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O que eu penso sobre a autonomia do Banco Central?

O plano Real acabou com a inflação galopante porque, em vez de usar esse imposto escamoteado para cobrir os gastos crescentes da máquina pública e seus satélites, quase dobrou a taxação, deu um calote bilionário com as tablitas de conversão, tabelou a correção monetária na apreciação das URVs, segurou a paridade com o dólar artificialmente, manteve controlados preços administrados pelo governo, privatizou algumas empresas estatais e acabou de certa forma com a promiscuidade que era a gestão do Tesouro.

O FED, banco central americano, tem autonomia desde 1913, mas, mesmo assim, injetou trilhões de dólares para que o governo americano pudesse salvar empresas falidas, prejudicadas pela quebra de Wall Street, que evaporaram em consequência de intervenções constantes das autoridades estatais nos mercados financeiro e hipotecário.

O Banco Central brasileiro é a autoridade monetária que administra a credibilidade e o poder aquisitivo da moeda nacional, que, antes de qualquer coisa, diferente do que ocorre nos Estados Unidos com o dólar, tem não apenas seu curso legal forçado, como detém o monopólio como meio de pagamento. Nenhuma outra moeda pode ameaçar a soberania nacional, mostrando como é precário o vigor do Real.

Como tudo o mais no Brasil, o mercado financeiro e de câmbio é extremamente controlado, regulado e taxado. O governo define todos os preços. Tarifas bancárias, juros, câmbio, spreads, inflação e tudo o mais que se move para cima ou para baixo precisa de autorização de algum burocrata engravatado com PhD em como mandar na vida alheia.

Eu não estou nada preocupado com a autonomia do Banco Central do Brasil perante o governo. Eu estou preocupado com a minha autonomia e de todo o mercado com relação ao Banco Central e o próprio governo.

Roberto Campos, o avô, se disse arrependido de tudo que havia criado enquanto trabalhava para o estado. O Neto, que segue os passos do avô, talvez daqui a alguns anos, diga o mesmo, quando já for tarde. É sempre um problema quando a luz está na popa.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.