O papel dos comediantes em uma sociedade intoxicada

“A chegada da tecnologia de ponta na indústria da mineração de carvão pôs fim a uma tradição de mais de um século da Grã-Bretanha, sob a qual canarinhos faziam parte dos elementos de segurança dos operários. Eram os pássaros que detectavam níveis perigosos de gases venenosos no fundo das minas, salvando vidas de operários. Esse trabalho passa agora a ser executado por computadores. O uso de canarinhos, que começou por volta de 1880, foi decidido pelo fato de possuírem um sistema respiratório extremamente sensível a gases inodoros e sem cor, como o monóxido de carbono. Nas minas, eles eram mantidos em gaiolas levadas pelos mineiros, que permanentemente observavam suas reações. As penas ficavam eriçadas e os pássaros se viraram no sentido oposto ao da emanação perigosa. Em alguns casos, os canarinhos perdiam os sentidos, levando os mineiros a socorrê-los com oxigênio.” Jáder de Oliveira – Correio Braziliense, 1996.

Comediantes como Danilo Gentili são como canarinhos que apontam se uma sociedade está intoxicada pelo arbítrio que suprime o mais importante e necessário elemento para a vida em sociedade, o direito à liberdade, do qual o exercício da liberdade de pensamento e expressão são os mais fundamentais.

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O simples fato de uma parlamentar e uma juíza quererem tirar o canarinho Danilo Gentili do nosso convívio, já demonstra o grau de toxicidade que o poder coercitivo do estado exala.

Deixar a sociedade brasileira sem comediantes como Danilo Gentili ao censurá-los, é como enviar mineiros às profundezas das minas de carvão sem um canarinho que lhes indique a existência de gases tóxicos no ar.

Maria do Rosário e Maria Isabel do Prado estão condenando a sociedade brasileira a respirarem os gases do totalitarismo ao negarem aos brasileiros o direito à liberdade de expressão quando condenam comediantes como Danilo Gentili com a censura e a prisão.

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Isso não pode ficar assim.

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