Socialistas de auditório e capitalistas de cartório

Print Friendly, PDF & Email

Há pessoas que escondem o que pensam. Outras terceirizam ao grupo a própria dignidade de pensar.

Uma pesquisa do The Honesty Project, publicada pela The Free Press, mediu a distância entre convicção e encenação. Em público, 18% dos americanos afirmam que o país estaria melhor sob o socialismo. No privado, restam 11%. Na geração Z, quase um terço faz a profissão de fé diante da plateia; sem ela, apenas 14%.

A economia não mudou. Sumiu a plateia. O economista Timur Kuran chamou o fenômeno de falsificação de preferências. O indivíduo preserva a convicção, mas aluga a voz à tribo. Declara aquilo que compra pertencimento, protege sua reputação e o mantém fora do pelotão de fuzilamento moral. A opinião pública já não soma convicções privadas. Encena aquilo que todos supõem que os demais desejam ouvir.

Um liberal apressado poderia comemorar. Seria confortável e falso. A mesma pesquisa mostra que apenas 34% expressam, no privado, uma visão positiva do capitalismo. O socialismo ganhou prestígio como ornamento moral, mas não confiança como sistema. O capitalismo conservou a função, mas perdeu a reputação.

Deseja receber nossos conteúdos por e-mail?

* indica obrigatório

Parte dessa rejeição é merecida. Pessoas falsificam preferências. O Brasil falsificou o próprio capitalismo. Nunca consolidamos uma economia de mercado liderada pela iniciativa privada, com propriedade segura, contratos cumpridos, concorrência aberta, liberdade individual e de imprensa, responsabilidade fiscal, impostos suportáveis e um Estado que faça cumprir regras sem escolher protegidos. Juros civilizados seriam consequência da estabilidade e da confiança, não favor presidencial.

Em seu lugar, construímos o mercado para os anônimos e o Estado para os amigos. O pequeno empresário disputa clientes no balcão; o empresário de cartório disputa ministros no gabinete.
Isso não é capitalismo; evidente que não. É privilégio com CNPJ. Defender o mercado não é proteger os escolhidos do mercado.

Depois de mais de quinze anos somados no Planalto, o PT continua falando da pobreza com a indignação inaugural de quem acaba de desembarcar no país. Quando ela recua, recolhe o mérito; quando persiste, exige mais tempo, mais impostos, mais Estado e mais poder.

É um modelo de gestão perfeito. O êxito comprova a competência; o fracasso demonstra que ainda falta governo. No palco, os capitalistas de cartório retêm o lucro e despacham o risco ao contribuinte. Na plateia, os socialistas de auditório trocam aplausos por pertencimento. Do capitalismo, sobra apenas o nome. A pobreza, que deveria medir o fracasso do projeto, tornou-se a cláusula de renovação automática do poder.

Faça uma doação para o Instituto Liberal. Realize um PIX com o valor que desejar. Você poderá copiar a chave PIX ou escanear o QR Code abaixo:

Copie a chave PIX do IL:

28.014.876/0001-06

Escaneie o QR Code abaixo:

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.

Deixe uma resposta

Pular para o conteúdo