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Por que você ouviu falar no Big Brother Brasil?

Cá entre nós, você já deixou de assistir a esse programa há alguns anos? Mas conhece alguém que ainda assiste, está em um grupo de WhatsApp que comentou sobre o programa ou ouviu alguém do trabalho comentando? Eu descobri nesse mês que sou uma alienada das futilidades modernas, ou apenas uma alienada atual, e por mais que eu não busque os meios desses temas e assuntos, eles vieram até mim como algo inevitável. E quais seria essas futilidades modernas? Todas aquelas coisas que não mudam sua vida em nada, ou quase nada, que, se você viver sem, não iria te fazer falta e que podem ser facilmente substituídas por algo melhor, mais relevante.

Parei de assistir à TV aberta há algum tempo e até os canais fechados. Com isso, tive 90% de ruptura com programas de TV, propagandas, informativos, que eram comuns em conversa de corredor. Comecei a não saber o que acontecia na novela e isso me fez não entender algumas piadas e memes. Pare um segundo: há quanto tempo existe a palavra meme? Acredito que não conseguirei acompanhar as mídias modernas também. A velocidade com que as mudanças acontecem, quanto à informação e ao volume de dados, gera uma corrida incessante ao que é novo, moderno e atual.

Vivemos em um mundo digital e conectado, então comecei a ter inserções as quais nunca imaginava no Instagram, no podcast, e entendi que eu não conseguiria conhecer o meme do cantor sertanejo que fez a última Live do final de semana e ficou bêbado em frente às câmeras, e tudo isso seria normal. Tinha um lado bom nisso também: pelo menos absorvi menos hipocrisia. Outro dia vendo o site de um jornal, vi uma notícia, um pouco sensacionalista, mas que me chamou atenção por parecer alguém importante na foto, de algum cargo público e acabei descobrindo ser um artista que falava algo polêmico sobre minorias, da qual ele faz parte.

Se você não assiste ao programa da TV Globo, o Big Brother Brasil, o BBB, ele vai chegar de alguma forma até você. Ou por uma crítica no seu podcast favorito, ou por um amigo que assiste, ou até mesmo por uma crítica no grupo de WhatsApp do instituto ao qual você faz parte. Fui surpreendida, na última quinta-feira à noite, ao ouvir gritos revoltados dos meus vizinhos pela janela. Como já estava deitada para dormir, levantei prontamente e pensei: “um pronunciamento político nesse horário, que estranho”. Liguei a TV em um canal aberto, o que tem maior audiência, e descobri que os gritos revoltantes eram para a “vilã” do BBB, que ganhou a liderança e imunidade.

Assim, escrever uma crítica é uma forma de propagar, escrever uma resenha também. Quanto mais eu nego, mais eu trago holofotes para esse assunto. E assim me vem a reflexão, o que realmente importa? Quanto tempo é gasto em analisar o comportamento do outro em um reality show, sendo que eu não consigo mudar meu hábito de procrastinar a arrumação da minha mesa do escritório ou do home office…

Não posso ser radical a ponto de não usar um meme para dar algumas gargalhadas altas, ou um vídeo bobo de um cachorro e soltar uma respiração profunda, ou até mesmo me emocionar com uma boa ação de quem eu não tenho a mínima ideia de quem seja. Isso nos torna humanos e é normal se distrair, se emocionar e se ver no outro com empatia.

Entenda que minha crítica é direcionada à obrigatoriedade de ter um posicionamento, ou saber sobre o assunto que não deveria tomar os centros das atenções diante de coisas mais relevantes para o país ou para você mesmo. Você deveria entender o que é mais relevante para você e não precisar pensar no Big Brother Brasil para entender a manifestação da sua vizinhança e as bandeiras levantadas pelas pessoas que lá estão confinadas.

No período de abstinência digital, passei a ter mais tempo para leitura, para visitar meus pais e até mesmo para cozinhar, que é um hobby que amo. Em cada momento desligada do mundo, me ligava mais comigo, era um prazer fazer algo para mim, passar horas em silêncio, uma conexão tão grande que quis começar a meditar, ficando feliz com o fato de se encarar, se conhecer e se desenvolver.

Meu caro amigo, se isso não faz sentido para você, não se preocupe, você ainda é uma pessoa normal, independente de que escolha faz. Ainda não consegui definir, talvez você me ajude: quem afinal seria o verdadeiro alienado digital da sociedade moderna?

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Samara Gnocchi Repossi.

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