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“Feliz aniversário”, Karl Marx!

Hoje Karl Marx completaria 203 anos. O pai do Socialismo Científico nasceu em 5 de maio de 1818, em Tréveris, Alemanha. Faleceu em 14 de março de 1883 e está sepultado no cemitério de Highgate, no norte de Londres, na Inglaterra. Marx, entre suas loucuras absurdas revolucionárias, viveu por tentar refutar Adam Smith (1723 – 1790), Pai da Economia Moderna e um dos maiores expoentes do liberalismo clássico até hoje – a quem nitidamente demonstra inveja em seus escritos. Porém, levou trevas ao mundo mediante uma obra confusa, obscura e controversa – além de potencialmente genocida.

Junto de – e sustentado por – Friedrich Engels (1820 – 1895), Marx escreve na metade do século XIX O Manifesto do Partido Comunista, um manual revolucionário que fomenta a luta de classes, defende o fim da propriedade privada e, de forma explícita, convoca a classe do proletariado a exterminar os burgueses – as famílias empregadoras e geradoras de renda. Em seguida, dedica-se aos três densos volumes de O Capital, em que o autointitulado filósofo e economista faz críticas à Mais-Valia (segundo ele, o excedente de produção não remunerado pelo patrão – seu lucro, portanto), o capital variável e a remuneração da classe operária. Na obra, o alemão “analisa” aspectos do modo de produção capitalista, vista por ele como “exploração” do patrão ao operário, e critica a economia política e a classe burguesa em geral, assim como tece duras críticas e ironias a Adam Smith. Defende o coletivismo e o controle do Estado sobre os meios de produção e indivíduos.

Poucos revolucionários de esquerda atualmente leram O Capital, livro técnico, prolixo e, como já escrevi aqui, escrito de trás para frente. Diferentemente de Max Weber, que faz uma análise crítica do capitalismo de forma empírica, analisando pontos positivos e negativos, Marx entulha O Capital de “achismos”, o que coloca a credibilidade científica de seu trabalho em descrédito. Isso foi reconhecido e sustentado por amigos próximos a Engels, inclusive, que afirmaram que O Capital precisava de revisão.

O maior problema é que o “socialismo científico” de Marx fora a força-motriz que faltava para impulsionar os socialistas. Lênin e Trotski foram pioneiros em colocar a revolução marxista em prática. O resultado, sabemos: da URSS ao mundo, o comunismo ceifou mais de 100 milhões de vidas.

Ainda hoje, porém, Karl Marx é idolatrado na academia brasileira. Em disciplinas como sociologia, filosofia e antropologia, haja vista que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (o deus da antropologia), considerado como fundador da antropologia estruturalista, tinha Marx correndo em suas artérias.

Marx ganhou parte do mundo. Um mundo que ele ajudou a destruir com uma filosofia que gerou miséria e barbáries ao longo dos últimos 100 anos. Um dos pais da Escola Austríaca de Economia, Ludwig von Mises, refutou Marx de forma magistral. É muito simples perceber as aberrações e discrepâncias da obra de Marx, porém Mises desenha isso de modo tão claro que o mais simples indivíduo consegue compreender. Ele afirma: “O sistema econômico marxista, tão elogiado por hostes de pretensos intelectuais, não passa de um emaranhado confuso de afirmações arbitrárias e conflitantes”. Quando li a obra de Marx lá no início da faculdade de jornalismo (o fiz por conta própria), tive a impressão exata do que constata Mises.

Aliás, preciso aqui fazer justiça; meu professor de Sociologia Geral fundamentou a disciplina no tripé da sociologia: Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber. Apresentou os pensadores de forma técnica. Não fez nenhuma apologia a algum deles e, no final, na avaliação escrita – referindo-se especialmente a Marx, disse: “a dissertação sobre os autores pode ser crítica”. Palmas para esse professor! Foi com ele que aprendi, inclusive, coisas boas sobre o “semi-liberal” (como diria Merquior) Max Weber e seus “tipos ideais”.

O economista austríaco, Friedrich A. Hayek (1899 – 1992), agraciado com o Nobel de Economia em 1974, refuta Marx com uso de John Locke (1632 – 1704), em trecho de seu livro Os Erros fatais do socialismo – porque a teoria não funciona na prática: “‘O individualismo possessivo’ de John Locke, por exemplo, não era apenas uma teoria política, mas o produto da análise das condições às quais a Inglaterra e a Holanda deviam sua prosperidade. Baseava-se na percepção de que a justiça que a autoridade política deve fazer cumprir, se quiser assegurar a cooperação pacífica entre os indivíduos sobre a qual repousa a prosperidade, não pode existir sem o reconhecimento da propriedade privada: ‘Onde não há propriedade [privada] não há justiça’ é uma proposição tão exata quanto qualquer demonstrada de Euclides […]”. Em seguida, Hayek cita o filósofo escocês Adam Ferguson (1723 – 1816): “Deve ficar bastante evidente que a propriedade é uma questão de progresso”.

