesmo. Não faço questão em escrever em maiúsculas.

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    28/10/2015 em 3:46 pm
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    Fico sinceramente muito agradecido pela gentileza do elogio. Grande abraço!

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    28/10/2015 em 1:37 pm
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    Parabéns ao autor! Um dos melhores resumos sobre nossa política atual que já li.

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      28/10/2015 em 3:47 pm
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      Muito obrigado, Paulo!

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      30/10/2015 em 11:34 am
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      E daí?, isso mobilizará a população para deflagrar uma revolução socialista para derrubar os milenares inimigos do povo mancomunados em quadrilhas intituladas partidos políticos (para inglês ver)? Se Paulo fizesse isso, poderia dizer: Eis ai mais um benfeitor da Humanidade!!!

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    28/10/2015 em 11:54 am
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    FHC, o comuna camuflado,grande enganador.

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