O show de populismo de Lula no segundo turno

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A menos de duas semanas do segundo turno das eleições de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu sua caixa de ferramentas e está dando uma aula de como um populista utiliza a máquina pública para tentar se reeleger. E o melhor: a conta vai para você!

Em seu artigo, Lucas Berlanza conta sobre a medida de aumento do Bolsa-Família. Por isso, vamos às outras medidas.

A proibição de bets no Brasil, por exemplo. Independentemente do debate sobre a liberdade de escolha ou dos danos que as apostas podem causar às famílias, o fato é que Lula se aproveitou ao máximo da arrecadação de impostos desse mercado para somente agora proibi-lo. Faltando apenas dez dias para o primeiro turno das eleições de 2026, Lula emitiu uma Medida Provisória (MP). Questionado no podcast Flow sobre por que tomou essa decisão apenas agora, o presidente apenas respondeu “não sabia”. Curiosamente, a gravidade parece ter se tornado evidente justamente às vésperas das eleições.

O preço da gasolina também está dentro desse pacote de maldades. O governo federal já comprometeu dezenas de bilhões de reais em subsídios e desonerações para conter a alta dos preços. Logo após o primeiro turno, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou a ampliação da desoneração dos tributos federais sobre a gasolina, zerando suas alíquotas. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o novo pacote, que também contempla etanol e diesel, terá impacto fiscal estimado em R$ 5,2 bilhões em apenas 30 dias.

O custo de segurar os preços dos combustíveis é apenas transferido. O contribuinte arca com a conta, mesmo que não saiba. O dinheiro que o governo poderia ter usado para comprar mais medicamentos ou usar na segurança pública vai apenas para tentar conter possíveis danos na arrecadação de votos.

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O perdão das dívidas dos MEIs é outro problema. A apenas doze dias do segundo turno, Lula anunciou que enviará ao Congresso um projeto para perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). A justificativa é ajudar os pequenos empreendedores endividados. Além do problema econômico que os economistas chamam de risco moral (moral hazard), a esquerda ridicularizou os MEIs após o resultado negativo no primeiro turno.

O problema econômico gerado por essa medida é a criação da expectativa de que outras dívidas também poderão ser perdoadas futuramente. Isso pode reduzir os incentivos para o pagamento pontual dos tributos, uma vez que alguns contribuintes podem preferir esperar por um novo perdão. Além disso, qual é a mensagem transmitida àqueles que fizeram sacrifícios para manter suas obrigações em dia?

Ao mesmo tempo, após o primeiro turno, setores da esquerda voltaram seus canhões contra os chamados “pobres de direita” e “CEOs de MEI”. Embora se apresentem como defensores dos trabalhadores, alguns não hesitaram em ridicularizar aqueles que rejeitam o paternalismo governamental e desejam ascender socialmente por meio do próprio trabalho e do mérito. O fato de muitos pequenos empreendedores se autodenominarem CEOs não significa que pretendam se equiparar a grandes empresários. Para muitos, a expressão representa apenas o orgulho de trabalhar por conta própria e a ambição legítima de prosperar.

Por fim, no último dia treze, Lula anunciou através de um vídeo a ampliação do programa do pé-de-meia para universitários.

“Estou aqui com os estudantes universitários brasileiros, garantindo para eles que a gente está criando para o próximo governo o Pé-de-Meia Universitário. Garantindo que todo jovem estudante das escolas universitárias vai receber R$ 700 de poupança por mês durante dez meses e ao fim do ano depositaremos R$ 2.500. Como o curso é de quatro anos, quatro vezes de R$ 2,5 mil dá R$ 10 mil. Quando ele se formar, vai ter R$ 10 mil para começar a sua iniciação profissional”, asseverou.

Infelizmente, essas medidas podem ser vistas como algo benéfico pela parcela da população desinformada. O perdão de dívidas implica abrir mão de receitas públicas, enquanto subsídios exigem recursos do orçamento. Em ambos os casos, os custos precisam ser considerados. A única coisa que o governo não considera é o custo, ele quer se reeleger. Sem contar a última medida sobre o pé-de-meia, os gastos em meio à campanha já somam mais de R$ 354 bilhões.

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Adriano Dorta

Adriano Dorta

É estudante de economia, com foco de pesquisa em escolha pública e economia política.

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