Por que a esquerda prefere o criminoso e demoniza a polícia (II)

Comprovando ainda mais a existência desse contexto, materializado no período de dirigismo cultural ocorrido pós-ditadura militar conforme os preceitos de Antonio Gramsci, em uma escola estadual de Sorocaba, interior de São Paulo, um trabalho orientado pelo professor de filosofia da instituição teve como resultado a criação de um cartaz, no mínimo, polêmico. Nele se apontava […]

Comprovando ainda mais a existência desse contexto, materializado no período de dirigismo cultural ocorrido pós-ditadura militar conforme os preceitos de Antonio Gramsci, em uma escola estadual de Sorocaba, interior de São Paulo, um trabalho orientado pelo professor de filosofia da instituição teve como resultado a criação de um cartaz, no mínimo, polêmico. Nele se apontava a seguinte conclusão por parte dos alunos: “os policiais acabam sendo considerados um grande problema na atualidade usando a força física para obter melhores resultados”. A metodologia de pesquisa adotada? “Foi trabalhado com base em reportagens pela internet e em jornais”(sic). Em nota, a Diretoria Regional de Ensino de Sorocaba informou que o trabalho “apresenta a ideia e conclusão de alunos sobre violência após leitura do livro Vigiar e Punir, do filósofo Michel Foucault, e de reportagens de veículos de comunicação” e que “o trabalho não reflete a opinião do professor ou da instituição de ensino”.

foto_pm_1Interessante notar, ademais, que o patrono da atual fase da educação brasileira, Paulo Freire, em sua obra mais célebre, Pedagogia do Oprimido, aplica os cânones marxistas em sua “teoria” educacional, onde, novamente, observamos a existência das classes dos opressores e oprimidos. Mao, Lênin, Che e Fidel são citados como “autoridades” em educação por Paulo Freire, sendo que a classe dos opressores se impõe, em primeiro lugar, pela força. Desnecessário dizer quem seria o agente materializador da força opressora da elite branca e burguesa.

A propósito do filósofo que norteou a elaboração do trabalho escolar em questão, Michel Foucault, em seu livro Power/Knowledge, faz a seguinte afirmação: “Acredito que qualquer coisa pode ser deduzida do fenômeno geral da dominação da classe burguesa”. Comentando essa passagem, o filósofo conservador inglês Roger Scruton afirma que “o que não é trivial é a ideia inteiramente sem garantia e ideologicamente inspirada de dominação com a qual Foucault lustra suas conclusões. Ele logo assume que, se há poder, então ele é exercido nos interesses de algum agente dominante. Assim, por uma artimanha, ele é capaz de apresentar qualquer ocorrência de ordem social – até mesmo a disposição para curar o doente – como um exercício furtivo de dominação que busca manter os interesses ‘daqueles no poder’ ’“.

É necessário mencionar ainda que o pensamento de Michel Foucault, assim como o de outros pensadores de esquerda, domina o cenário intelectual acadêmico brasileiro. Suas conclusões encontram especial ressonância nas ciências penais brasileiras. A obra Vigiar e Punir, do autor em questão, é obra constantemente citada e estudada no meio acadêmico como instrumento de análise que leva o bacharelando em Direito à inevitável conclusão de que a justiça criminal opera em nome de uma verdade classista. Nesse diapasão, cabe questionar quantas obras de doutrinadores com posições conservadoras, ou de direita, são recomendadas, como regra, pelos docentes de nossas instituições de ensino superior? Nenhuma ou poucas. E isso, a título de pesquisa científica, tem nome: fraude intelectual.

A aplicação da lei penal pela autoridade policial, como consequência, é tratada como situação de legalidade estrita, sendo fiscalizada ao extremo. Na análise jurídica de situações factuais dúbias, que não raro ocorrem na vida real, se percebe a aplicação de uma presunção de culpabilidade, excesso e abuso em desfavor da autoridade policial. O delinquente penal, como convém à retórica marxista, recebe todas as benesses legais que a dúvida pode lhe proporcionar. Resultado disso é o desencorajamento, o desestímulo da atividade policial e a fomentação do sentimento de impunidade, que, como é fácil perceber, permeia, sem sombra de dúvidas, o substrato social do nosso país.

O criminoso, analisado sob essa perspectiva ideológica, é apresentado como vítima do capitalismo, das políticas econômicas governamentais e das classes dominantes, uma vez que, segundo essa ótica, para que o rico, ou burguês, exista, necessariamente deve haver o pobre, ou proletário, e este, por sua vez, precisa ser dominado e controlado pelos agentes do Estado incumbidos dessa tarefa: os policiais.

A aplicação da ideologia classista, como se vê, está firmemente presente no meio educacional brasileiro. Do nível básico ao superior, o jovem brasileiro é devidamente doutrinado. Aqui, são formados novos agentes revolucionários, que, de acordo com o que lhes foi “ensinado”, devem lutar contra o establishment. Um dos inimigos, por óbvio, é o policial, agente protetor da elite branca e burguesa, inimigo a quem somos convocados para destruir. Novos giros de expressão chegam a ser criados e disseminados no vocabulário popular, como “violência seletiva” e “discurso de ódio”.

A intelligentzia nacional, dessa forma, prega o ódio à policia e a simpatia pelo criminoso, que seria, na verdade, um cobrador de uma dívida social que o isentaria, moralmente, de sua conduta ilícita. Seu crime é minimizado: a primeira vítima é o criminoso, que não teve “nenhuma oportunidade de crescer em sua vida”, vez que “sempre foi explorado economicamente pela classe dos burgueses”, não lhe restando alternativa para sair de sua vida miserável senão a do mundo do crime. O embuste marxista se manifesta com total desfaçatez.

