Oportunismo e demagogia

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Vi o lamentável comentário oportunista do Deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), no Facebook, com relação às medidas anunciadas no dia 29 de dezembro de 2014, que geram diversos cortes nos programas sociais. Com toda vênia, discordo e vejo nesse ato uma mímica horrenda do comportamento adotado pelo PT antes de chegar ao Planalto. Vejam o que disse o nobre Deputado:

Futuro Ministro da Fazenda reconhece fracasso na economia e anuncia pacote de maldades – O banqueiro Joaquim Levy escolhido por Dilma para tomar conta da Fazenda confirmou que 2015 será um ano de arrocho e ajuste fiscal, graças à má gestão dos últimos anos. Em entrevista ao Valor, o mais novo representante do PT, apresenta o seu remédio: tarifaço, inflação alta, serviços públicos sem qualidade, arrocho salarial, corte nos investimentos, extinção de incentivos, juros estratosféricos etc, etc, etc….Como bem disse Aécio Neves, no próximo ano, vamos conhecer o neo-liberalismo petista caminho certo para o empobrecimento dos brasileiros.” (g.n.)

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As medidas econômicas anunciadas seriam – ou deveriam ser – adotadas por um governo Aécio Neves. Elas são necessárias, após a lambança petista, e, justamente por isso, dei meu voto ao candidato tucano. Acreditei em sua plataforma de austeridade fiscal. Não fosse só isso, referir-se a Levy como “banqueiro” é bobagem das grandes. Afinal de contas, Armínio Fraga é o que?

Espero que a oposição continue em seu caminho, sem se perder na “gritaria” sistemática e tresloucada. Lutem contra o que está errado!!! Insistam na apuração do Petrolão. Combatam, judicialmente, o escárnio que foi a aprovação da LDO. Agora, não ataquem medidas que vieram de sua própria plataforma. Agir assim, será um comportamento oposicionista incoerente – uma experiência pavloniana – que só faz confundir o povo e dar força ao PT!

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Meu receio, diferente do nobre Deputado, é que Joaquim Levy não dure, ou que seja “sabotado” em suas medidas. Um Chicago Boy não pode fugir às suas origens e manchar o prestígio de sua “alma mater”, que, nos 45 anos do Prêmio Nobel de Economia, teve 30 laureados! Dentre eles, Milton Friedman, F.A. Hayek, Gary Becker, George Stigler… e outros tantos. Se o programa de austeridade fiscal não funcionar, restará pouco ou nada do Brasil para o PSDB (ou qualquer outro partido) na próxima eleição.

Em seu primeiro discurso no Senado – como líder da oposição – Aécio Neves disse, com todas as letras, que “não faria oposição ao Brasil”. Espero que continue assim e mantenha a união dos membros do PSDB (e demais aliados), promovendo o contraponto firme e democrático em face de tudo o que o PT faz – e fez – de errado. Mas, por favor, mantenham a coerência. Não é aceitável dizer que o liberalismo levará ao empobrecimento do povo brasileiro. Pelo amor de Deus, esse é o discurso do PT!!

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Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.

3 comentários em “Oportunismo e demagogia

  • Leonardo Corrêa
    03/01/2015 em 12:36 pm
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    Caro Marco,

    Leia atentamente o que foi escrito pelo Deputado. Ele não está chamando a atenção para a incoerência petista; mas, sim, condenando o liberalismo como soluço!ao. É óbvio que o PT só faz isso porque não tem outra saída. É óbvio que o PT não é liberal. Todavia, a oposição do PSDB esta do tipo: “sou do contra”. Aliás, cá entre nós, o PSDB é um PT que come com talher de peixe e bebe vinho francês. É esquerda caviar total.

    Abraço,

    Leonardo Corrêa

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    31/12/2014 em 4:02 pm
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    Acho que todo mundo sabe que essas medidas teriam que ser tomadas, mas é que não se pode perder a oportunidade de lembrar aos petistas, do discurso hipócrita que eles sempre vomitam nos palanques, eles tem que beber um pouco do próprio veneno.

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    31/12/2014 em 9:24 am
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    O governo vai acabar com determinados benefícios sociais – o que é correto – o que não é correto é ele querer acabar com medidas que vão afetar principalmente o INSS (segundo o JN de 30/12/14 – os benefícios do RPPS não serão tocados porque têm regras próprias). Que diabo de regras são essas onde o pessoal do INSS contribui e recebe inversamente proporcionalmente ao que contribui (contando as contribuições do empregado e empregados), e o pessoal do RPPS contribui com menos que seu par do INSS e recebe em média 7 vezes mais que ele? Ex.aposentadorias do INSS e do RPPS. Ditadura do Estado!

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