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A hipocrisia da esquerda ou: o genocídio que “pode”

Partidos de esquerda, os quais ostentam em suas siglas e campanhas partidárias o símbolo do regime mais funesto sobre o qual já se ouviu falar, que pregam abertamente a distribuição forçada e, portanto, violenta de riquezas, o uso do aparato estatal contra a inevitabilidade da desigualdade social, a taxação de ricos empresários que cometem o “crime” de satisfazer mais eficientemente às necessidades de seus concidadãos, uniram-se numa manifestação contra as supostas ingerências de Jair Bolsonaro. Não quero aqui fazer uma defesa dos atos presidenciais. Meus escritos em minhas redes sociais e em alguns artigos sobre o presidente e suas decisões em meio a essa pandemia já explicitam muito claramente meu posicionamento a respeito da conduta presidencial neste tempo sombrio de politização da pandemia.

Meu objetivo com o texto é evidenciar a contradição dos movimentos de esquerda que, levantando a bandeira da vida, acusam o governo federal de adotar comportamentos que beiram o genocídio, mas fazem frequentes mobilizações pelo assassinato em massa de crianças (embora chamem o ato de direito de escolha da mulher) e, não raro, tecem loas a assassinos e terroristas comunistas que, com crueldade, matavam quaisquer dissidentes que representassem ameaça à construção da utopia igualitarista.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que esteve presente nas manifestações, por exemplo, já prestou homenagens oficiais, em evento solene na Câmara dos Deputados, a ninguém menos que Karl Marx, o teórico da “Guerra de Classes”. Karl Marx foi aquele velhinho barbudo que moldou (e continua moldando) grande parte do pensamento ocidental, pensamento que levou países a adotarem o chamado estado de bem-estar social e uma ampla (e quase irrestrita) intervenção governamental nos assuntos econômicos. Os rastros deixados por sua teoria utópica podem ser encontrados em quase todos os países já que, em que pese o predomínio do regime de economia mista na maior parte deles, seus políticos e sua própria população clamam por intervenções governamentais cada vez mais profundas em assuntos que deveriam estar circunscritos à esfera privada.

O grande problema é que as ideias do mau velhinho não ajudaram a provocar apenas uma adoção em massa de um regime de economia mista (o regime fascista, aquele em que a propriedade privada existe apenas para garantir o esbulho estatal). Provocaram mortes e terrorismo em larga escala. Na obra intitulada O Livro Negro Comunismo, há um abrangente e vasto compilado de informações sobre todos os terrores perpetrados pelos regimes comunistas ao redor do mundo. Este era, afinal, o objetivo maior do marxismo. Nas palavras do próprio Marx, “Os comunistas rejeitam suavizar suas ideias e objetivos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pela violenta subversão de toda a ordem social vigente. Que as classes dominantes tremam de medo perante uma revolução comunista”!

A respeito da influência de Karl Marx na liderança de Lenin, diz um dos fragmentos da obra:

“Desde o início, Lenin e seus camaradas se situaram no contexto de uma “guerra de classes” sem perdão, na qual o adversário político, ideológico, ou mesmo a população recalcitrante era considerada – e tratada – como inimiga que deveria ser exterminada. Os bolcheviques decidiram eliminar legalmente, mas também fisicamente, toda oposição ou toda resistência – e mesmo a mais passiva – ao seu poder hegemônico, não somente quando esta era formada por grupos de adversários políticos, mas também por grupos sociais propriamente ditos – tais como a nobreza, a burguesia, a intelligentsia, a Igreja, etc., e também as categorias profissionais (os oficiais, os policiais…) – conferindo, por vezes, uma dimensão de genocídio a esses atos”.

O Livro, cuja leitura sugiro, traz vários relatos sobre fuzilamentos, campos de concentração, fome em massa e todo tipo de tortura que objetivava silenciar qualquer ameaça ao regime comunista.

Voltando à homenagem ao teórico da ditadura do proletariado, realizada, contraditoriamente, em ambiente em que estão concentrados os representantes eleitos democraticamente pelo povo (impossível não me lembrar de Hoppe e, mais uma vez, de seu clássico sobre a insustentabilidade da democracia), nas palavras do deputado Orlando Silva (PCdoB): “Hoje o marxismo continua tendo importantíssima influência em diversas áreas do conhecimento, e suas teorias e conceitos ainda são revisitados. Ademais, é importante notar que esses escritos continuam ainda servindo de respaldo teórico para discussões de cunho social e especialmente para a organização de muitos movimentos sociais”.

Na mosca! Movimentos sociais! As ideias do mau velhinho estão presentes em praticamente todos os movimentos da esquerda justiceira e alimentam as mais repugnantes ideias a respeito de igualitarismo. São movimentos que pretendem revolucionar o mundo para, após a vitória sobre a liberdade, dividir o butim. Movimentos que pregam vida, mas praticam e tecem loas a regimes que condenaram à morte milhares de dissidentes em todo o mundo.

A verdade inelutável, e que não será apresentada pela mídia mainstream, é que as manifestações ocorridas no último fim de semana não podem ser chamadas de democráticas ou de pacíficas. A simples presença da foice e do martelo deveria render a esses atos a alcunha a que fazem jus. São antidemocráticos. Pregam o fim dos direitos naturais e, ironicamente, insinuam que genocida é quem defende o direito à liberdade natural.

Portanto, e resumidamente, caro leitor, se você vir alguém ostentando, contraditoriamente, uma bandeira pró comunismo e, aos berros, tachando de genocida quem não ousou fechar, neste período de pandemia, a porta de um empreendimento privado que busca apenas o lucro que paga salários, tenha certeza, você estará diante do verdadeiro genocida.

Juliano Oliveira

Juliano Oliveira

É administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.