A esquerda e a banditocracia do bem

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O Brasil inovou até na delinquência. Aperfeiçoamos o vandalismo e lhe demos um selo de virtude. Depredar estação de metrô, pichar patrimônio público, quebrar vitrine. Em qualquer país civilizado, isso tem nome. Crime. Basta a bandeira vermelha para surgir o intérprete. Não era vandalismo, era manifestação. Não era crime, era resistência democrática. Não era baderna, era consciência social.
É a banditocracia do bem.

O militante petista destrói o que nunca construiu, prejudica quem jura defender e ainda exige reconhecimento por sua superioridade moral. O trabalhador perde o transporte, o comerciante limpa a fachada, o contribuinte paga a conta.

O revolucionário caviar comemora sua vitória imaginária contra o capitalismo e o “autoritarismo” com uma lata de tinta, uma indigência intelectual com ambições históricas e uma abissal dose de canalhice.

O lulopetismo não inventou a violência política. Aperfeiçoou sua desculpa. A nobreza da causa daria licença para quebrar a lei.

É a mesma perversão que relativiza o terrorismo quando a vítima está do lado errado da história, recicla o antissemitismo como humanitarismo e antissionismo e transforma intolerância em credencial de virtude.

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Lula discursa, maltratando a língua portuguesa, sobre pacificação enquanto seu campo político divide o país entre virtuosos e inimigos.

A divisão social, longe de ser um acidente, é apresentada como método político. O adversário não merece debate. Merece desmoralização e exclusão.

Onde estão os indignados profissionais quando a violência veste a camisa da estrela vermelha? Silêncio. Ou uma tese sociológica para dar verniz de justiça à própria hipocrisia.

O batom da oposição é atentado à democracia. A pichação da companheirada é consciência social. Mesmo quando o dano é maior, a indignação parece inversamente proporcional à cor da bandeira.

A lei não pode ter filiação partidária. Na banditocracia do bem, a diferença entre vândalo e revolucionário não está no que destrói, mas em quem decide se ele merece algemas ou homenagem. O povo entra com o dinheiro. O vândalo com a tinta. E a “defesa da democracia” com o álibi.

Confesso que já não suporto essa ladainha. “Defesa da democracia”, “luta contra o autoritarismo”, “Estado Democrático de Direito”. Palavras nobres, repetidas à exaustão por quem acredita que pronunciá-las dispensa a obrigação de respeitá-las. Tenho repulsa por essa hipocrisia. A democracia não precisa de sacerdotes de ocasião. Precisa de gente que cumpra a lei, inclusive quando ela atrapalha a companheirada.

Até quando o brasileiro terá de pagar pela destruição e ainda agradecer aos destruidores pelas lições de democracia? No dia 25 de outubro, o eleitor terá a palavra. A urna não absolve vandalismo. Mas ninguém pode exigir que o cidadão absolva politicamente quem o justifica.

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Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.

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