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Por que o Brasil é um país pobre

Este artigo usa informações contidas no livro The Power of Productivity de William Lewis

 

Condomínio de classe média em South San Jose, EUA
Condomínio de classe média em South San Jose, EUA

O melhor indicador da riqueza de um país é a sua renda média per capita. Claro que outras medidas devem ser consideradas como, por exemplo, o estoque de investimentos no processo produtivo e em infraestrutura, a distribuição da renda e a educação da população, entre outras.

No entanto, o estoque de investimentos e o nível de educação influenciam positivamente a renda e, além disso, com uma boa renda média per capita fica mais fácil investir, distribuir a renda e educar a população, entrando-se num círculo virtuoso.

Por que a renda média per capita no Brasil é baixa? Existe uma fortíssima correlação entre a renda média per capita e a produtividade do fator trabalho no processo produtivo.

Produtividade é a relação entre o valor dos produtos e serviços fornecidos aos consumidores e o tempo trabalhado mais o capital usado para produzir esses produtos e serviços.

Então, pergunta-se: a produtividade no Brasil é baixa? Sim, em média, a produtividade no Brasil é baixa, mas existem variações de produtividade no País, conforme o setor produtivo. As duas palavras que estão na base da produção de renda são produtividade e competitividade. O Brasil é fraco nas duas.

No Brasil existem duas economias paralelas, uma formal e com razoável produtividade média e outra informal com baixíssima produtividade e que emprega quase a metade da força de trabalho. Aí está um dos problemas porque é por meio da competição que as empresas com boa produtividade aumentam sua participação no mercado em detrimento das que têm baixa produtividade. Às vezes, as empresas de baixa produtividade reagem e mantêm ou aumentam a sua participação. Outras vezes, elas fecham as portas. Em ambos os casos, a produtividade geral aumenta, gerando crescimento da renda.

É um erro imaginar que as que fecham causam desemprego. Isso ocorre num primeiro momento, mas, a seguir, as pessoas desempregadas encontram ocupação em atividades mais produtivas e acabam tendo sua renda ampliada. A competição em bases iguais é que faz esse processo funcionar.

No Brasil, porém, a competição não se dá em bases iguais porque as informais não pagam imposto e as formais, de razoável produtividade média, pagam impostos escorchantes. A diferença nas cargas tributárias tem consequências nefastas. As empresas mais produtivas pagam cada vez mais impostos e, por isso, seus custos, e em consequência seus preços, apesar da produtividade ser satisfatória, são semelhantes aos das empresas informais. Isto significa que as empresas mais produtivas não podem ampliar sua fatia de mercado. O processo de evolução do aumento da produtividade e da renda está, assim, bloqueado.

Na década de 1990, a OCDE chegou ao chamado consenso de Washington, que abrange disciplina fiscal, câmbio flutuante, liberalização comercial, privatização, desregulamentação e respeito ao direito de propriedade. Os adeptos dessa política esperavam que os países emergentes que adotassem essas políticas ficariam mais competitivos e atrairiam investimentos, criando um mundo globalizado pacífico e integrado. Verificou-se, porém, que essas medidas são absolutamente necessárias, mas não suficientes para o desenvolvimento econômico. O consenso de Washington subestimou demais a importância de um nível de competição em condições igualitárias para o crescimento da produtividade e da renda.

Os maiores bancos privados do Brasil têm, em média, uma produtividade no mínimo igual à dos maiores bancos americanos e europeus. O comércio formal das grandes empresas de varejo tem uma produtividade um pouco inferior à do comércio equivalente dos países desenvolvidos. No entanto, 80% do emprego no comércio de varejo de alimentos é informal, assim como quase 50% das vendas. O agronegócio tem uma produtividade muito alta, mas os assentados pelo INCRA têm, em geral, uma produtividade muito baixa.

O governo, premido pelas suas enormes despesas correntes, que crescem cada vez mais, investe cada vez menos e aumenta sem parar os impostos sobre as empresas formais, dificultando dessa forma o aumento da produtividade e, portanto, da renda. Algumas renúncias fiscais criaram ainda um ambiente de competição desigual.

Só existe um caminho para sairmos desse círculo vicioso: (1) diminuir as despesas correntes do governo e, em consequência, o seu tamanho; (2) diminuir a carga tributária sobre as empresas formais, tornando-as mais competitivas; (3) estimular a formalização das empresas informais e também dar condições para que elas possam crescer sem pagar mais impostos por causa desse crescimento; (4) investir seriamente em educação e, principalmente, melhorar os sistemas de gestão da área educacional; (5) investir mais no processo produtivo, especialmente em inovação.

Esta receita é bem conhecida, o problema é como executá-la porque todas visam a benefícios no longo prazo e os políticos só pensam no curto prazo, ou melhor, nas próximas eleições.

FONTE DA IMAGEM: WIKIPÉDIA

Francisco Lacombe

Francisco Lacombe

Professor de Administração, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Escola Politécnica e Escola Graduada de Ciências e Engenharia da PUC-RJ; FGV; Universidade Santa Úrsula; Instituto de Tecnologia da Informação e da Comunicação em cursos de graduação e de pós-graduação. Foi executivo e consultor. Associado ao Instituto Liberal.

4 comentários em “Por que o Brasil é um país pobre

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    21/01/2014 em 8:00 pm
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    Quando você diz que a produtividade do agronegócio e alta esta desconsiderando a logística da cadeia produtiva né ?

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    21/01/2014 em 7:06 pm
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    Não sei de onde saíram os dados quanto a produtividade do comércio brasileiro formal, mas pelo menos aqui no Rio as coisas são diferentes. Mesmo nas grandes empresas, a produtividade é muito mais baixa que lá fora, com os estabelecimentos com ao menos o dobro de funcionários que as lojas americanas, por exemplo. E isso em Zaras e C&As, que são internacionais. O comércio de alimentos então, é uma desgraça: seja em restaurante ou em supermercados o antendimento é muito lento, desde do caixa e garçons até a hora do pagamento. Só se explicaria a baixa diferença na produtividade de estiverem medindo pelo faturamento final, que é alto aqui no Brasil para dar conta do custo Brasil. Estamos atrás em tudo, inclusive serviços formais….

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    21/01/2014 em 10:38 am
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    Professor Francisco creio que eles sabem de todas essas coisas, porém essa gente só pensam em uma única coisa: o poder! E também socializar de quebrar todas as coisas. A única saída desse país é a saída de seu inimigo, a saber, o PT.

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      21/01/2014 em 4:14 pm
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      Olá, muito boa didática do texto professor ! André, exatamente isso !

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