Pode ocorrer no Brasil o mesmo fenômeno ocorrido na última eleição presidencial francesa?

A mais recente ladainha disseminada por palpiteiros semiprofissionais e papagaios repetidores de teses facebookianas é que a alta rejeição ao candidato Jair Messias Bolsonaro, registrada tão somente por Ibope e Datafolha (já que os números apurados pelos demais institutos de pesquisa são muito mais baixos), seria capaz de desencadear no Brasil o mesmo fenômeno ocorrido na […]

A mais recente ladainha disseminada por palpiteiros semiprofissionais e papagaios repetidores de teses facebookianas é que a alta rejeição ao candidato Jair Messias Bolsonaro, registrada tão somente por Ibope e Datafolha (já que os números apurados pelos demais institutos de pesquisa são muito mais baixos), seria capaz de desencadear no Brasil o mesmo fenômeno ocorrido na última eleição presidencial francesa.

Na ocasião, Marine Le Pen foi a mais votada no primeiro turno do pleito. No segundo, todavia, perdeu por larga margem, pois seu adversário, Emmanuel Macron, arrebatou o apoio de todos os demais partidos envolvidos na disputa. Todas as vertentes da Esquerda e da Direita uniram-se contra a conservadora, garantindo uma vitória acachapante para seu oponente.

Alegando que uma conjuntura de fatores semelhante em nosso país poderia vir a conduzir a extrema-esquerda ao Palácio do Planalto (leia-se: Ciro, Marina ou PT) em 2018, há quem esteja propondo um “voto útil” de conservadores, liberais e social-democratas no QUARTO colocado nos levantamentos de intenção de voto, Geraldo “Merenda” Alckmin, como forma de evitar um mal maior.

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Pois bem: será mesmo que o cenário atual permite suspeitar que Bolsonaro possa vir a ser nosso “Le Pen de calças”? Vejamos:

1) Todas as simulações de um eventual segundo turno, as quais vem apontando para prováveis derrotas do Capitão contra qualquer desafiante, são absolutamente falhas por desconsiderarem um aspecto decisivo: a lei eleitoral prevê que o tempo de TV e rádio seja dividido de maneira igual entre os dois remascentes na corrida pela Chefia do Executivo Federal.

Ou seja, Bolsonaro, que hoje dispõe de míseros segundos de propaganda eleitoral, terá uma eternidade para falar aos brasileiros em rede nacional – e ele, em toda oportunidade que lhe foi dada para tal, saiu-se muitíssimo bem, como na fatídica entrevista ao Jornal Nacional;

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2) A coligação que redundou na vitória de Macron em 2017 foi fruto da habilidade política do atual presidente francês e de seus correligionários. Também a sua notável (mas nada elogiável) capacidade de falar a vários tipos de públicos simultaneamente e a todos agradar de algum jeito contribuiu em muito na empreitada.

Daí vem à tona a questão: qual dos adversários de Bolsonaro seria capaz de promover tal articulação no Brasil? Qual deles conseguiria agradar aos ouvidos de todas as tribos que não votam no Bolsonaro e conjugá-las num esforço concentrado contra ele?

Arrisco a resposta: absolutamente nenhum! Ou seja, é grande a chance de que um alto percentual daqueles que declaram antipatia ao candidato do PSL simplesmente abstenham-se de votar na segunda fase da eleição, dado que a alternativa lhes será pouquíssimo palatável.

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3) Assim como ninguém nega que muita gente que vai votar em Bolsonaro esconde tal informação com receio de retaliações por parte dos “intolerantes com a intolerância” (os perpetradores do famigerado ÓDIO DO BEM), também há pessoas que afirmam que “no Bolsonaro não voto nem sob tortura” apenas como escudo contra perdigotos, insultos, demissões e rupturas de amizades. Só eu conheço uma meia dúzia de pessoas que assim procedem, em legítima defesa da própria honra e integridade física.

 

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