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O problema da subordinação da fé à agenda política: uma reflexão

Alguns amigos compartilharam trechos e fizeram comentários sobre a participação da escritora e professora na Universidade John Hopkins Chimamanda Adichie no programa Roda Viva – mais especificamente sobre as divergências de pensamento dela com a professora da Universidade Federal da Bahia, Carla Akotirene.

Devido a isto, decidi assistir ao Roda Viva completo para tirar conclusões dos trechos inteiros e me certificar de que não eram enganos ou informações distorcidas.

O que me surpreendeu no programa foram dois momentos que simplesmente me colocaram em questionamento sobre a mentalidade do brasileiro e de sua prática religiosa.

Carla Akotirene a todo momento tentou fazer um “bate bola” com a escritora sobre religiões africanas e como elas são formas de ressaltar uma conexão com a África e principalmente um “novo modelo” (sempre essa ojeriza ao suposto modelo europeu).

A escritora, católica de criação na África, além de não reconhecer nenhum orixá mencionado, uma vez que a Umbanda é uma religião afro-americana (sempre bom salientar a diferença dessas religiões para o animismo africano), estarreceu a professora da federal da Bahia ao afirmar que hoje a África ou é majoritariamente islâmica, ou cristã, que ela busca uma identidade cristã africana e considera isso muito mais relevante do que resgatar os antigos deuses. Ela afirmou também que expressa muita preocupação com as promessas da teologia da prosperidade no continente.

A professora Carla vendeu a Umbanda como uma religião política, um posicionamento revolucionário contra um modelo vigente – e eu não poderia lamentar mais este pensamento. Religião não deveria estar subordinada a uma agenda política e sim vinculada à dimensão espiritual. Você acredita, pois lhe faz bem e te deixa em paz com a fé. Eu mesmo voltei ao cristianismo, contra que me rebelei na adolescência, após experiências negativas de espírito e fé.

Esse uso político de fé para demarcação de representação na sociedade tem se tornado a nova crise espiritual da atualidade. Nem falo somente da Umbanda, mas também dos supostos cristãos que passaram a empunhar tal bandeira no contexto da defesa de Jair Bolsonaro.

Vivemos uma espécie de crise de espírito do século XXI.

*Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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