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O verdadeiro crime das elites capitalistas

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A história do Século XX provou, de forma dramática, que o sistema capitalista gera enorme prosperidade e que todas as formas de socialismo levam à pobreza e ao colapso.

 

O progresso econômico e social das nações capitalistas, principalmente dos Estados Unidos, do Japão e da Europa Ocidental, é inegável.  Por outro lado, há exemplos marcantes de como as sociedades socialistas regridem com o tempo.

 

Quem visita a outrora belíssima Havana tem a exata impressão de que voltou aos anos cinqüenta do século passado.  O que se vê é uma cidade em ruínas, onde a marca mais aparente é a estagnação e a decrepitude, seja na arquitetura, nos veículos e até nas pessoas.

 

Pegue-se a Coréia do Norte.  Neste caso, uma imagem vale mais do que mil palavras.  Basta olhar as fotos noturnas de satélite da Península da Coréia para ter certeza, comparando-se a luminosidade do norte e do sul, de que há algo de muito errado acontecendo no norte, onde prevalece a total escuridão, em pleno Século XXI.

 

Mas certamente o maior teste empírico da superioridade do capitalismo sobre o socialismo é Berlin: ali conviveram lado a lado, durante quarenta e cinco anos, a pujança capitalista do oeste e os dramáticos resultados do comunismo no leste.  De um lado uma cidade moderna, um próspero centro comercial e financeiro, com o conforto e os benefícios que só o capitalismo produz, e de outro o desamparo e a miséria.  Uma diferença gritante, principalmente se levarmos em consideração o fato de que havia ali a mesma geografia, o mesmo povo, a mesma cultura, a mesma educação, a mesma história, enfim, os mesmos recursos humanos e naturais.

 

Como se vê, é incontestável a superioridade do capitalismo, comparado com quaisquer das formas de socialismo.  Infelizmente, poucos estão conscientes dos argumentos econômicos que suportam o capitalismo, e menos ainda dos fundamentos morais e filosóficos que o sustentam.  Essa é a razão por que a maioria das pessoas é incapaz de reconhecer as virtudes desse incomparável sistema.  Por outro lado, a doutrina socialista é disseminada ao redor do mundo através de pungentes elegias igualitaristas, principalmente na forma do insidioso sofisma segundo o qual a riqueza de uns é o resultado da miséria de muitos.

 

A principal vantagem do capitalismo é precisamente a de que ele realmente funciona, se não idealmente bem, pelo menos melhor do que todas as demais formas de organização econômica e social, justamente porque as pessoas estão liberadas para perseguir os seus próprios interesses, enquanto todos os demais estão apoiados nas inconstantes virtudes humanas, como a solidariedade, a “responsabilidade social”, ou o “bem comum”.

 

Eis aqui, portanto, a grande beleza do capitalismo, que muitos não conseguem enxergar: ainda que visem exclusivamente aos próprios interesses, os indivíduos somente serão recompensados quando satisfizerem as demandas dos outros. Meu ganho, meu lucro ou minha remuneração estão diretamente ligados à satisfação do meu semelhante. O livre mercado, embora não pretenda extinguir o auto-interesse inerente à condição humana, nos obriga a pensar nas demandas do próximo, se quisermos ser bem sucedidos.

 

Acima de tudo, o capitalismo não foi um modelo projetado, nem é resultado da criação de nenhuma mente privilegiada, mas trata-se de uma ordem espontânea, desenvolvida ao longo dos séculos através da interação humana.

 

O capitalismo não é perfeito, assim como nenhum sistema humano é ou jamais será perfeito. Mas os benefícios da sociedade da livre iniciativa são inegáveis – basta comparar a China de apenas 50 anos atrás com a China atual.

 

É muito fácil – e não raro politicamente conveniente – desdenhar do único modelo que, até hoje, nos permitiu escapar da pobreza e do desconforto que atormentaram o homem em grande parte de sua existência.  A esses eu diria que o maior crime das elites capitalistas não está nas famigeradas desigualdades, no egoísmo ou na ganância intrínsecos à condição humana, mas sim na recusa sistemática de apoiar, divulgar e defender o único modelo que proporcionou à humanidade sair de seu estado natural de miséria, preferindo, ao contrário, fazer apologia de um modelo que, onde quer que já tenha sido testado, só trouxe penúria e miséria.

 

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

3 comentários em “O verdadeiro crime das elites capitalistas

  • Avatar
    22/07/2014 em 5:16 pm
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    É simples, se o capitalismo nao funciona entao explique como a China saiu da miseria e hoje desponta como um país poderosissimo, chegando a bater de frente com os EUA!!!

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    21/07/2014 em 6:43 pm
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    E fácil dizer que o capitalismo traz prosperidade; mas não diz que o mesmo capitalismo, está destruindo vidas humanas na África, na Ásia e até na America latina. para ter essa prosperidade toda teve , tem e terá um preço sempre para a humanidade. não se fala que nos EUA, a taxa de desemprego e alarmente, no japão, há verdadeiros genocídios com os trabalhadores. a Europa está praticamente falida depois da crise econômica que culminou com a quebra das econômias locáis, e isso tudo pela gestão do capitalismo; me responda agora como é essa prosperidade?

    • João Luiz Mauad
      21/07/2014 em 9:25 pm
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      Caro Antônio Elder,

      A África sofre justamente pela falta de capitalismo. Esse modelo ainda engatinha em todo aquele continente, onde vicejam regimes socialistas (vide Zimbabwe, Angola, Moçambique, entre outros), além de regimes autocráticos onde instituições capitalistas são coisa raríssima.

      Na Ásia, bilhões de pessoas têm saído da extrema pobreza nas últimas décadas justamente depois da implantação do capitalismo, ainda que de forma acanhada. Ali, só a introdução da propriedade privada e da liberdade de comércio já representou um avanço inimaginável. Vide os casos de China e Índia.

      Quanto aos países ocidentais, embora não estejam de forma nenhuma imunes a crises (e eu nunca disse que o capitalismo é um sistema imune a crises), é incontestável que os índices de prosperidade e bem estar estão muito acima dos demais.

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