A farsa da transparência do descondenado

Print Friendly, PDF & Email

Luiz Inácio não foi absolvido do mérito das acusações. Suas condenações foram anuladas pelo STF. Claro, claro, foi reconhecida a suspeição do juiz em processos da Lava Jato. Agora, depois dessa epopeia jurídica, apresenta-se como professor de moralidade republicana. Sua primeira lição? Só abre os próprios sigilos se o adversário abrir os dele.

A autorização foi protocolada. A condição também. O “pai dos pobres”, pelo visto, inventou a transparência por correspondência, em que primeiro cobra do outro, depois decide o que mostrar da própria vida. É uma concepção bastante adaptada de prestação de contas. A alma mais honesta desse mundo transforma sua responsabilidade em desafio eleitoral, como se a obrigação de dar explicações pudesse ser terceirizada ao adversário. Uma inovação e tanto na arte de exigir virtude alheia.

A claque conhece a deixa: “Flávio tem que abrir!”. Que abra, dentro da lei. Mas desde quando o sigilo de Flávio substitui uma explicação de Lula? Lula tenta fabricar um fato novo, tirar o foco de sua desastrosa gestão e transformar transparência em espetáculo eleitoral. O velho truque de quem prefere fiscalizar a consciência alheia a responder pelas próprias escolhas. Aliás, extremamente conhecidas.

Deseja receber nossos conteúdos por e-mail?

* indica obrigatório

Se a intenção é passar o país a limpo, melhor não economizar detergente. Vamos examinar as contas do Instituto Lula? Apurar eventuais suspeitas fundamentadas envolvendo laranjas e operadores políticos? Investigar, dentro da lei, os negócios de Lulinha, o conhecido “Ronaldinho dos negócios”? Nada de condenações por insinuação, mas também nada de absolvições por devoção partidária. Documentos na mesa. A fé fica para os templos.

Enquanto isso, Lula continua devendo explicações sobre sua incompetente gestão. Contas públicas, entraves à produção, insegurança nas ruas e serviços de saúde não melhoram com discursos sobre virtude. Depois de quase duas décadas de governos petistas, a promessa de “tirar os pobres da pobreza” continua sendo anunciada como novidade. Será que nós brasileiros somos mesmo palhaços?

O eterno “agora vai” do próximo mandato. É a retórica que alimenta a dependência estatal enquanto vende emancipação em prestações eleitorais. Cobrar transparência da oposição é legítimo. Mas Lula continua devendo uma resposta elementar: quais informações serão efetivamente examinadas, por quem e com que alcance?

Ele pode escolher o adversário, o discurso e a ocasião para posar de exemplo republicano. O que não pode é transformar a própria disposição de prestar contas em prova de inocência ou superioridade moral.

No Brasil da moralidade seletiva, até a transparência se transformou em espetáculo de conveniência. Lula quer aplausos por anunciar o que deveria demonstrar. É a velha especialidade da casa da cor do sangue, onde se vende virtude no discurso e se deixa a comprovação para depois. Eita, Brasil! Por aqui, até para prestar contas o sujeito apresenta as contas dos outros. E ainda quer reconhecimento pela republicana demonstração da própria honestidade.

Faça uma doação para o Instituto Liberal. Realize um PIX com o valor que desejar. Você poderá copiar a chave PIX ou escanear o QR Code abaixo:

Copie a chave PIX do IL:

28.014.876/0001-06

Escaneie o QR Code abaixo:

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.

Deixe uma resposta

Pular para o conteúdo