Os sinais de que o marxismo cultural é o ópio da universidade contemporânea

O filósofo socialista revolucionário alemão Karl Marx lutou por demonstrar que a religião era a imagem invertida da vida, ideologia por excelência, num tempo de questionamento da relação da religião com as demais áreas da vida humana (política, econômica, cultural, educacional, etc.). Mal sabia ele que seu esforço na luta contra a religião fez de seu próprio sistema “sócio-político-econômico” uma religião para religioso nenhum botar defeito. Aqueles que se dizem adeptos a determinada religião, quando praticantes fervorosos, assumem seus ideais e tornam-se disseminadores ferrenhos dos dogmas de sua religião, a fim de que algum tipo de “salvação” num estado final de coisas, a saber, o paraíso escatológico, seja alcançado por aqueles que aceitam esta mensagem de salvação. Neste caso, o marxismo assume um status de religião materialista em que seu deus é o acaso ou o próprio ser humano. Como em toda religião que pratica atividades de disseminação de seus dogmas, temos no marxismo seus missionários, também conhecidos como agentes da revolução. Em outras palavras, aqueles que dão as suas vidas pela causa do marxismo.

O problema maior de tudo isso é que justamente na esfera da educação, sobretudo em ambientes de ensino médio e superior, se encontra grande parte destes pregadores do “evangelho marxista”. O maldito ciclo de preservação e de disseminação dos ideais de esquerda tem sido difícil de ser rompido. O aluno inocente chega ao ensino médio e nas disciplinas de sociologia e filosofia é bombardeado por ideais de esquerda travestidos de boas intenções. Passado o ensino médio este aluno, quando vai para a área de humanas, recebe mais uma metralhada de esquerdismo. A bibliografia é sordidamente amputada sobrando apenas autores esquerdistas, materialistas-históricos e correlatos. O aluno se forma e vai dar aula no ensino médio para repetir a mesma papagaiada marxista a outros alunos, ou seja, a praga não tem fim.

Leia também:  Regulamentação da profissão de artista: a República das Guildas

Outro dia desses na aula de “esquerdismo” o professor concluiu categoricamente e assumiu como opinião pessoal que a polícia militar, sem exceção, deveria acabar. Que a sociedade é inimiga da polícia militar não os bandidos. Que eles são treinados para atacar o povo, sendo bandido ou não. Quase que de imediato questionei esta fala e não demorou nem um minuto, logo as caras e bocas dos alunos se mostraram enfezadas em tom de desaprovação, pois acreditam assim como a professora que os policiais são treinados para atacar o povo, além de serem muito violentos. Eles defendiam que o policial deve dar um tratamento first-class para os bandidos, agindo com força apenas quando já levaram um tiro na testa. O interessante é que muitos que defenderam esta posição vivem fumando maconha e aplaudindo a violência oriunda da esquerda, até porque quando a violência parte da esquerda é para uma boa causa, ou seja, para a famigerada revolução.

Leia também:  Você prefere cair novamente no conto do vigário?

No mesmo momento me lembrei de que estou rodeado por universitários que já tiveram as suas mentes impregnadas de esquerdismo no ensino médio. Os missionários marxistas também conhecidos como professores têm feito bem a lição de casa ao beberem de fontes como Herbert Marcuse, Antonio Gramsci, Che Guevara e Cia., até se perderem em suas ressacas. Entretanto, o mais nojento de tudo isso são os efeitos de suas ressacas: vivem vomitando no ouvido dos alunos teorias como a luta de classes, maquiam o banditismo como se os bandidos fossem coitadinhos e às vezes até heróis, invertendo a lógica social para fins de emplacar a sua mensagem salvadora rumo ao paraíso na terra.

Por fim, aquilo que na fé cristã ficou conhecido como Reino de Deus, também mencionado como “A Nova Jerusalém”, na fé marxista é conhecido como Comunismo. Na primeira temos um paraíso em que o próprio Deus é O mantenedor da vida e ilumina toda a nova realidade eterna. Na segunda temos um paraíso na terra sem Deus, em que os seres humanos são seus próprios deuses com corações bondosos e cheios de afeto uns pelos outros. Uma situação tão bizarra de crença na bondade humana que, se na hora de dividir o lanche nos intervalos de aula, uns sempre pegam mais que os outros quase sempre deixando alguém sem nada, imagine uma ilha da fantasia em que a sobrevivência da humanidade depende da boa vontade de todos que nela habitam?

Leia também:  Está na hora de falarmos sobre privatizações

Portanto, há um fato inegável em tudo isso: Marxistas são indivíduos de mais fé do que propriamente a direita-cristã! Na fé cristã a ideia de Paraíso não depende dos cristãos, mas de uma intervenção de Deus na história já que isto é algo impossível ao ser humano. Já o Paraíso marxista só depende deles mesmos. É a tal fé cega que crê no impossível, sem que algum ser superior divino possa tornar possível tal utopia.

“Uns se entorpecem de cachaça, outros de maconha, outros ainda de religião. Já o marxista vive entorpecido por de tudo um pouco. É o verdadeiro ópio do povo e de ópio, convenhamos, eles entendem bastante.”

Sobre o autor: J. Liberal é acadêmico e analista político.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal no Patreon!