Do trampolim político para a embaixada nos EUA

Infelizmente, o poder inebria alguns políticos. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao aceitar a indicação de seu pai para o cargo de embaixador do Brasil em Washington deveria levar a política com mais seriedade e refletir que foi eleito com quase 2 milhões de votos para representar os seus eleitores dentro do Parlamento.

O país não pode continuar com as velhas práticas políticas de só desejar tirar proveito da coisa pública ou de se beneficiar do poder.

Ora, quem demonstra não ter seriedade para cumprir mandato eleitoral não possui credencial bastante para representar o país como embaixador, cuja função deveria ser exclusividade de egressos do Itamaraty, que estudaram para essas missões.

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Por ter apoiado a eleição de Jair Bolsonaro, tenho o direito de questionar os seus equívocos. É imoral sim a indicação de seu filho para a embaixada nos Estados Unidos. Neófito, inexperiente e despreparado para ser embaixador do Brasil na mais importante nação do planeta, não basta, pois, que fale fluentemente “javanês”.

Lembre-se, deputado, de que é estelionato eleitoral o descumprimento de mandato. É quebra de confiança eleitoral. Talvez, tudo isso pouco lhe tenha importância. Mas no futuro, decerto o deputado ainda voltará a pedir voto ao eleitor.

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O caso é sim de nepotismo lato senso. E o presidente não deveria se desgastar diante da sociedade. Por que somente os filhos do presidente são mais competentes e merecedores de confiança?

Lamentavelmente, o presidente Bolsonaro compra briga desnecessária. O presidente deveria mostrar que é diferente dos anteriores dirigentes. Contribuir para que o seu filho interrompa o mandato é dar continuidade à velha política encardida que desmoraliza o Brasil.

O Senado não deveria homologar a provável indicação do deputado à embaixada nos Estados Unidos. É o que espera a sociedade apolítica e defensora da moralidade.

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Sobre o autor: Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e já atuou como Servidor Público. 

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