Contra a insensatez, não há melhor remédio do que a voz dos sensatos

É ótimo deixar os erros do passado para trás, ainda mais depois que eles nos serviram de ensinamento sobre o que não fazer para evitar sua repetição. Mas nem todo mundo faz isso, como lembrou Caio Coppola no programa Morning Show da Jovem Pan, enquanto se defendia das ofensas improcedentes que o âncora do programa, Edgar Piccoli, de forma abjeta e irracional lhe dirigia.

Coppola, que havia utilizado para criticar o Bolsonaro, pelo seu palavrório destemperado, o que Paulo Maluf havia dito a Leonel Brizola num debate eleitoral: “{…] passou quinze anos no estrangeiro e não aprendeu nada. Pior, não aprendeu nada e não esqueceu nada […]”, respondeu às acusações pessoais que o colega lhe fazia, dirigindo-lhe as mesmas palavras: “está nessa profissão o meu tempo de vida e também não aprendeu nada nem esqueceu nada”.

Pois não foi só o Edgar, toda a esquerda, com raríssimas exceções, não aprendeu nada e não esqueceu nada apesar dos inúmeros e retumbantes fracassos de suas próprias experiências nos últimos 100 anos. Por isso teimam em querer mantê-las vivas custe o que custar.

Não bastou o colapso da URSS, da China Comunista, de Cuba, da Coréia do Norte e de mais algumas dezenas de países. Não bastou o sacrifício dos povos submetidos a essa ideologia genocida. Nada basta para esses psicopatas estatistas que querem sempre mais e mais.

O Brasil é escravo dessa orgia coletivista estatista que mantém o país sob um regime miscigenado que atende pelo nome de socialismo democrático. Somos uma aberração incestuosa parida pela conjunção entre os comunistas e os fascistas.

Este monstro social, político e econômico está travestido de governo para se imiscuir em cada detalhe da nossa vida com o objetivo de controlar-nos para nos expropriar, ora de vez, ora em ritmo de conta gotas, o fruto do nosso esforço, sugando junto o nosso suor, as nossas lágrimas e o nosso sangue.

Essa besta parasitária que se apresenta como defensora dos fracos e oprimidos na realidade os escravizam para se abastecer como uma corporação de vampiros sanguinários de suas vítimas indefesas e oprimidas.

A anistia ampla, geral e irrestrita que se seguiu e deu fim à ditadura foi concebida para colocar uma pedra sobre o passado sombrio que se iniciou com a tentativa dos trabalhistas e aliados de implantar um regime soviético no Brasil. Tentativa essa que acabou abortada pelo movimento cívico-militar de 1964, cuja intenção era dar estabilidade institucional ao país, mas que acabou, por um golpe de uma facção das forças armadas, se transformando numa ditadura a partir de 1967.

A guerra ideológica, desde 1966, já havia saído da retórica, passando ao conflito armado marcado por confrontos físicos com atos de guerrilha e retaliação equivalente como torturas, assassinatos e desaparecimentos.

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A anistia foi apenas um paliativo, uma porta de saída daquele ambiente inflamado pela luta armada de lado a lado. Depois do país pacificado, libertaram os presos e foram acolhidos os exilados. A luta pode ter sido aplacada, mas os espíritos beligerantes se mantiveram despertos. Depois de décadas, a anistia foi esquecida, a esquerda ao assumir o poder resolveu premiar com polpudas rendas os que foram perseguidos por terem aderido à luta armada ou ao ativismo dissidente.

Não apenas conquistaram ganhos pecuniários com indenizações milionárias como, em 1988, conseguiram o que desejavam: institucionalizar através de uma nova Constituição as mesmas ideias que eram por eles defendidas no período pré-revolução.

Trinta anos depois, nos vemos, novamente, com o país à beira da ruptura e de um problema econômico de grandes proporções, consequência das ideias anacrônicas e irracionais defendidas por Marx e seus seguidores, e refutadas indiscutivelmente por pensadores liberais.

O clima de enfrentamento na sociedade brasileira se eleva quando os petistas foram alijados do poder, pelo voto democrático dos tribunais e das urnas depois que seu caráter cleptocrático e autoritário, marca indelével dos seguidores dessa ideologia nefasta, ficou evidenciado.

Podemos nos perguntar como a maioria do povo brasileiro não percebia que os seguidores dessa ideologia, que defende um ética coletivista, que sufoca, oprime e expolia a menor minoria que há, o individuo; uma ideologia cuja orientação política é estatista, que usa como recurso de persuasão a coerção; uma ideologia cuja preferência nas práticas econômicas é a violência, que não entende que riqueza não se distribui, mas se cria; e, finalmente, cujas manifestações estéticas, educacionais e linguísticas são niilistas, pervertem símbolos e conceitos para tornar o processo corrosivo para o desenvolvimento social, político, econômico e civilizatório.

Para enfrentar essa sina, o povo escolheu majoritariamente um milico, Jair Bolsonaro, que com seu temperamento incontrolável pisou, de uma forma que deixou os moderados indignados e os esquerdistas excitados, nos calos do presidente da OAB, um petista inveterado, ativista, cujo pai foi morto exatamente no confronto entre os militares e os comunistas..

A OAB e seus dirigentes são corporativistas, gostam de criticar o governo quando este viola a liberdade individual dos clientes dos advogados que a ela estão coercitivamente associados. No entanto, exige que esse mesmo governo viole o direito individual das pessoas, impedindo-as de exercerem a atividade profissional ligada ao direito sem passar pela benção da entidade que adquira forçosamente poder financeiro e político.

