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O que realmente ajudará a África: capitalismo e livre mercado

Em 1971, o governo norueguês emprestou 22 milhões de dólares para a construção de uma fábrica para processamento de peixes no Lago Turkana, no Quênia. A ideia era fazer com que a exportação de pescados gerasse renda e emprego para a tribo dos Turkana, mas não deu certo. A tribo era formada por nômades sem conhecimento ou experiência em pesca e, para piorar, os custos de refrigeração também eram altos. O resultado é que a planta industrial foi fechada em poucos dias.

Se existe um lugar no mundo que recebeu ajuda humanitária de maneira maciça, este local é a África e a fila de projetos fracassados é longa. O Banco Mundial emprestou 10 milhões de dólares para a Tanzânia construir fábricas de processamento de castanha de caju, o que foi um completo desastre, pois havia mais sentido econômico em processar a planta na Índia. Em 1995, foi a vez da Christian Solidarity International – USA começaram a comprar escravos da etnia Dinka no Sudão pelo preço que variava de 50 a 100 dólares com o objetivo de libertá-los. Resultado? A prática aqueceu o mercado e mais traficantes de escravos começaram a capturar membros da tribo.

Segundo o economista William Easterly, professor da New York University, “o ocidente gastou 2.3 trilhões de dólares em ajuda humanitária para a África nas últimas cinco décadas (…) tanta compaixão bem-intencionada não trouxe resultados para as pessoas necessitadas”. O já citado Quênia merece destaque: segundo a Devex, nos últimos 10 anos, 22 projetos fracassaram em quase todos os setores da economia, “incluindo saúde, educação, igualdade de gênero e habitação.”

O economista queniano James Shikwati é ainda mais radical em relação às doações internacionais ao seu continente. Para ele, além de não ajudar, elas atrapalham, pois o dinheiro da ajuda externa prejudica o setor produtivo e a livre-iniciativa. Um dos exemplos citados por Shikwati é o das telecomunicações: “no Quênia, parte do dinheiro que veio de doações internacionais foi investida no setor de telecomunicações, controlado pelo Estado de forma ineficiente. Desse modo, fica difícil para o setor privado competir com as empresas estatais.”

Para Shikwati, a situação na agricultura é ainda pior. Ele alega que o envio de toneladas de alimentos atrapalha os produtores locais. “Eles param de produzir o pouco que têm, porque são incapazes de competir com os alimentos distribuídos gratuitamente à população. Assim, criam-se novas famílias de pessoas pobres, que passam a depender da ajuda internacional. É uma espiral sem fim”. Outro exemplo citado pelo economista é a indústria têxtil: “Em 1997, havia 137 000 empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003, eram apenas 57 000. Porque os países ricos nos inundam com roupas doadas, que vão abastecer os mercados de rua nas cidades africanas.”

A boa notícia é que os ventos começam a mudar. “Trade, not aid” (comércio, não ajuda) é o lema de Ngozi Okonjo-Iweala, a nigeriana que ocupa o cargo de diretora-geral da World Trade Organization – WTO. Karen Bass, deputada do Partido Democrata pela Califórnia e presidente da Comissão do Congresso de Relações Internacionais para a África, está em sintonia com Okonjo-Iweala. Disse a Congressista: “É preciso que o restante do mundo veja a África como um parceiro de negócios e de investimento, e não como um local para se entregar ajuda humanitária.”

Eu desconheço algum local do mundo que saiu da pobreza devido à caridade externa, mas, por outro lado, a lista de países que venceram esta situação devido ao livre comércio, empreendedorismo e aumento de produtividade é extensa. Por mais que no comércio as pessoas busquem principalmente seus ganhos pessoais, enquanto na ajuda humanitária os objetivos são mais nobres, é importante lembrar a máxima de Milton Friedman: “Um dos nossos maiores erros é julgar políticas públicas pelas suas intenções e não seus resultados”. Mandar alimentos para a África sem dúvida ajuda nas relações-públicas dos países europeus e reduz sua “White guilt“, mas o que realmente ajudará a África são o capitalismo e o livre mercado.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

Fontes: https://devex.shorthandstories.com/what-went-wrong/

http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/ajuda_atrapalha.htm

https://fee.org/articles/5-historic-examples-of-foreign-aid-efforts-gone-wrong/

https://www.heritage.org/international-economies/commentary/trade-not-aid-americas-relationships-africa-matter

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