3,7 bilhões para o fundo público eleitoral, a orgia dos gastos públicos continua

É impossível não se revoltar com a indecente proposta de parlamentares de majorar o fundo público eleitoral para 3,7 bilhões de reais, ou seja, 2 bilhões a mais em relação ao valor desembolsado em 2018.

É inimaginável que em plena  crise financeira – com mais de 13 milhões de pessoas desempregadas e endividadas, com o sistema público de saúde  falido e com o apelo governamental  à aprovação da reforma da Previdência, para equilibrar as contas públicas – ainda existam parlamentares despudorados  que defendam a majoração de fundo público para financiar as eleições municipais de 2020.

A irresponsabilidade com o país, com os seus graves problemas sociais, fica muito evidenciada quando não se vê a solidariedade de nossos políticos em combater a orgia dos gastos públicos.

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Ora, numa pindaíba em que se encontra o país, vindo de um desmonte de governos anteriores, nada justifica  a insensibilidade política ao pretender reajustar o fundo eleitoral.

O deputado Cacá Leão (PP-BA), relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que inclui a previsão de reajuste do fundo para financiar as campanhas eleitorais, parece debochar da situação do  país, juntamente com os líderes de partidos, que  avalizaram a proposta.

O desrespeito com o dinheiro dos impostos é um escárnio e um escândalo. O político nacional é muito sagaz para encontrar fonte de recursos para  os seus interesses, mas é demais insensível a buscar alternativas para atender ao bem-estar social.

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Quem deve receber financiamentos públicos  são os produtores de riquezas e de trabalho, a sociedade carente de habitação e não a classe política oportunista, que só quer tirar vantagem da coisa pública e cuidar de seus interesses.

Depois de eleitos, os políticos ignoram os eleitores, não cumprem as promessas de campanha e muitos interrompem os mandatos para servir fora do Parlamento, como agora se está testemunhando a provável quebra de mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), indicado para a embaixada americana.

Sobre o autor: Júlio César Cardoso é Bacharel em Direito e já atuou como Servidor Federal.

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