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Como as mentiras sobre os ricos prejudicam toda a sociedade

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A alegação de que os ricos pagam pouco ou nenhum imposto é uma mentira baseada em números falsos. Na verdade, 50% dos trabalhadores nos EUA, aqueles que ganham 46.500 dólares ou menos por ano, pagam apenas 2,3% do total de imposto de renda no país. Em contraste, o 1% mais rico, que ganha 682.500 dólares ou mais, paga 45,8% do imposto de renda dos EUA. A proporção do imposto de renda total pago pelos mais ricos aumentou drasticamente nas últimas duas décadas. Em 2001, o 1% mais rico dos Estados Unidos pagava um terço do imposto de renda; 20 anos depois, eles estão pagando quase metade!

A situação é semelhante na Alemanha, onde 50% dos contribuintes pagam apenas 6,1% do imposto de renda. Em contraste, o 1% mais rico paga 22,8% do imposto de renda.

Apesar desses números, frequentemente se afirma que os ricos não estão pagando sua “parte justa” de impostos. Alguns anos atrás, a mídia divulgou amplamente a alegação de que os 25 americanos mais ricos pagaram apenas 3,4% em impostos. Esse dado ganhou atenção mundial e tem sido frequentemente citado desde então. No entanto, o “cálculo” por trás dessa alegação era sem sentido, pois comparava os impostos anuais pagos pelos 25 americanos mais ricos com o crescimento de sua riqueza, conforme estimado pela revista Forbes no mesmo período.

A mensagem era clara: o sistema tributário é “injusto”; os ricos pagam significativamente menos impostos e são submetidos a leis diferentes das do cidadão comum. Mas será que isso é verdade? Na realidade, a taxa média de imposto paga pelo 1% mais rico nos EUA é quase oito vezes maior que a taxa média paga pela metade mais pobre dos contribuintes!

O crescimento da riqueza estimado pela Forbes se deve principalmente ao aumento do valor das ações possuídas pelos super-ricos. No caso de Jeff Bezos, por exemplo, sua riqueza cresceu à medida que o valor de mercado das ações da Amazon subiu, enquanto o crescimento da riqueza de Warren Buffett vem da valorização das ações de sua empresa, a Berkshire Hathaway. A afirmação de que os super-ricos quase não pagam impostos se baseia na comparação do crescimento da riqueza, impulsionado em grande parte por ganhos de capital não realizados, com os impostos sobre a renda, que são cobrados sobre a renda ou os lucros efetivos. Isso seria como comparar o aumento no valor da sua casa no ano passado com o imposto de renda que você pagou – um cálculo obviamente sem sentido.

O Chile é um exemplo claro do impacto prejudicial da propaganda contra os ricos, como Axel Kaiser e eu demonstramos em um artigo para a revista especializada Economic Affairs.

Sem dúvida, o Chile está entre os países onde a retórica contra os ricos arruinou o progresso econômico. O Chile se tornou o país mais bem-sucedido da América do Sul graças às reformas da economia de mercado, com altas taxas de crescimento que beneficiaram a todos. Após 2014, a política e a economia chilenas tomaram um rumo populista que desacelerou esses avanços. Entre 2014 e 2023, o crescimento anual do PIB foi de 1,9%, equivalente a apenas 0,6% per capita. As reformas antiempresariais do segundo governo de Michelle Bachelet (2014-2018) levaram a uma queda nos investimentos e a uma fraca criação de empregos, enquanto os salários reais estagnaram.

Embora a análise da desaceleração econômica seja clara, as causas são mais complexas: uma ideologia motivada por vingança contra os ricos do Chile. O governo chileno se empenhou em promover a mensagem de que os ricos não pagavam sua parte justa de impostos, justificando assim uma reforma tributária. Obcecado com a redução da desigualdade, o governo chegou a afirmar que o 1% mais rico deveria arcar com quase toda a nova receita tributária, garantindo assim educação pública gratuita e de alta qualidade, melhor saúde pública e mais hospitais, melhor acesso à cultura e aos esportes, um ambiente mais limpo e melhores pensões para os aposentados. Em outras palavras, para o governo, os ricos gananciosos que não queriam pagar mais impostos eram a única razão pela qual os chilenos não tinham uma melhor qualidade de vida. Temos visto uma retórica anti-ricos semelhante de Bernie Sanders e seus simpatizantes nos Estados Unidos.

A reforma tributária no Chile foi um fracasso, pois destruiu os incentivos para investimento e promoveu uma narrativa anti-riqueza que desconsiderou seu impacto na economia e na população em geral. Além disso, a reforma não arrecadou tanto quanto o governo havia previsto para aquele ano e os seguintes. Os economistas Gonzalo Sanhueza e Arturo Claro explicam que, se a economia do Chile tivesse crescido 3,8% em termos reais desde 2013, a receita tributária em 2023 teria sido 26% maior. No final das contas, as principais vítimas da propaganda anti-riqueza no Chile não foram os ricos, mas sim os trabalhadores de renda média e baixa. Isso deveria servir como uma lição valiosa para outras nações também.

*Este artigo foi publicado pela primeira vez no WASHINGTON EXAMINER:

https://www.washingtonexaminer.com/opinion/2953315/lies-about-the-rich-hurt-all-of-us/

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Rainer Zitelmann

Rainer Zitelmann

É doutor em História e Sociologia. Ele é autor de 26 livros, lecionou na Universidade Livre de Berlim e foi chefe de seção de um grande jornal da Alemanha. No Brasil, publicou, em parceria com o IL, O Capitalismo não é o problema, é a solução e Em defesa do capitalismo - Desmascarando mitos.

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