Os 3 erros do Novo na escolha do vice de João Amoedo

Foi anunciado o vice de João Amoedo: o cientista político Christian Lohbauer. Trata-se de um professor extremamente qualificado e um fenômeno nas redes sociais; porém, a decisão do Novo evidencia dificuldades internas do partido que provocaram uma sucessão de erros eleitorais estratégicos. 1- Christian poderia ser candidato a presidente O professor é mais qualificado que […]

Foi anunciado o vice de João Amoedo: o cientista político Christian Lohbauer. Trata-se de um professor extremamente qualificado e um fenômeno nas redes sociais; porém, a decisão do Novo evidencia dificuldades internas do partido que provocaram uma sucessão de erros eleitorais estratégicos.

1- Christian poderia ser candidato a presidente

O professor é mais qualificado que Amoedo para a política: além de defender as ideias do partido, possui mais carisma e um pouco mais de jogo de cintura. Seria um ótimo mensageiro das ideias do Novo, dentro daquilo que o partido propõe em suas candidaturas majoritárias. Não à toa tinha esse papel na disputa para o Senado Federal em São Paulo.

Sua qualidade acadêmica – é mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo – vem se refletindo em popularidade política tamanha que poderia ter sido o escolhido pelo partido para ser o cabeça da chapa presidencial.

2- Um vice que pouco agrega em votos

O público-alvo de Lohbauer é, basicamente, o mesmo que Amoedo. Trata-se de um erro básico de estratégia.

O ideal é ter como vice alguém de partido e região diferentes, além de ideologicamente um pouco distinto (mas não tanto). Como faz parte da estratégia de longo prazo do Novo não coligar com quem não possui os mesmos valores e ideais, era obrigatório estrategicamente acertar nas demais variáveis.

O Novo poderia ter escolhido um nome de fora do sudeste e mais conservador, por exemplo, mas escolheu alguém da mesma região e de ideias similares a João. Vale dizer que a candidatura de Jair Bolsonaro quase cometeu erro estratégico similar ao convidar Janaína Paschoal para ser sua vice.

3- Perda de competitividade em São Paulo

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O empreendedor Geraldo Rufino queria lançar-se candidato ao Senado Federal pelo Novo em São Paulo. Por discordâncias internas do partido, contudo, acabou por ser preterido à Lohbauer, que pensava anteriormente na Câmara dos Deputados.

Rufino, então, migrou para o Movimento Brasil 200, que veta candidaturas a cargos políticos de seus membros. O candidato do Novo ao Senado em São Paulo agora será Diogo da Luz, que, nas últimas eleições municipais, conquistou apenas cerca de 3 mil votos.

Por conseguinte, o Novo fica sem um puxador de votos para deputado federal, que poderia eleger-se e ajudar a conquistar mais uma cadeira; e resta sem nome competitivo para o Senado no estado.

Erros escancaram as dificuldades de renovação política buscadas pelo Novo

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Certamente a equipe do Novo sabe de tudo que foi dito neste texto – seria muita ingenuidade política se não soubessem. Na candidatura ao governo do Rio de Janeiro o partido não cometeu esse erro na escolha do vice, por exemplo.

Porém, entrar na política formal como candidato possui uma enorme matriz de risco e, por ser mal visto socialmente, pode acarretar diversos reveses pessoais. Alguém que possui vida profissional estável e de sucesso tende a não querer interromper este ciclo para lançar-se na política, ter sua vida devassada, mudar a rotina de seus familiares etc. Mais: campanha envolve despesas e custos financeiros e não é todo mundo que possui uma reserva ou está disposto a usá-la em uma eleição. E é justamente esse o perfil que o Novo quer lançar como candidato.

Para exemplificar: Bernardinho Rezende, economista e multicampeão olímpico, nem sequer quis candidatar-se a qualquer cargo pelo partido, a exemplo de outros outsiders que pensaram seriamente na ideia por outros partidos e desistiram, como Joaquim Barbosa e Luciano Huck. José Luiz Datena lançou-se na política em São Paulo e, apenas 2 dias após, acuado perante as críticas, ameaçou desistir da candidatura. O empreendedor Flávio Augusto recuou de prontidão diante do convite de partidos interessados em seu nome. O economista Gustavo Franco, presidente da fundação do partido, foi um dos que recusou ser vice de Amoedo. Os exemplos não acabam.

O erro estratégico que representa a escolha por Lohbauer, portanto, é apenas a ponta do iceberg entre as dificuldades de renovação política no Brasil e que serão enfrentadas pelo Novo e demais movimentos que possuem esta proposta.

 

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