As medidas do governo Bolsonaro e utilidade da filosofia

Está acontecendo uma reação bem interessante às medidas do governo Bolsonaro e às defesas de tais medidas.

Já comentei sobre o corte de verbas anteriormente, já me isentei de dar opinião sobre a descentralização de recursos para sociologia e filosofia (até que o estudo do ministro saia), mas a atitude de muitos contra tais medidas me fisgou a atenção.

Muitos estão defendendo que a filosofia tem uma utilidade, a de “ensinar a pensar”, e que isso a justificaria. Quem realmente investiu tempo estudando filosofia já sabe que esta não tem, em absoluto, NENHUMA utilidade produtiva e prática. É a teorização máxima da vida, cosmos, Deus e Homem em uma episteme: não te ensinará a trocar uma lâmpada sequer. 

Esse discernimento vem de Aristóteles (Livro I da Metafísica), onde ele observou todos os filósofos até então, todo o trabalho e todas as conquistas da filosofia: ela naturalmente foge de qualquer resultado prático, não sendo uma arte produtora de absolutamente nada. Ninguém fazia canais usando a filosofia; não existe filosofia da ânfora ou até mesmo uma política que venha diretamente de uma filosofia — A Política, do Estagirita e as Leis, de Platão, dão lembranças –, pois a partir do momento em que você põe a “mão na massa”, você parou de filosofar e começou a ATUAR. 

Mesmo filósofos como Feuerbach e Karl Marx sabiam disso. Eles colocavam a filosofia no mesmo patamar da religião, como uma alienadora (vinda da superestrutura, no caso de Marx), algo que fugia da PRÁXIS… Porque você discutir o conceito de VERDADE, não move a classe trabalhadora para absolutamente nada. 

Enfim, fica o aviso: saiam dessa miséria intelectual, vão ler bons livros de filosofia, saiam desse pensamento de boteco de oitava série. “Filosofia nos ajuda a pensar” é o mesmo que dizer que brincar na lama nos ajuda a ser químicos. Reflexão, discussão, refinamento, etc., TUDO isso é ANTERIOR a Filosofia. Existe desde que o mundo é mundo. Saiam dessas bolhas de mediocridade e cresçam!

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