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Resenha: As seis lições de Mises

Ludwing Heinrich Edler von Mises, também conhecido em suas obras literárias por Mises, foi um economista e grande defensor da liberdade econômica, tendo, por isso, desenvolvido várias literaturas em que conseguiu demonstrar o pensamento misesiano e se expressar acerca dos temas de liberdade individual, liberdade econômica, politica econômica e economia de mercado.

Realizei a leitura da 8ª Edição revisada do livro As Seis Lições publicado em 2017. A leitura discorre sobre temas abordados ao longo de seis conferências realizadas na Universidade de Buenos Aires em 1959 e tinha como objetivo inicial conclamar a Argentina a sair da alternância entre a ditadura populista com marcas de socialismo e os presidentes militares igualmente intervencionistas para um regime de plena liberdade.

Na primeira lição (entenda, primeira conferência) Ludwing aborda “O Capitalismo” em sua essência, justificando que, na economia de mercado, não são os capitalistas ou empresários que determinam o que deve ser produzido, mas sim os consumidores, aqueles que compram os produtos; são eles que ditam a produção. Adicionalmente a isso, reforça que “cada homem tem o direito de servir melhor e/ou mais barato ao seu cliente”, o que, de fato, nos remete à metodologia do sistema capitalista vigente no mercado atual. Nessa lição, uma frase foi marcante para mim: “Sua mera existência é uma prova do êxito do capitalismo, seja qual for o valor que você atribua à própria vida”. Não há o que criticar, é como se a frase falasse sozinha. Apesar de não pensarmos nisso corriqueiramente, todas as ações necessárias em nosso dia a dia permeiam um sistema que, bom ou ruim, teve êxito.

Na segunda lição, é a vez do Socialismo. Mises inicia o capítulo falando sobre liberdade econômica e, dentro desse contexto, sinaliza que são dados às pessoas a liberdade e o poder de escolher o próprio modo de interagir na sociedade. São pessoas livres para escolher seus caminhos e suas carreiras. Livres! Em contrapartida, nos mostra como a metodologia socialista impede o indivíduo de ser livre e tomar suas próprias decisões, haja vista que quem define o que você vai ser é o governo e, assim, ele dita a ordem de todas as coisas. E qual a consequência? O sistema econômico passa a ser dominado não mais pelos consumidores, e sim pelo governo, afetando tudo na sociedade subordinada ao mesmo.

Na terceira e quarta lições, Mises discorre sobre o Intervencionismo e sobre a Inflação. “O melhor governo é o que menos governa” – a frase já diz tudo: compete ao governo garantir a proteção ao cidadão, defender o país dos inimigos internos/externos e combater a corrupção – isso, sob uma perspectiva de sistema livre e, diferente do exposto, o intervencionismo revela um desejo do governo de influenciar sempre mais e principalmente nos fenômenos do mercado. É quando falamos da inflação. Num governo intervencionista, quando tudo vai mal, o mesmo aumenta a quantidade de papel-moeda e, como consequência, tem-se uma queda progressiva do poder de compra da unidade monetária e, em contrapartida, a correspondente elevação de preços. Assim, toda uma situação econômica de mercado e política social e econômica são impactadas por ações governamentais impróprias.

Por fim, na quinta e sexta lições, Mises nos fala de sua percepção sobre o investimento estrangeiro e Políticas/Ideias, respectivamente. Ter uma percepção sobre as melhores ferramentas para aumento de produção e dessa forma, instigar investimento estrangeiro ao seu produto, pode ser um caminho a se percorrer para melhor desenvolvimento. Nesse contexto, Mises também evidencia que o investimento de capital no exterior desempenha um papel primordial no mundo dos negócios e na economia dos países. Inclusive, podemos citar que, sem esses investimentos, nações menos desenvolvidas não teriam as mesmas oportunidades dos dias atuais. Políticas de grupos de pressão, intervencionismos e interesses políticos e inflação são novamente tratados na última lição, e entendo que são vitais para que se ponham em prática as demais lições abordadas anteriormente. Como vimos, algumas tomadas de ação e conceitos causam estragos em grupos de pressão, que vivem dos privilégios de um sistema totalmente “desgovernado” e distorcido. Nessa perspectiva, torna-se de muito valor que vozes representativas que defendem a liberdade falem cada vez mais alto, mais claro e em bom tom. Somente assim será possível conscientizar a sociedade sobre a liberdade e, consequentemente, evitar desdobramentos de impacto a todo um sistema. Concluo parafraseando Mises: “ideias, somente ideias, podem iluminar a escuridão”.

Karen Meirelles Silva – Associada III do Instituto Líderes do Amanhã.

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