Ministro Aloysio Nunes, só faltou dizer “Obrigado, Maduro”

Por pelo menos dez dias, o brasileiro Jonatan Diniz, de 31 anos, esteve preso pela ditadura venezuelana. O pecado de Jonatan? Ele demonstrou a carência provocada pelo bolivarianismo na Venezuela ao se esforçar por supri-la – e isso o tiranete Nicolás Maduro e sua casta repugnante não puderam perdoar.

Um nefasto e truculento regime socialista, que por mais de uma década o lulopetismo patrocinou em sua ascensão destrutiva e assassina sobre a população do país vizinho, que há pouco já nos tinha espezinhado ao declarar nosso embaixador por lá “persona non grata”, ultrapassou uma linha que seria considerada inadmissível e ultrajante por qualquer país civilizado. Sequestrando um de nossos compatriotas sem a menor alegação justa, trancafiando quem apenas desenvolvia um trabalho humanitário (buscando amenizar o transtorno que a própria ditadura causou) nas condições mais vis, a Venezuela afrontou o Brasil como poucos países jamais o fizeram – e, pior ainda, cuspiu no prato em que comeu.

Tomara que o leitor tenha ouvido falar disso tudo antes de ler este texto, porque seguramente muitos brasileiros não souberam. Em qualquer país decente, essa seria a manchete das manchetes em todos os grandes noticiários. Os nossos infames governantes (incluindo o presidente Michel Temer, não importa quantos índices da economia estejam melhorando) deveriam no mínimo ter reverberado a indignação da pátria, caso tivéssemos um pingo de honra e vergonha na cara. No entanto, esse verdadeiro abuso internacional contra a nossa gente e a nossa bandeira foi tratado como apenas “mais uma” notícia.

A troça repugnante e sádica de um ditadorzinho assassino foi sentida em uma nação continental quase como se fora uma nota de rodapé. Pouquíssimas vozes, entre movimentos organizados, presidenciáveis (algum se manifestou?), parlamentares e cidadãos, fizeram parcela ínfima do barulho que o Brasil inteiro deveria estar fazendo, porque, repetimos, qualquer país decente estaria fazendo.

Felizmente, Diniz não está mais preso. Foi libertado pelo regime de Maduro. Se não houve comoção quando alguma coisa ainda estava por ser feita, a liberdade também foi recebida como um evento protocolar. Nada de mais aconteceu. Não fomos agredidos, não fomos alvo de qualquer escárnio, não tivemos um filho do nosso chão sem ver a luz do dia sob tacão de um caudilho prepotente. Vida que segue…

Essa apatia já seria lamentável, tivesse sido tudo. O pior, porém, foi a maneira tão afrontosa quanto com que o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, anunciou a maravilhosa notícia. Em suas redes sociais, ele disse “simplesmente”: “O incidente envolvendo o brasileiro Jonatan Moisés Diniz foi encerrado, com sua expulsão da Venezuela”.

Se o ministro tucano, que já foi motorista de guerrilheiro comunista, desejava nos provocar a mais insaciável das indignações, conseguiu. Que a atitude de Maduro e do governo venezuelano espelha a escória humana que são, não é novidade alguma; mas o representante do Itamaraty, o homem que está à testa da casa de Rio Branco, replicar os termos deles? Em seu anúncio, dizer que Diniz foi “expulso” e, com isso, o “incidente” está encerrado?

Nossa desonra não foi encerrada, senhor ministro. Tampouco a ofensa venezuelana, ou a própria ditadura que oprime nossos vizinhos, nos dirige ridículos impropérios e produz uma enxurrada de refugiados para o norte do nosso país, se encerraram. Nada se encerrou. A única coisa que, se não se encerrou, sofre uma tenebrosa ruptura, é a brilhante história da nossa diplomacia, amesquinhada por figuras do calibre de Aloysio Nunes, incapaz de nos alçar novamente à expressão geopolítica de que nos julgamos investidos.

O Brasil não pode continuar a ser representado por quem, calmamente lidando com uma prisão covarde e espúria de um dos nossos cidadãos perpetrada por um arbitrário de quinta categoria, emite uma nota lacônica quase dizendo “Obrigado, Maduro” por ter “expulsado” quem nada fez de errado. Aloysio Nunes se junta a Luislinda Valois entre os ministros de Temer que mais bem fariam ao Brasil se coordenassem o Ministério do Silêncio – começando por desaparecer com suas próprias declarações.

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