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Os riscos da cultura “woke” no ambiente empresarial

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Nos últimos anos, o conceito de “cultura woke” vem ganhando espaço em diversos setores, incluindo o meio empresarial. Esse movimento sugere a conscientização sobre questões de igualdade social, racial e de gênero. Embora a intenção seja de melhorar o ambiente de trabalho, sua aplicação, especialmente no setor de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC), sempre gera debates importantes. A minha perspectiva sobre o assunto aponta para possíveis riscos e desvios que essa tendência pode causar nas empresas.

Recentemente, participei de um evento no qual uma palestra abordava a “Liderança pelo exemplo na Indústria AEC: Criando uma cultura de pertencimento”. Durante a exposição, foi mencionada a “regra do pescocinho”, que sugere que os colaboradores e líderes observem se há pessoas semelhantes a eles na empresa para determinar se pertencem ou não ao local. Essa abordagem, aparentemente inclusiva, esconde perigos significativos.

Primeiramente, a ênfase excessiva em identificar e categorizar pessoas com base em características físicas, culturais ou de gênero pode levar à criação de um ambiente de trabalho onde as habilidades técnicas e a competência profissional se tornam secundárias. Em um setor tão especializado e técnico como o AEC, em que a precisão e a eficácia são fundamentais, essa abordagem pode comprometer a qualidade do trabalho e a produtividade. A inovação e o progresso técnico, que são cruciais para o desenvolvimento da indústria, podem ser ofuscados por uma preocupação desproporcional com a composição demográfica da equipe.

Além disso, essa cultura pode incentivar a formação de grupos dentro da empresa, em que os mesmos se formam com base em semelhanças superficiais em detrimento da colaboração e do intercâmbio de ideias. A diversidade de pensamento, que é um motor para a inovação, pode ser comprometida quando as pessoas são incentivadas a se agrupar com base em identidades compartilhadas. Isso pode levar a um ambiente de trabalho fragmentado e a um clima organizacional menos coeso.

Outro ponto preocupante é o potencial para a criação de uma espécie de discriminação reversa. Ao se enfatizar demais a contratação de indivíduos de certos grupos, corre-se o risco de marginalizar ou desvalorizar profissionais que não se enquadram nessas categorias, mesmo que possuam habilidades e competências excepcionais. No contexto atual, em que a escassez de mão de obra qualificada já é um desafio, essa abordagem pode agravar a dificuldade em encontrar profissionais competentes, independentemente de sua origem ou identidade.

Defendo que a capacidade técnica e o mérito profissional devem ser os principais critérios para a contratação e promoção em qualquer empresa, especialmente em setores altamente técnicos como o AEC. A diversidade não deve ser o fator determinante na gestão de recursos humanos. As empresas devem se preocupar com que todos os colaboradores, independentemente de suas características pessoais, sejam valorizados por suas habilidades e contribuições profissionais.

Em conclusão, enquanto a intenção de promover um ambiente de trabalho inclusivo e diversificado for um assunto posto em pauta, é inevitável que as empresas percam o foco na competência técnica e na meritocracia. A cultura “woke” pode levar a uma série de consequências negativas, como a diminuição da eficiência, a fragmentação do ambiente de trabalho e a potencial discriminação reversa. Portanto, é crucial buscar manter altos padrões de competência e profissionalismo em todos os setores.

*Gabriela Moraes é associada do Instituto Líderes do Amanhã. 

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