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O problema não é o lobo-guará

O Banco Central (BC) ao final do mês de julho, anunciou que emitiria a sétima cédula para a família do Real, no valor de R$ 200,00 (duzentos reais) e representada pelo lobo-guará. Desde então as mídias sociais, como Instagram, Facebook e Twitter, têm polemizado o assunto sobre o tamanho da cédula, o porquê da emissão e ainda sobre qual bicho da fauna brasileira deveria estampar a nota.

O fato é que as projeções do Banco Central mostraram a necessidade de ser gerado, em um intervalo de cinco meses na economia, um adicional de aproximadamente R$105 bilhões devido à pandemia. Para tal, o BC prevê que sejam produzidas 450 milhões de unidades da nota, o que é equivalente a 90 (noventa) bilhões de reais. O principal motivo dessa intervenção do Estado na economia é o fechamento do comércio e o fato de as pessoas estarem guardando mais dinheiro em espécie em casa, fazendo, automaticamente, com que caia o giro de capital em papel moeda no mercado.

O principal ponto que causou crítica foi a possibilidade de aumento da corrupção, pois seria mais fácil ocultar e lavar o dinheiro proveniente do crime, porém a emissão da cédula foi popularizada por conta das polêmicas sobre o animal que deveria estampar a nova nota, o tamanho, a cor, entre outros aspectos, o que retirou do foco o principal problema que ficou em segundo plano: o tamanho do Estado.

A cédula nova é simplesmente uma consequência do que vem acontecendo no Brasil. A inflação dos preços é anterior à produção da nova cédula. Produtos básicos que compõem a cesta básica, como arroz, feijão, óleo de soja e a carne, tiveram aumentos significativos. Isso tudo por quê? A política monetária praticada pelo Banco Central causou uma brutal desvalorização da moeda e ocasionou o incentivo aos produtores de alimento para exportarem a sua produção.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preço de produtos agropecuários e industriais, constatou uma alta de 3,14% em julho e em agosto de 3,75%. A desvalorização do real perante o dólar e a produção de moeda estão entre os principais motivos desse aumento.

Os gastos do Estado são o cerne do problema e não o lobo-guará da cédula de R$ 200,00, que sofreu até com abaixo-assinado feito na internet para poder ser substituído pelo vira-lata caramelo que se popularizou nas mídias sociais. A expansão monetária está sendo feita para possibilitar a manutenção dos gastos do Estado, os quais foram inchados pelo chamado “Orçamento de Guerra” criado pelo governo para combater os efeitos da crise causada pelo Covid-19.

A alta dos preços deixa clara a emergência no controle de gastos públicos. Mesmo diante de todas as dificuldades causadas pela pandemia, a maior causa de todo esse desequilíbrio financeiro é o tamanho dos gastos públicos.

Por fim, para tentar minimizar os danos causados pela irresponsabilidade com o capital por parte do Estado, soluções como a privatização de empresas, a reforma administrativa e tributária e uma diminuição na máquina estatal, com redução de pessoas e aumento de produtividade, são algumas das medidas que podem contribuir para auxiliar na redução do impacto causado por altas contas. Não devemos, jamais, deixar que polêmicas causadas na internet, ou em qualquer outro meio, nos distanciem do verdadeiro problema. O problema não é o lobo-guará, é a política monetária praticada em nosso país.

*Bharbara Pretti é Associada Honorária do Instituto Líderes do Amanhã. 

Instituto Liberal

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