O PT foi tirado do poder, mas o socialismo democrático se mantém quase intacto engessando a atividade econômica e condenando esta e as futuras gerações ao atraso. A única coisa que se viu melhorar foi a redução da corrupção sistêmica, por ora abrandada, mas que com a manutenção do tamanho do estado, do grau de intervenção da regulação e da força dos impostos, deve, mais cedo ou mais tarde, recrudescer, como o câncer que é.

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É verdade que Bolsonaro, ao dizer diatribes, pode ofender os adversários, o que tem o potencial de tornar suas atitudes contra-producentes ao desmobiliza o esforço conjunto da sociedade para varrer do nosso futuro o que inferniza o nosso presente e infernizou o nosso passado.

Por outro lado, há que se reconhecer que as palavras do presidente se destinam àqueles que se associaram aos partidos criminosos e que não hesitaram de passar pano para os bandidos enquanto estavam no governo para fazerem seus malfeitos.

O presidente, que tem limitações intelectuais e psicológicas evidentes, demonstradas pela impulsividade com que diz o que bem entende, com que abusa das diatribes, está tentando superar-se perante um desafio hercúleo que é o de governar um país que precisa urgentemente mudar a própria mentalidade para desenvolver uma nova ética que transforme o sistema político e econômico de forma a sairmos do atraso.

Não tem outro jeito, precisamos criticar o governo e ao mesmo tempo devemos apoiá-lo com foco no que é essencial para que o que precisa ser feito, seja feito.

Os bate-bocas a que assistimos nas redes sociais, nas rádios, nos palácios, servem apenas para mostrar que há os que não aprendem e não esquecem.

Os coletivistas estatistas com sua mentalidade deletéria, que habitam as corporações sindicais, inclusive as patronais; que povoam a mídia com seus intelectuais rastaqueras; que se acomodam na academia agindo como hippies ou doutrinadores caquéticos; que podem ser encontrados no governo ou em outras esferas, vão continuar se esgueirando por onde puderem para manter e aumentar o seu poder para proteger os seus interesses mesquinhos e ilegítimos às custas dos direitos individuais dos que, sem voz, se vêem representados pelos brados de um ex-militar, político de carreira, que com seu pendor ao nacionalismo populista, ao apelo religioso, se viu alçado ao Palácio do Planalto, depois de ser esfaqueado, pela intransferível e premente necessidade de tirar o país do abismo para o qual vinha sendo empurrado pelos governos anteriores.

Se não por convicção, mas por conveniência, Bolsonaro, ainda que com certa resistência, sabe que é preciso avançar com o receituário liberal, aplicando aqui no Brasil doses inéditas de capitalismo, o mesmo capitalismo que tirou da miséria bilhões de indivíduos de lugares tão diferentes quanto o Chile, a África Equatorial, a China, a Índia e o Leste Europeu, exatamente os mesmos países que haviam sido destruídos pelo socialismo em suas diversas formas.

Não se deve relevar as crises verborrágicas do presidente, tampouco se deve exagerar nas críticas com furor operístico. Contra a insensatez, não há melhor remédio do que a voz dos sensatos.

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Não adianta se evadir, a guerra ideológica persiste e ainda vai se agravar. Pode ter mudado o cenário, o governo pode ter mudado de lado, podem ter mudado os personagens, mas o roteiro é o mesmo, pilhadores tentando pilhar os produtores utilizando-se do estado para parecerem legítimos.

Escutem o que lhes digo, é preciso sim polarizar, expor a realidade com a verdade e o que é certo com a ética. Devemos ser radicais no que se refere às ideias, não podemos negociar ou comprometer nossos princípios, valores e ideais. Devemos ser moderados no trato social, sem o que não conviveremos com aqueles que queremos convencer das nossas certezas.

Não devemos esmorecer; esses que passaram esse tempo todo e não aprenderam nada, nem esqueceram nada, precisam ser ensinados, educados, doutrinados até entenderem que extremismo na defesa da liberdade não é vício e moderação na busca por justiça não é virtude, como já dizia Barry Goldwater.

Precisam entender que liberdade não é livrar-se das necessidades às custas dos outros ao querem explorar os demais só porque roubo passou a se chamar justiça social.

Precisam entender que justiça significa apenas ser livre para dar a cada coisa e a cada pessoa o que ela merece. Sendo que justiça também é cada um ser livre para receber o que merece de acordo com o valor que produz.

Liberdade e justiça sem predicados são bens indispensáveis para se criar uma sociedade próspera e justa, formada de indivíduos responsáveis por seus próprios atos e seus próprios destinos.

É asqueroso ver a indignação seletiva daqueles que se revoltam com as palavras agressivas do Bolsonaro, ainda mais quando ele lidera um governo que deseja mais liberdade e justiça para o povo.

É nojento ver esse indignados relevarem a ação violenta, individual ou coletiva através do governo, daqueles que, com fala mansa, avançam com o uso da força ou de fraude contra a liberdade individual e a propriedade privada, contra o estado de direito e o livre mercado, contra a privacidade e a vida dos outros.

O que embrulha o estômago de verdade, é ver gente com sorriso cínico, atropelando a fala alheia, colocando o dedo em riste num falso surto de moralidade, fazendo análise descontextualizada para parecer alguém com princípios éticos, mas fazem olhar blasé quando a casa está pegando fogo e os amiguinhos bandidos continuam roubando a prataria e atacando a geladeira.

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Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.