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O impeachment de Dilma e as eleições presidenciais

Há cinco anos, Dilma Rousseff sofreu um impeachment. As acusações que lideraram a cassação de seu mandato foram as famosas “pedaladas fiscais” e as liberações de emendas sem autorização do congresso, mas além do argumento jurídico, sobrou a vontade política. No ano anterior, o impeachment não passava de uma argumentação desesperada de oposição. À luz dos fatos de atos de improbidade, nem mesmo a descredibilização de Eduardo Cunha como presidente da Câmara e condutor do impeachment salvaria o governo.

Naquele momento, parecia que a esquerda estava abalada, como de fato esteve na época. Porém, visto que o governo Dilma, que destruía a reputação da esquerda no Brasil a cada dia que passava, estava finalizado, a esquerda sairia de seu fundo do poço e poderia virar o jogo a seu favor, como já ocorrido em tantas outras ocasiões. O fato é que o impeachment deu uma boia para uma ideologia que, caso concluísse seu mandato, teria se desmoralizado por completo.

Imagine um cenário de sucessão a Dilma em 2018, sem nenhuma das reformas essenciais do governo Temer, uma política econômica que veio de 2 anos de recessão na casa dos 3% e uma política social a cada dia mais dirigista. O cenário seria uma clara vitória acachapante da direita no processo, com Jair Bolsonaro possivelmente levando a eleição em primeiro turno e não havendo uma única sombra de Lula na existência. Porém, com o dobro do trabalho hercúleo que o presidente Michel Temer tomou com sua equipe econômica em seus 2 anos e 3 meses de mandato para reverter uma crise econômica autofágica.

O impeachment deu uma série de bodes expiatórios para a esquerda trabalhar em narrativas, a mais famosa delas a narrativa do “golpe”. Basicamente tudo se justificava com o “golpe”. A economia estava ruim? Culpa do golpe. Corrupção latente? Culpa do golpe. Crise política? Já sabe, culpa do golpe. Todo o tratamento do impeachment como um processo de golpe foi mentalizado como tentativa de expiar a culpa do péssimo governo ocorrido. O PT virou uma espécie de sucesso mal explicado entre as esquerdas brasileiras. O campo para narrativas estava preparado, e a única maneira de corrigir as narrativas seriam os fatos.

E o fato era: um governo de direita logo chegaria ao poder, não importava por onde; as eleições de 2016 acusaram isso, prefeitos eleitos em 2012 no ápice da popularidade do governo Dilma, quando ele ainda era uma sequência de recuperação sem sustos da crise de 2008 simplesmente desabaram em uma impopularidade de maneira tão destrutiva que seus mandatos foram assumidos como sinônimos da péssima gestão federal. Mas, uma vez no poder, essa direita necessitaria mostrar ser melhor que Dilma.

A Lava Jato, por um lado, fechou o cerco contra aliados de governo do petismo com longa ficha corrida de corrupção. Bastava um período de estabilidade política e econômica para que o governo Dilma pudesse de fato sepultar o terreno, e isto era notório. Em 2020, nas eleições municipais, nem mesmo colocando ex-prefeitos do partido para concorrer nas capitais, o PT levou as prefeituras. Até o seu braço radical, o PSOL, elegeu prefeito em uma capital, porém o partido de Dilma saiu zerado e desmoralizado.

Porém, na esfera federal, em que bastava um governo de desempenho médio, a realidade não se refletiu. O solapamento da Lava Jato, a aliança com o Centrão, a falta de resultados práticos, a escalada inflacionária, os riscos de crises em vários flancos, desde economia até energia elétrica, a liberação de emendas e poucos projetos aprovados auxiliaram o renascimento daquele que era julgado morto. Os resultados do impeachment e os desdobramentos políticos após 2016 foram perdidos com o renascimento da figura política de Lula.

A derrota será consolidada caso ocorra o retorno de Lula ao poder, simbolizando talvez o impeachment de resultado prático mais inútil da história do Brasil, visto que o partido responsável pela década perdida seria recompensado com o poder na aurora da nova década.

Os retrocessos a serem causados estão cada dia mais iminentes e os cinco anos de impeachment poderão mostrar uma derrota da direita.

*Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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