O tempo para Henrique Meirelles mostrar serviço está se esgotando

Antes do impeachment de Dilma Rousseff, o então presidente do partido Michel Temer anunciou no início de 2016 que em 2018 o partido – o maior do país – planejava lançar uma candidatura própria. Assim, trabalhariam para buscar um nome e lançar uma candidatura competitiva.

Com o afastamento da petista, cresceu a ideia de que esse nome seria o próprio Michel Temer. Para isso, ele precisava ser bem sucedido no governo, liderar o país para sair da recessão e pacificar um cenário político turbulento.

Para tanto, formou um dream team na equipe econômica, liderada por Henrique Meirelles na Fazenda e Ilan Goldfajn no Banco Central. A turbulência política no governo Temer ao longo de 2016 foi enorme, mas o governo conseguiu aprovar a PEC do Teto e encaminhar a reforma trabalhista. O vazamento dos áudios da delação de Joesley Batista, em maio de 2017, porém, solapou o pouco que restava da popularidade de Temer. O governo utilizou todo seu capital político para conseguir suspender as denúncias contra a presidência, mas a Reforma da Previdência restou prejudicada, e qualquer cogitação de que Temer poderia lançar-se à presidência foi afastada.

O partido então precisava de um outro nome, que defendesse as realizações do governo Temer e fosse competitivo. Chegou a sondar João Dória, mas o tucano optou por continuar no PSDB e disputar o governo paulista.  

Sem espaço no PSD após negociações entre Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles sonhava em ser presidente e foi convidado pelo MDB para representar o partido e ser um candidato reformista no pleito.

O nome de Meirelles parecia proeminente. Em uma eleição cujo eleitorado sonhava com um outsider, o ex-presidente do BankBoston nunca teve padrinho político, jamais bajulou legendas e todo seu capital reputacional se dava por sua técnica. Ex-presidente do Banco Central no governo Lula, trata-se de um dos profissionais mais disputados no segmento bancário nos EUA e que aceitou liderar o Ministério da Fazenda.

Apesar do desejo interno do MDB em ter candidatura própria, não é garantia que o nome de Meirelles estará nas urnas em outubro. Em meio à pré-campanha, ele precisa fazer seu nome decolar nas pesquisas a fim de se mostrar viável antes das convenções partidárias de julho. E é justamente esse o maior impasse de Meirelles.

O presidenciável defende seu legado no Ministério da Fazenda, com a PEC do Teto dos gastos públicos, a renegociação de dívida dos Estados, a queda da inflação e dos juros a taxas históricas. Argumenta ainda em favor da Reforma Trabalhista e da Reforma do Ensino Médio. Alerta para a necessidade de Reforma da Previdência. Advoga que a população entenderá que é melhor reformá-la e ter certeza que haverá recursos que garantam a sua aposentadoria. E é ótimo ao debate público haver presidenciáveis que não mintam sobre a real situação das contas públicas do país.

Contudo, políticos precisam transmitir esperança e ser queridos pelos eleitores. Isso não passa apenas por propostas, mas até por boa aparência. Não foi à toa que João Santana obrigou Dilma Rousseff a fazer plástica, mudar o sorriso, realizar diversos tratamentos estéticos, novo corte e cor de cabelo, passar a usar maquiagem e mudar todo seu guarda-roupa. E o carisma de Meirelles é semelhante a um médico que lhe recomenda quimioterapia.

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Ademais, ele demonstra clara dificuldade quando precisa falar de pautas que vão além da econômica. Uma candidatura competitiva precisa ter um discurso diversificado, algo que o presidenciável não tem conseguido fazer. Em sua entrevista no Roda Viva, por exemplo, foi o único candidato até o momento que limitou os temas das perguntas a que poderia responder – algo que demonstra falta de preparo. Nos últimos dias, tentou expandir suas propostas e prometeu liberar o consumo de maconha, mas ainda é pouco para as urgências demandadas pelo eleitorado.

As dificuldades e limitações de Meirelles aumentam a chance de que o grupo de Temer no MDB – que vence as disputas internas há 2 décadas – opte por abandonar a ideia de candidatura própria e apoie outro candidato. O que atrapalha as negociações de coligação com outra chapa – e favorece Meirelles – acaba sendo a rejeição do governo Temer, que faz Geraldo Alckmin titubear de apoiá-lo publicamente.

De toda sorte, o prazo para Meirelles mostrar serviço está se esgotando…

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