Dando mais um indício forte da existência e aplicação recorrente do discurso ideológico em questão, em postagem recente a respeito dos recentes arrastões ocorridos no Rio de Janeiro, Cynara Menezes, também conhecida como Socialista Morena, que possui um “blog de ideias e notícias com viés esquerdista. Socialista, comunista & bolivariano”, afirmou que “a polícia do RJ segrega jovens negros no caminho para a praia porque a burguesia da zona sul teve seu celularzinho roubado.” Infelizmente para a autora do comentário, dado o alcance atual das redes sociais, seu discurso foi rápida e facilmente desmoralizado pela própria vítima.

socialistamorenaA respeito da situação acima demonstrada, vale depositar o que diz o filósofo Olavo de Carvalho sobre o assunto: “A conexão universalmente admitida entre intenção e culpa está revogada entre nós por um atavismo marxista erigido em lei: pelo critério ‘ético’ da nossa intelectualidade, um homem é menos culpado pelos seus atos pessoais que pelos da classe a que pertence. Isso falseia toda a escala de valores no julgamento dos crimes. Quando um habitante da favela comete um crime de morte, deve ser tratado com clemência, porque pertence à classe dos inocentes. Quando um diretor de empresa sonega impostos, deve ser punido com rigor, porque pertence à classe culpada.”.

A partir desse aglomerado de expectativas, inconscientes ou semiconscientes, hábitos, frases feitas e gestos padronizados de reagir a determinado tipo de informação, temos a origem dos sentimentos de medo e fúria em desfavor do policial. O senso comum é formado, então, não a partir de uma persuasão racional, mas a partir da influência psicológica no imaginário e no sentimento da coletividade. A imagem policial é desmontada, fatia por fatia, a partir do quadro que demostramos.

O policial militar é o mais atingido, vez que sua farda lhe dá maior visibilidade, mas, apesar disso, todos os policiais são recriminados, em maior ou menor grau. Comprovando o que acabo de afirmar, a FGV, em 2015, também sob encomenda do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, verificou que 73% dos Policiais Militares se sentem discriminados por serem profissionais do sistema de segurança pública no Brasil, sendo que 44% chegam a esconder a farda ou o distintivo no trajeto entre sua casa e o trabalho.

Não há como passar incólume por esses números. É absolutamente impressionante constatar que praticamente a metade dos nossos policiais chega a esconder sua farda e seu distintivo no trajeto entre sua casa e o trabalho. Veja, não estou falando de maus policiais, que, por óbvio, existem tanto no Brasil quanto em qualquer lugar do mundo, estou falando do policial médio, do homem honesto que vai para seu labor diário, que coloca sua vida em risco diariamente, que é mal remunerado e mal equipado.

Fazendo coro ao sentimento expressado na pesquisa pelos policiais, Alexandre Garcia, em editorial para o jornal matutino Bom Dia Brasil, disparou: “Nos países do mundo desenvolvido, acreditam na polícia e nas leis. Nossas leis apoiam as vítimas? Garantem a punição aos bandidos? Nos Estados Unidos, o policial herói é tratado como herói. Aqui, não. É difícil ser policial neste país; policial por vocação, como a maioria. Os que dão a vida pela lei, pelos outros, essa é a maioria”.

Considerando o quadro exposto, é bastante razoável chegarmos à conclusão de que há, inegavelmente, a aplicação de um viés de natureza ideológica na (des)construção da imagem do policial brasileiro. São bastante claras as evidências apontando nesse sentido, que vão desde a formação intelectual do brasileiro até o tipo de informação que ele recebe diariamente da mídia, incluindo aí o show business e nas redes sociais. Mais do que isso, existe a formação de uma cultura enaltecedora do coitadismo e do vitimismo em nossa sociedade.

Comprovando ainda mais essa tese, você, leitor, conhece algum bom livro brasileiro no qual o policial seja elevado à qualidade de herói? Em sentido contrário, existe algum livro que retrate o criminoso não como um cidadão pior, mas como um charmoso malandro?

Infelizmente, enquanto esse quadro persistir, enquanto o establishment midiático e intelectual continuar a desconstruir a imagem do policial com seu viés de luta de classes, o agente da lei será encarado com receio pelo brasileiro médio. Nossos verdadeiros heróis, os policiais, vão continuar sua batalha diária, em um dos países mais violentos do mundo, sem nosso reconhecimento. Pior do que isso, continuaremos a desprezá-los.

“Tenho vergonha. Até os meus amigos comentam comigo… ‘E aí, conhece aqueles policiais? Viu aquela matéria?’… todos apontam o dedo como se essas práticas ruins fossem generalizadas. Acho que a integração sociedade/polícia é muito difícil de ser recuperada. Hoje, somos profissionais invisíveis para a população. Não conseguimos mais passar respeito… Conseguimos passar medo, não respeito… (policial anônimo, em entrevista para o periódico potiguar Tribuna do Norte).

*Jaime Groff é delegado de policia civil no RN (licenciado), pós graduado em direito já tendo lecionado no curso de Direito de várias instituições de nível superior em Natal/RN.

Referências Bibliográficas

Carvalho, Olavo De. A nova Era e a Revolução Cultural, ed. Vide Editorial, 4a Ed.

Scruton, Roger. Pensadores da Nova Esquerda, ed. É Realizações.

Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2014. Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Vitimização e percepção de risco entre profissionais do sistema de segurança pública, pesquisa realizada pela FGV, 2015.

Por um pacto para a redução de homicídios no Brasil, pesquisa realizada pelo Datafolha, 2015.

  • biancavani

    Sensacional esta série “Por que a…”. E como é necessário lançar luz sobre essas questões! Vou divulgar.