Sobre o Estado, que para Marx deveria ser detentor dos meios de produção e da propriedade privada, o economista e jornalista francês, Frédéric Bastiat (1801 – 1850) profere: “O Estado é essa grande ficção pela qual todos tentam viver à custa de todos os demais”. E aqui não faltam exemplos práticos: basta compararmos a diferença de desenvolvimento entre a comunista e fechada Coreia do Norte e a capitalista Coreia do Sul.

O coletivismo, outro ponto defendido por Marx, foi refutado por dezenas de intelectuais e pela história. Aqui, para não ser prolixo, no entanto, vou me abster à questão da liberdade individual no sentido social, sem entrar na discussão sobre força de trabalho coletiva, que, sabemos, foi um desastre nos países socialistas. De forma brilhante, Hayek discorre a respeito da liberdade individual e da (não) coerção: “[…] A questão, pois, é como garantir a maior liberdade possível a todos. Isso pode ser feito restringindo uniformemente a liberdade de todos através de regras abstratas que evitem a coerção arbitrária ou discriminatória de, ou por outras pessoas e impedem cada um de invadir a esfera de liberdade de qualquer outro. Em suma, fins concretos comuns são substituídos por regras abstratas comuns. O governo é necessário apenas para fazer valer essas regras abstratas e, por meio delas, proteger o indivíduo contra a coerção, ou a invasão da sua esfera de liberdade, por outros”.

O economista e político brasileiro, expoente do liberalismo em nossas terras, Roberto Campos (1917 – 2001) ironiza a ideia socialista de igualdade: “não me iludi com o totalitarismo de esquerda por um raciocínio muito simples: Deus não é socialista. Criou os homens profundamente desiguais”.

Para findar o “parabéns coletivo” de pensadores que dedico a Marx em seu aniversário póstumo, não poderia deixar de citar duas célebres constatações de dois britânicos incríveis: “O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros” proferiu a ex-primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher (1925 – 2013). Um fato irrefutável. O estadista Winston Churchill, intelectual extraordinário, dono de uma percepção de erros políticos, geopolíticos e ideológicos, fechou a tampa do caixão das teses de Marx com a famosa sentença: “O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja. Seu defeito, inerente, é a distribuição igualitária da miséria”.

Em pleno século XXI, infelizmente ainda existem países regidos pela ideologia comunista de Karl Marx. Todos têm algo em comum: são sinônimos de atraso e miséria. No próximo texto, falaremos sobre os resultados dessa ideologia nos países ao longo da história.

No texto subsequente – pensaram que eu esqueceria? -, farei uma abordagem mais aprofundada de como Mises, de fato, refutou Marx, comprovando a inviabilidade do cálculo econômico sob o socialismo científico de Marx, o que inviabiliza uma racional alocação de recursos e provoca escassez generalizada nos países. Além de Mises, outros intelectuais refutaram as ideias marxistas. As discrepâncias vão desde teses errôneas como o uso de dados falsos por Marx, como declarou o jornalista e historiador britânico Paul Johnson (1928-): “A totalidade do capítulo VIII do livro O Capital é uma falsificação deliberada e sistemática para provar uma tese que um exame objetivo dos fatos mostrou ser insustentável”.

Feliz aniversário, Marx!

REFERÊNCIAS :

Hayek, Friedrich A. von, 1899-1992. Os erros fatais do socialismo / F.A Hayek; tradução Eduardo Levy. – 1. ed. – Barueri: Faro Editorial, 2017.

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer é jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). De 2015 a meados de 2019, trabalhou no Jornal NH e na Rádio ABC. Editorial Sinos. Entre 2020 e 2021, foi assessor de imprensa do deputado federal Marcel van Hattem, na Câmara dos Deputados (Brasília). Além de colunista e autor no Instituto Liberal (RJ), é colunista dos sites Opinião & Crítica e Tribuna Diária. Atualmente exerce o cargo de Diretor de Gestão Integrada na Secretaria de Segurança Pública de Novo Hamburgo. Autor de A filosofia do fracasso: ensaios antirrevolucionários (Viseu, 2020), República Democrática do Pensamento Único (Almedina, 2021) e coautor de Introdução ao Liberalismo (Almedina, 2021).